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Entrevista

"O problema é grave e não há esforço para resolução", afirma o presidente da Funai sobre situação em José Boiteux

Cerca de 300 índios não permitem acesso de trabalhadores à Barragem Norte, em José Boiteux

18/04/2015 - 04h26

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Por Redação NSC
Presidente da Funai, Flávio Chiarelli, visitou o Estado no começo do mês
Presidente da Funai, Flávio Chiarelli, visitou o Estado no começo do mês
(Foto: )

Em visita ao Estado no começo do mês, o presidente da Funai, Flávio Chiarelli, participou da formatura da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da UFSC, em Florianópolis, da entrega de 15 casas populares na aldeia Coqueiros, em Vitor Meirelles, construídas através do Programa Nacional de Habitação Rural e depois esteve na barragem de José Boiteux. Ele se disse surpreso com a situação dos índios acampados e assumiu o compromisso de interceder pela comunidade Laklãnõ-Xokleng em Brasília para que o processo de demarcação de terras avance.

Jornal de Santa Catarina: O senhor conhecia a situação dos índios acampados na Barragem Norte?

Flávio Chiarelli: Me causou espanto. O problema é grave e não há o devido esforço para a resolução. A barragem foi feita para resolver uma situação da sociedade não indígena, mas com prejuízo da terra e da comunidade indígena. Parece que como o rio não está mais causando problemas lá embaixo, aqui em cima não há o que resolver. Mas na última cheia várias casas foram inundadas e temos uma situação de vulnerabilidade social muito grande. Precisamos de providências, mas a Funai sozinha não vai resolver o problema, ela depende da Defesa Civil de Santa Catarina e de outros órgãos do governo federal.

Santa: E o senhor acha que é possível reunir esses órgãos para resolver a questão, considerando que os índios estão há 10 meses na barragem?

Chiarelli: Eu não posso falar pelas autoridades locais, mas é importante que não se esqueça que essa barragem foi construída na década de 1980 sem o devido processo de licenciamento ambiental e não foram previstas medidas adequadas de compensação ou de mitigação dos danos ambientais, socioambientais. Então é urgente que a gente tome alguma providencia.

Santa: Esta é primeira vez que o senhor visita a comunidade Xokleng em Santa Catarina? O que o senhor leva daqui?

Chiarelli: Quando vamos a uma terra indígena a experiência é muito rica, porque uma coisa é saber dos problemas através dos processos ou de pessoas contando, outra é vir à localidade. Eles fizeram uma reivindicação da barragem, mas também uma em relação à saúde, que merece cuidados por parte da Sesai (Secretaria Especial da Saúde Indígena), mas também da prefeitura. O que eu levo daqui é um olhar mais atento para a saúde indígena e a situação da barragem, que eu vou procurar os órgãos do governo federal para tentar uma articulação com o Estado para chegarmos a uma solução para o problema.

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