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Sem tabu

Nova temporada do "Amor & Sexo" revisita temas como feminismo e transgênero

Comandado por Fernanda Lima, programa volta nesta quinta-feira

26/01/2017 - 10h02 - Atualizada em: 26/01/2017 - 11h17

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Por Estadão Conteúdo
Fernanda Lima chega à décima temporada à frente do "Amor & Sexo"
Fernanda Lima chega à décima temporada à frente do "Amor & Sexo"
(Foto: )

O ano passado seria o derradeiro para o programa Amor & Sexo, na Globo, apresentado por Fernanda Lima. Houve até comoção na despedida. Mas eis que, no ano passado mesmo, Fernanda anunciou uma nova temporada da atração – atendendo ao pedido do público, segundo a emissora. Nesta 10ª temporada, que estreia nesta quinta-feira à noite, ela assume novamente o posto de apresentadora do programa, que vai mesclar papo sério, bom humor e pitadas de ousadia. Na bancada, volta a contar com um grupo eclético, formado por Mariana Santos, Otaviano Costa, José Loretto, Regina Navarro Lins e Dudu Bertholini.

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Ainda sobre a bancada, sai o escritor e jornalista Xico Sá e entra o humorista Eduardo Sterblitch, ex-Pânico.

– A gente ficou sabendo que o Edu estava disponível. Sempre gostamos do trabalho dele, mesmo que ele venha de um programa supermachista, com o histórico do Pânico. A gente ficou pensando como trazer o Edu e, ao mesmo tempo, desconstruir esse cara. Então, ele vai sofrer muito na nossa mão (risos) – diverte-se ela.

Quanto a Xico Sá, se ele saiu por algum motivo em especial, algo pessoal, Fernanda responde:

– Com o programa não, foram questões com a empresa, sou apaixonada pelo Xico.

O programa vai retomar temas já tratados em temporadas anteriores, mas sob novos ângulos. Os transgêneros, por exemplo, que foram destaques no Amor & Sexo do ano passado, continuam presenças cada vez mais importantes.

– Agora você vê na rua as pessoas se assumindo realmente como são, você vê meninos vestidos de meninas. A gente não pode deixar de falar disso, os meninos estão se expressando, mas também estão apanhando ainda. A gente tem de conseguir colocar isso na mesa de forma carinhosa, amorosa.

Além de apresentar a atração, Fernanda Lima também é uma das roteiristas há quatro temporadas. A entrada no roteiro era um caminho natural, até pelo envolvimento com o programa?

– Mais do que meu envolvimento com o programa, sou eu falando ali na frente, não é uma atriz, não é um personagem, sou eu, Fernanda, falando. Eu jamais poderia falar alguma coisa que não fosse condizente com o que eu penso – explica.

Envolvida com as gravações de Amor & Sexo até março, Fernanda afirma que o outro programa que apresentava, SuperStar, não deve ter nova temporada, mas adianta que já foi convidada para outro projeto da casa, sobre o qual, ela diz, ainda não tem muitos detalhes.

ENTREVISTA COM FERNANDA LIMA

Qual o desafio de não deixar Amor & Sexo cair na rotina?

O programa é aquele que a gente já conhece, tem esse compromisso de aliar informação com música, que é algo que a gente preza muito, com dança, eu usando roupas meio fantasiosas. Isso foi ficando cada vez mais encorpado. Então, nesta temporada, talvez a gente tenha colocado ainda uma tinta mais pesada em tudo isso: se a gente gostava de música e fazia um musicalzinho de abertura de 40 segundos, agora faz um musical de 3 minutos e meio, 5 minutos, se a gente gostava de cor, ele vem mais colorido. A gente valorizou o que achava que já fazia legal.

O primeiro programa será sobre mulher. E já é possível ter uma ideia de como será com a chamada de vocês dançando Run The World, de Beyoncé, que fala do empoderamento da mulher. Essa questão volta forte?

Sim, nesses últimos cinco anos que estou mais à frente do roteiro também, a gente acaba, mais ou menos, repetindo os temas. Só que as coisas estão mudando tão rapidamente que, mesmo a gente falando dos mesmos temas, a cada ano, eles avançam. Por exemplo, no ano passado, a gente fez um programa sobre a mulher que é mãe e que tem de amamentar em público, sim, porque é um direito dela e ninguém tem nada a ver com isso. Neste ano, a gente vem com a coisa do comportamento, da saia curta, a música de abertura é fortíssima, brasileira, que fala que piranha é um peixe voraz do Rio São Francisco. Quer dizer, piranha, meu amigo, é um peixe, para com essa palhaçada de ficar chamando mulher com tudo que é coisa que você acha que pode, vamos rever tudo isso.

Você teve algumas experiências como atriz. Sente falta de atuar?

Não sinto, porque não exerci esse ofício. O que fiz lá atrás em novelas parece que foi mais uma chance de eu estar na casa, tendo algo para fazer. Não tenho falta disso, eu teria vontade ainda de ter uma experiência atuando, mas não sei se vou ter tempo, e acho que, para fazer alguma coisa como atriz, eu que não tenho experiência, preciso ser preparada.

Essa é uma lição que a novela Bang Bang deu para você (Fernanda foi criticada na época)?

É, não me arrependo de ter feito Bang Bang porque adorei fazer, e fui uma iniciante como 90% dos atores e atrizes que entram para fazer novela. Não vejo jovenzinhos entrando com experiência, eles entram com vontade. No meu caso, parece que, como eu já tinha um passado na TV como apresentadora, é como se eu não tivesse tido esse direito de ser uma novata na atuação. Fiquei supermagoada na época, mas hoje vejo que eu estava ali aprendendo como um monte de gente que aprende no carão, no ar. Talvez se eu não tivesse aceitado fazer Bang Bang, não estaria fazendo Amor & Sexo.

Você fará 40 anos em junho. Hoje, suas prioridades são diferentes de dez anos atrás?

Com 29, eu estava grávida de dois meninos, estava me realizando como mulher, eu sempre quis ter filhos. Era um momento de vida em que eu estava dando o meu primeiro relax, porque nunca parei. Desde que saí de casa, aos 14 anos, lutei muito, mal tive uma adolescência, eu estava sempre viajando, trabalhando e batalhando. Quando tive filhos, dei uma leve paradinha – um pouquinho, né –, tipo "agora vou curtir". Mas logo me cobrei de voltar. Aí foi sem parar. Agora, com 39 anos, estou pensando que preciso dar uma acalmada, não parar de trabalhar, mas preciso me dar ao direito de usufruir um pouco do que conquistei. Este ano, comecei a remexer um pouco a minha vida. Falei: todos os dias de manhã, vou estar em casa com as crianças. Assim, parei de malhar, de arrumar compromisso e não sei o quê. Neste momento, fico pensando que é importante eu estar com as crianças. Eles vão fazer 9 anos, o mundo está muito complicado e não quero deixar passar. Quero estar com eles.

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