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Entrevista

"Nossa linha é potencializar as unidades próprias do Estado", afirma novo secretário da Saúde

Helton de Souza Zeferino considera que antes de optar por Organizações Sociais para gerir hospitais, é preciso dar condições de gestão para as unidades estatais

08/01/2019 - 20h40 - Atualizada em: 09/01/2019 - 00h07

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Redação
Por Redação DC
Helton de Souza Zeferino
Helton de Souza Zeferino
(Foto: )

O novo titular da Secretaria de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino, pretende potencializar as unidades de saúde geridas pelo Estado antes de se render ao discurso de que as Organizações Sociais (OS) são mais eficientes. Em entrevista ao NSC Notícias nesta terça-feira (8), ele afirmou que é "fácil dizer que a OS faz uma gestão melhor quando eu não ofereço para o Estado capacidade técnica e de recurso para fazer sua gestão".

Sobre a unificação dos prontuários médicos em formato eletrônico, Zeferino disse que Secretaria está estudando a aplicação da tecnologia e não apresentou prazos. Em relação a outra das promessas anunciadas pelo governador Carlos Moisés (PSL), o secretário disse que o Raio-X da Saúde, programa em que os usuários do serviço poderão avaliar os serviços, deve iniciar em fase de testes em dois hospitais da Grande Florianópolis no mês de fevereiro.

Zeferino era comandante do 1° Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar em Florianópolis, onde tem patente de tenente-coronel. Ainda tem formação em Medicina pela UFSC e especialização em Administração de Segurança Pública pela Unisul. Atuou como médico plantonista no resgate aéreo dos Bombeiros. Foi anunciado por Moisés em 3 de dezembro de 2018.

Na segunda-feira, o secretário da Educação, Natalino Uggioni, foi o primeiro a comparecer à série de entrevistas. Quarta-feira (9) o entrevistado será Carlos Alberto Araújo Gomes, da Segurança, e quinta-feira será a vez de Carlos Hassler, de Infraestrutura e Mobilidade. As entrevistas ocorrem ao vivo no NSC Notícias, a partir das 19h20min.

Confira a entrevista do secretário da Saúde Helton de Souza Zeferino:

O senhor já atuou como médico plantonista nos Bombeiros, já teve contato com a saúde pública estadual, esteve do lado de lá. Agora, do lado de cá, e no comando, qual será a sua prioridade para a saúde pública em Santa Catarina?

Nós temos várias prioridades na saúde. Mas, de uma forma global, nós poderíamos dizer que a prioridade número um é entregar uma saúde de qualidade, com a revisão de processos de gestão. Nós temos hoje um processo de gestão meio conturbado. E obviamente com a implementação de tecnologias que busquem unificar o serviço que nós fazemos no sentido de gestão e de oferta de informações à população. A população tem muita dúvida sobre o tipo de serviço que a (secretaria de) Saúde faz, e isso faz com que nós tenhamos pontos de desencontro entre aquilo que nós achamos que prestamos e aquilo que a população acha que nós fazemos e o que acontece. Nós temos desafio de implementação de tecnologia buscando sempre dar visibilidade e transparência aos atos que a saúde faz no estado.

Essa tecnologia prevê por exemplo a sala da situação da saúde, o Raio-X da Saúde (programa em que os usuários avaliarão os serviços) e o Prontuário Eletrônico, que vai facilitar muito o serviço. São anúncios feitos agora pelo governador Moisés. Quando senhor acredita que vão ser realidade?

Nós estamos agora em um processo de planejamento que está voltado a entender como fazer. Nós temos dentro da Secretaria vários sistemas informatizados que não conversam entre si. Então nós precisamos ter um descritivo de como nós vamos fazer esta intervenção, especialmente no que diz respeito aos prontuários. Se fala a muito tempo na saúde, mas a prática não comprova isso. E nós estamos trabalhando em uma métrica de que o cidadão, ao ingressar em uma unidade de saúde, seja em São Miguel do Oeste ou seja no Litoral, tenha-se acesso ao seu prontuário e a todo o processo que já foi realizado no atendimento dele. Isso requer tecnologias que precisam ser estudadas, mas nossas equipes já estão engajadas neste processo para que o mais rápido possível a gente tenha uma ideia de prazo para a entrega desse processo.

