publicidade

Política 

"Não havia mais motivos para votar contra a não ser por posição ideológica", diz Rodrigo Coelho

Deputado federal catarinense é um dos 11 parlamentares do PSB que vão responder a processo no Conselho de Ética do partido por apoiar reforma da Previdência   

16/07/2019 - 21h39 - Atualizada em: 16/07/2019 - 21h54

Compartilhe

Jean
Por Jean Laurindo
Deputado critica alinhamento do partido nacionalmente com oposição ao governo Bolsonaro
Deputado critica alinhamento do partido nacionalmente com oposição ao governo Bolsonaro
(Foto: )

O deputado federal Rodrigo Coelho é um dos 11 parlamentares do PSB que votaram a favor da reforma da Previdência e vão responder a um processo no Conselho de Ética da direção nacional do partido. O PSB havia decidido votar contra a proposta.

Um dia após saber da decisão do partido de avaliar possível punição aos deputados do PSB que votaram a favor da reforma, com possibilidade até mesmo de expulsão, Coelho avaliou a decisão e fez críticas à orientação atual da legenda. No país, o PSB faz parte de um bloco de oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro, ao lado do PT.

A posição do deputado agrava mais o distanciamento com o PSB, que vinha em curso nos últimos meses. A situação de responder por voto a favor da reforma da Previdência em um partido que havia decidido votar contra é semelhante à enfrentada pela deputada Tabata Amaral (PDT/SP), que também recebeu ameaça de ser expulsa da legenda após votar a favor da proposta - o PDT era contra a proposta.

Confira abaixo entrevista com o deputado catarinense Rodrigo Coelho:

O que o senhor achou da decisão do partido?

Eu já esperava isso. Eles tinham comunicado dessa decisão, que fariam encaminhamento ao Conselho de Ética. Estou tranquilo, votei com convicção e sei que é o melhor para o país. A reforma da Previdência é necessária. Os pontos mais polêmicos, BPC, aposentadoria rural, capitalização, foram retirados do texto, particularmente, tive cinco emendas acatadas parcialmente, o partido também teve.

Então não haveria mais motivos para votar contra a não ser por posição ideológica. Qualquer que fosse o texto, o partido iria votar contra. Não fui só eu do partido que votei a favor, foram 11 de 32 deputados, isso dá 34%. E os deputados não fazem parte do diretório que decidiu isso. É um dos poucos partidos que os deputados não fazem parte do diretório que decidiu votar contra. Mostra que (o partido) não tem conexão com a realidade. É uma pena que isso tenha acontecido.

Teme que uma expulsão do partido de fato ocorra?

Não temo. Estou com a consciência tranquila. Se vier isso, abre-se a porta para eu me filiar a outro partido. Não temo isso. Até porque o partido, depois que faleceu o Eduardo Campos (ex-governador de Pernambuco, morto em acidente aéreo em 2014), mudou bastante, alinhou-se muito forte à esquerda e à oposição, isso não faz bem para o Brasil.

O grupo em 2014, com Eduardo Campos havia alinhado mais ao centro, aberto ao diálogo, com democracia interna. Depois que ele faleceu, perdeu o rumo. O partido não tem mais liderança nacional, vem sendo um partido que quer ocupar espaço pelo vácuo do PT e PDT, que tem esse desgaste natural. Aconteceram alguns fatos como a destituição do diretório estadual e expulsão do Luciano Buligon (prefeito de Chapecó, expulso do partido após declarar apoio a Jair Bolsonaro em 2018). São fatos que vão se somando e que acabam nos deixando bem chateado.

Ainda tem clima para o senhor permanecer no PSB?

O clima está bem complicado. Não que não tenha mais clima, mas hoje está tenso e complicado.

Já conversou com algum outro partido?

Não conversei com ninguém. Houve convites, mas não avancei nada porque não seria bacana de minha parte.

Acesse as últimas notícias do NSC Total

Ainda não é assinante? Faça sua assinatura do NSC Total para ter acesso ilimitado ao portal, ler as edições digitais dos jornais e aproveitar os descontos do Clube NSC.

Deixe seu comentário:

publicidade