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Novo projeto de Escola sem Partido permite que aluno grave professor 

Proposta foi apresentada já na abertura do Legislativo e traz algumas novidades 

05/02/2019 - 22h02

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Por Folhapress
Câmara dos Deputados
(Foto: )

Um novo projeto de Escola sem Partido foi apresentado já na abertura do ano legislativo, na segunda-feira (4). O texto atual traz novidades: quer assegurar aos estudantes o direito de gravar as aulas contra possíveis doutrinações e ainda regular as atividades de grêmios estudantis.

O texto do Projeto de Lei 246 foi protocolado na noite de segunda pela deputada Bia Kicis (PSL-DF). A ideia da parlamentar, no entanto, é que a discussão efetiva só ocorra após o trâmite das pautas econômicas do governo.

O novo projeto mantém as linhas gerais do que havia sido discutido no ano passado em uma comissão especial da Câmara e acabou arquivado. Alguns ajustes, entretanto, retiram e também acrescentam pontos polêmicos.

Kicis é cunhada do fundador do Movimento Escola sem Partido, Miguel Nagib. Defensores do projeto entendem que ele busca a neutralidade na sala de aula contra uma suposta doutrinação de esquerda que dominariam as escolas brasileiras.

Para os críticos, a ideia de uma lei é autoritária, limita a pluralidade de ideias nas escolas e ainda constrange professores. Não há evidências que indiquem que doutrinação seja um problema amplo. Decisões judiciais de várias instâncias e uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) já consideraram inconstitucionais projetos similares.

A nova redação do Escola sem Partido traz um artigo que assegura aos estudantes "o direito de gravar as aulas, a fim de permitir a melhor absorção do conteúdo ministrado e de viabilizar o pleno exercício do direito dos pais ou responsáveis de ter ciência do processo pedagógico e avaliar a qualidade dos serviços prestados pela escola". Na prática, seria uma forma de os alunos gravarem casos de doutrinações.

No ano passado, a deputada eleita pelo PSL em Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo, de Itajaí, pediu que alunos gravassem professores e os denunciassem. A Justiça determinou a retirada da mensagem, publicada nas redes sociais logo a pós a eleição de Bolsonaro. Essa decisão foi suspensa neste ano.

Várias redes de ensino proíbem o uso de celular na sala de aula. "(O projeto de lei) está ensinando o aluno a se proteger de um molestador", disse a deputada.

Um novo artigo fala sobre os grêmios, que são organizados por alunos e não por professores. O artigo 8º diz: "É vedada aos grêmios estudantis a promoção de atividade político-partidária".

Segundo Bia Kicis, o artigo foi incluído para corrigir uma falha dos textos anteriores.

— O grêmio fica dentro da escola, e é uma forma de os alunos exercitarem a cidadania. Se não a doutrinação que era na sala de aula só muda para o grêmio — frisa.

Cartaz na sala de aula com deveres de professores

O novo projeto mantém a previsão de um cartaz na sala de aula com os deveres do professor. Também declara que o poder público "não se imiscuirá no processo de amadurecimento sexual dos alunos nem permitirá qualquer forma de dogmatismo ou proselitismo na abordagem das questões de gênero".

Mas, no texto anterior, a abordagem de gênero era totalmente vetada, tanto na educação básica quanto no ensino superior. Esse trecho agora retirado, mantendo o veto ao que se chama de dogmatismo e proselitismo na abordagem. Também não usa o termo "ideologia de gênero", nunca usado por educadores.

As escolas particulares também ficam de fora dessa vez. Estariam sujeitos à lei apenas o sistema público, que inclui escolas e universidades municipais, estaduais e federais.

— O projeto tentou melhorar todas as falhas do anterior — diz Kicis.

Havia previsão de análise no STF em novembro do ano passado, mas o presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, mudou a ordem dos julgamentos e adiou indefinidamente o processo.

Entendimento do Ministério Público Federal (MPF) diz que o projeto é inconstitucional por impedir o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, negar a liberdade de cátedra e contrariar a laicidade do Estado — por permitir no espaço público da escola visões morais e religiosas particulares.

O projeto de lei do Escola sem Partido foi discutido no ano passado em uma comissão especial. A ideia é que isso ocorra novamente neste ano.

Apesar de ter maioria no colegiado, os defensores do projeto não conseguiram mobilização suficiente para a aprovação. Isso ocorreu tanto por manobras da oposição quanto pela perda de apoio ao projeto. Nomes como o presidente do DEM, ACM Neto, e Olavo de Carvalho, já declararam ser contra uma lei como essa.

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