O senhor acredita que até o o final de 2019 já vai ter?

A nossa ideia é trabalhar até o final de 2019. Alguns processos como o "Raio-X da Saúde" nós devemos começar ainda no mês de fevereiro. O projeto-piloto já inicia em dois aqui na grande Florianópolis. Uma vez que ajustes forem sendo tomados nós vamos implementar no restante do Estado.

Nós acompanhamos o quanto o Estado precisa de mais recursos do Governo Federal na área da Saúde de SC. Qual o seu nível de articulação com o Ministério da Saúde para conseguir esses recursos?

O nível de articulação que temos com o Ministério da Saúde é o nível que entendemos que o Estado detém junto ao governo federal. Nós temos um processo de mudança no governo federal. O ministro da saúde até pouco tempo atrás ele também estava em uma situação de secretariado. Ele entende as demandas da saúde. Nós temos esse viés do novo ministro. E a nossa busca no Ministério se emparelha com os demais estados, que são o devido ajuste da Tabela Sus, o reconhecimento de tabelas extra-teto que fazemos no Estado e não são ressarcidas, o entendimento melhor daquilo que deve ser a contribuição da saúde nos estados. Na verdade nós vamos fazer coro aos demais Estados da Federação que também já buscam isso por algum tempo na história recente do Brasil.

Já foi bastante divulgado o relatório técnico do Tribunal de Contas que apontou a gestão por Organizações Sociais sendo mais eficientes do que a gestão direta do hospitais. O senhor deve seguir essa linha?

Nossa linha hoje de busca pelas unidades é primeiro potencializar as unidades próprias do Estado. Hoje quando se fala em OS nós temos o entendimento que ela é mais adequada à gestão, mas para que tenhamos essa capacidade de comparação nós temos que municiar aquelas unidades que são geridas pelo Estado com capacidade de resposta. A partir do momento que tivermos essa capacidade, as unidades realmente comprovem que elas têm a eficiência menor que uma organização social, nós podemos entrar em um viés de entender alguns processos de gestão través desse modelo. Hoje temos dificuldade em relação a isso porque nossas unidades não recebem aquele recurso adequado para fazer a gestão. E nesse momento nós consideramos que essa balança está desproporcional. É fácil dizer que essa Organização faz uma gestão melhor quando eu não ofereço para o Estado capacidade técnica e de recurso para fazer sua gestão.

O plano de governo do então candidato Moisés prometeu fixar médicos e garantir saúde em pequenas localidades. Agora, como o senhor, como secretário de Saúde do Governo Moisés, vai atrair esses profissionais e garantir a estrutura de trabalho necessária?

Na verdade nós estamos hoje, através do nosso planejamento, identificando as necessidade de atenção primária, que é aquela que acontece diretamente no município, para quem conhece de saúde entende que 80% das demandas podem se resolvidas no próprio município. E nós estamos desenhando dentro daquilo que é pactuado nos municípios, como é que poderemos, através do ente Estado, otimizar a parceria com municípios, para que o médico e a equipe possa se estabelecer no município e consiga fazer aquelas atividades que se espera da atenção primária adequada. Que possa estar escalonada e hierarquizada em uma rede para que tenhamos chegando em nossa unidades de saúde aquelas demandas que realmente são de competência e de gestão do próprio Estado.

Os moradores dos pequenos não ficarão desassistidos?

Na verdade, os moradores dos municípios, sejam eles grandes ou pequenos, terão realmente uma participação do Estado. Obviamente dentro daquilo que foi pactuado, mas nós vamos abrir sim uma linha de conversação com todos os municípios para que a população seja melhor atendida do que estão sendo hoje.

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