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Figueirense

O primeiro W.O. não se esquece

Repórter da CBN Diário conta sentimento de acompanhar a noite em que um time chegou no estádio, mas não entrou em campo por falta de pagamento

21/08/2019 - 22h04 - Atualizada em: 21/08/2019 - 22h19

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Kadu
Por Kadu Reis
Alvinegro não entrou em campo na terça-feira à noite
Alvinegro não entrou em campo na terça-feira à noite
(Foto: )

Acordei cedo. Não vou dizer que gosto muito, mas o dia exigiu. Informações checadas e às 7h30min já falava ao vivo no Bom Dia SC da NSC TV sobre a possibilidade do Figueirense não entrar em campo para enfrentar o Cuiabá. Após três anos frequentando o clube todos os dias é possível ter uma boa noção do que acontece, mas numa situação tão complexa não havia como garantir o sim ou o não.

Minha vida sempre girou em torno do futebol. Costumo dizer que a falta de habilidade para ser um jogador me motivou a chegar o mais perto possível das quatro linhas. Sou setorista do Figueirense na rádio CBN Diário e trabalho em todos os jogos atrás do gol, conferindo tudo. Chute, passe, drible, pixotada, cânticos de torcida, vaias, o apito do árbitro. Nada fazia meu coração disparar mais do que isso, até a última terça-feira.

Doze horas antes do jogo e eu já estava de plantão no hotel onde o Figueirense ficou concentrado em Cuiabá. Conversa com um, troca ideia com outro e o WO se tornava a cada minuto mais provável.

Era até difícil de acreditar, mesmo com todas as checagens. A missão de informar foi mais angustiante do que nunca. Celular tocando sem parar e entradas ao vivo em diferentes veículos do país. Queria ir logo à Arena Pantanal.

Hoje profissão, frequentar estádios é minha rotina desde os 13 anos. O primeiro jogo da vida perto do campo foi na arquibancada do Sesi, em Blumenau, cidade onde nasci. Levado pelo tio Clóvis Reis – colunista do Jornal de Santa Catarina –, sou até hoje incapaz de esquecer daquele Metropolitano 0 x 0 Figueirense no dia 13 de março de 2005. De lá para cá acredito que sejam mais de 100 estádios visitados em sete países diferentes.

20 de agosto, 19h14min, ainda no hotel. Cravei na internet, na rádio e para todos os catarinenses no NSC Notícias que o Figueirense não entraria em campo para enfrentar o Cuiabá. Informação do advogado dos atletas em comunicado à imprensa. Às 20h30min os caras resolveram ir ao estádio. Meu coração palpitou, as mãos suaram, mas mantive a voz firme para seguir ao vivo na CBN Diário de dentro do carro a caminho do campo.

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A vida e a carreira passaram na minha cabeça nestes minutos. Como sempre bateu a saudade do pai flamenguista, que me deixou no ano passado. Nunca fez pressão na infância, me deixou escolher sozinho ser torcedor do São Paulo. Aliás, antes da derradeira terça, de folga, fiz o que mais gosto na vida no último domingo. Fui ao estádio. Mas meu semblante era oposto ao dos demais 47 mil tricolores que queriam ver Dani Alves no Morumbi. Eu sabia do que havia pela frente dois dias depois.

Arena Pantanal, 21h58min. A decisão de não jogar foi mantida nos vestiários após mais negociações dos jogadores com a diretoria. Enquanto o Cuiabá e a arbitragem esperavam em campo, os atletas alvinegros foram embora. Histórico. O Figueira perdeu mesmo por W.O.. Meu trabalho durou mais algumas horas naquela noite e esta pauta teima em não acabar. A noite que fui ao estádio e não houve jogo vai ficar para sempre na memória. Entra na lista dos momentos inesquecíveis, assim como a tarde ensolarada do 0 a 0 de 2005.

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