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"Nunca foi tão necessário que os líderes entendam de gente", diz Oscar Motomura na Expogestão 2019 

Liderança foi o tema da primeira palestra magna do Congresso de Atualização em Gestão nesta terça-feira (14), em Joinville 

14/05/2019 - 17h54 - Atualizada em: 14/05/2019 - 21h41

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Luan
Por Luan Martendal
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São tantas as mudanças e transformações - dadas as novas tecnologias e o mundo digital - que muitas vezes se torna difícil acompanhar as atualizações na velocidade em que elas ocorrem. O desafio se torna ainda maior quando envolve as lideranças corporativas, que precisam engajar as pessoas em meio a um futuro incerto. Este foi o tema central trazido por Oscar Motomura, CEO do Grupo Amana-Key, empresa referência no País em educação executiva e consultoria em gestão, na primeira palestra magna da Expogestão 2019, em Joinville.

O executivo destacou em sua passagem no Congresso, que quando se propõe a discutir sobre lideranças e incertezas em um mundo em transformação, é preciso falar de competências de gestão de mudanças - hoje um dos principais desafios dos gestores. Segundo ele, esse é um negócio antido, mas que não vem recebendo a importância que precisa, o que pode impactar diretamente no sucesso ou não dos resultados buscados pelas organizações.

— Num certo sentido os lideres não estão hoje aparelhados para liderar mudanças e grandes transformações. Por exemplo, existem muitos líderes técnicos, mas que não estão preparados do ponto de vista humano (capacidades diplomáticas; competências sociais; competências humanas), e aí não conseguem viabilizar as mudanças necessárias e excepcionalmente uteis, porque não conseguem fazer com que as pessoas estejam em conjunto — afirma.

Conforme Motomura, para esses tempos de transformações e incertezas nunca foi tão necessário que os líderes atuais entendam de gente. Ou seja, o que move uma ação inovadora não é a tecnologia e o digital em si, mas o sistema de liderança que está por trás dela. "Não adianta um setor ficar digital, se é para ser digital tem que ser a sociedade inteira", sustenta.

— O que se percebe é que temos um campo denso para que a gente consiga ficar cada vez mais expert, não no digital, mas no (lado) humano. O digital vem com a gente, mas se nós não tivermos essa competência de gerenciar mudanças e grandes transformações, a gente nunca vai conseguir chegar no nível de excelência que poderíamos alcançar — completa.

Ele completa dizendo que depois do surgimento da internet, as oportunidades são imensas para as pessoas que têm iniciativas, mas é preciso pensar no todo para que resultados positivos sejam viabilizados. Um exemplo vem de Seul, na Coréia do Sul, considerada a cidade mais digital do planeta. Segundo Motomura, com o celular na palma da mão, a população local consegue tomar decisões em conjunto dadas as sugestões do poder público e conseguem fazer com que transformações sociais e econômicas aconteçam de acordo com a demanda dos cidadãos.

— Isso é um exemplo de mutirão, na qual a cidade se autogerência para buscar o melhor para todos, sem exceção. E eu diria que mutirão é gabarito para a resoluções de equações impossíveis e reflete o que, altíssima participação. Quando há a participação é impressionante como a energia sobe e há um engajamento impressionante, algo fundamental para que a execução seja excepcional — afirma.

Um dos exemplos dados por Oscar Motomura aos participantes do congresso é um case de sucesso da Estônia, na Europa. Um cidadão comum se converteu em um líder nato ao ter a ideia de mobilizar a população para limpar as florestas do país (que enfrentavam descarte indiscriminado de lixo). A proposta era juntar 40 mil pessoas para retirar 10 toneladas de lixo em um dia e limpar o país.

Primeiro ele reuniu um grupo de pessoas, que se engajaram em ajudar. O movimento foi tão forte, que reuniu empresas, governo, voluntários e chamou a atenção do mundo. O resultado foi impressionante, 50 mil pessoas se reuniram e executaram o plano no mutirão mais bem sucedido da história do País. O impacto também foi financeiro, uma vez que se nao houvesse a participação popular, o governo teria de desembolsar mais de 20 milhões de euros para recuperar a mesma área em três anos.

Em outro caso, falou de uma empresa pública inglesa que conseguiu transformar a imagem negativa que tinha diante dos atendimentos que realizava à população, através de uma ideia inspiradora. O grupo criou um modelo de iniciativas continuas e em três meses conseguiu formular 130 mil ações que possibilitaram melhorar o atendimento do serviço público.

— Hoje quando me pedem para definir a liderança em três palavras, respondo: Iniciativa, iniciativa, iniciativa. Não de uma autoridade, mas da pessoa que sente que pode ajudar, vai lá e faz. Isso o torna um líder.

Oscar Motomura falou sobre liderança na palestra de abertura da Expogestão 2019
Oscar Motomura falou sobre liderança na palestra de abertura da Expogestão 2019
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O novo líder

Oscar Motomura elencou alguns termos-chave que considera fundamentais quando se discute liderança de sucesso diante de um cenário de incertezas. O primeiro deles é a "capacidade de fazer abstrações", ou seja, é preciso desenvolver e praticar a capacidade de entender que qualquer situação do dia a dia pode fornecer ideias que podem motivar transformações inspiradoras.

Também são elencados o mutirão como gabarito; compreender o impossível como algo inerente; ter iniciativa e pró-soluções como valor; buscar a alta participação e alto engajamento e praticar o agorismo (evitando o excesso de planos).

É preciso ainda transcender do hierárquico (começar pela hierarquia lateral); valer-se da força da internet; criar contextos que libertam a criatividade; desenvolver competências sociais e politicas; gerir as mudanças e transformações; manter a consciência em elevação continua; ter senso de julgamento e importar-se com o próximo.

— Quando damos significado a nossa vida, é impressionante o quanto vamos enriquecendo. Estamos em um momento de cidadania plena e sugiro colocar aquilo que você tem de competências à serviço do bem comum, à serviço do País. Isso é importar-se - completa.

Sobre o palestrante

Motomura é CEO do Grupo Amana-Key, presidente do Comitê de Jurados do Prêmio UNESCO - Japão para projetos de educação em desenvolvimento sustentável, e co-chairman do Conselho Internacional da "Carta da Terra em Ação", movimento que busca o bem comum planetário. Na bagagem ele traz sua trajetória, que começou como office boy aos 16 anos e depois de dez anos, conseguiu fundar a Amana-Key, empresa que se tornou referência no País em educação executiva e consultoria em gestão. Hoje, a empresa tem seu hall de clientes corporações como Fiat Chrysler, Magazine Luiza, Johnson & Johnson, O Boticário, Embraer e Banco do Brasil.

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