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    O relato de uma repórter que, aos 31 anos, jogou futebol pela primeira vez

    Talita Catie, do Jornal de Santa Catarina, aceitou o desafio de entrar em campo e contar como foi a experiência

    08/06/2019 - 09h00

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    Talita
    Por Talita Catie
    (Foto: )

    Aceitei o desafio de calçar uma chuteira e entrar em campo pela primeira vez nos meus juvenis 31 anos. Foi na última quarta-feira, quando o frio resolveu aparecer e tinha Brasil e Qatar na televisão. Duas coisas que gosto muito, mas em casa, debaixo do cobertor. Nunca joguei futebol antes, mas entendi que a chegada da Copa do Mundo de Futebol Feminino valia meu empenho e a experiência.

    Tenho que confessar, inclusive, que esperei ansiosa pela partida. Conforme as meninas foram chegando, a dor na barriga apertou. A hora que a bola rolou mesmo, não tinha ideia do que deveria fazer. De verdade, senti falta do tal professor, que sempre ouço os meninos da redação falando. Admito, apesar de apreciar as partidas, principalmente as do Timão, só tenho certeza de quem é o goleiro dentro das quatro linhas.

    Acredite, resisti bravamente aos primeiros 20 minutos, quando acredito que todas ainda estavam no pique. Tive participação decisiva no resultado, que acabou com a vitória das meninas de vermelho, no caso, meu time. Levamos a melhor e fechamos o placar em 6 a 4.

    Vitória de virada. O que só ocorreu quando sai do campo. Sim, toquei na bola. Pensando bem, talvez poucas vezes. Mas a bola me acertou em muitas oportunidades. Voltei para casa com as marcas na coxa. Como essa bolada impediu um gol das adversárias, estou orgulhosa.

    Nós, mulheres, não temos limites quando assumimos um desafio

    Meu marido estava lá para me ver, e disse que fui bem, só falta aprender a jogar. Na redação, quando viram as imagens, também não aliviaram para o meu lado. Tudo bem, mulheres estão acostumadas com a cobrança. Pensei que bastava minha boa vontade, afinal por profissão sou jornalista. Estava enganada. Queriam que eu, novata, mandasse bem de primeira.

    Nós, mulheres, não temos limites quando assumimos um desafio. Às vezes, precisamos rever a rota, mas sempre encontraremos formas de chegar lá. Eu vou tentar novamente, o frio na barriga me cativou. As parceiras de jogo alimentaram essa vontade. Futebol, para elas, não é só lazer, como foi para mim. É um sonho, uma paixão, uma realização. E o que pode ser melhor do que isso?

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