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    Crise em Brasília

    O saldo do PT 13 anos depois: a herança econômica

    Um governo que girou no próprio eixo na área

    10/05/2016 - 18h30 - Atualizada em: 10/05/2016 - 18h58

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    Por Redação NSC
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    Avanços na área social ofuscados pela recessão e pelo aumento da taxa de desemprego. Uma das maiores bases de apoio já montadas no Congresso esfacelada por denúncias de corrupção e queda de popularidade do ex e da atual presidente. Um país que buscou o protagonismo no cenário externo à custa de constrangimentos em seu próprio quintal. Com quatro mandatos incompletos, o primeiro partido de esquerda a chegar ao poder no Brasil após a redemocratização pode chegar ao fim prematuro com o possível afastamento de Dilma Rousseff do seu gabinete no Palácio Planalto. Veja qual é a herança econômica que o Partido dos Trabalhadores deve deixar no governo federal.

    Inflação acima da meta, câmbio em disparada, juro nas alturas, desconfiança de investidores. Se o afastamento da presidente Dilma Rousseff for confirmado pelo plenário do Senado, o PT deixa o governo com indicadores econômicos muito semelhantes ao que encontrou quando chegou ao Planalto 13 anos e meio atrás. Os bons resultados obtidos no meio do caminho foram praticamente todos corroídos pelo descontrole nos gastos públicos e a forte recessão.

    O cenário nem de longe parece aquele de cinco anos atrás, quando o Brasil passava pela crise internacional – que afundava as principais economias do mundo – sem grandes arranhões e crescia em ritmo acelerado. A situação que o país enfrenta atualmente, afirmam especialistas, começou justamente quando o governo continuou praticando – em período de calmaria – as mesmas medidas adotadas para evitar que as turbulências no Exterior chegassem durante a crise de 2008.

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    À época, o Ministério da Fazenda, sob a batuta de Guido Mantega, aumentou os gastos públicos, por meio de programas de investimento e de estímulo ao crédito, e reduziu impostos, impactando em queda na arrecadação. A fórmula, chamada de "nova matriz econômica", funcionou em tempos de recuo na atividade econômica, mas acabou superaquecendo a economia quando ela já andava em ritmo adequado. Os resultados: aumento da inflação e do endividamento público, críticas de analistas estrangeiros e suspeita de investidores.

    – São problemas parecidos com os enfrentados no início de 2003. Mas ser obrigado a percorrer um trajeto já feito ao longo dos últimos anos é mais doloroso. Passa a sensação de que paramos no tempo – afirma Anselmo Luis dos Santos, professor de economia da Unicamp.

    A escolha de uma equipe de perfil liberal – Henrique Meirelles no Banco Central e Antonio Palocci, na Fazenda –, estratégia adotada por Luiz Inácio Lula da Silva no início da era petista para tentar garantir credibilidade com a iniciativa privada, foi repetida em 2015 com o convite a Joaquim Levy para comandar as finanças do país. O plano era que o economista, vindo do sistema financeiro (era diretor no Bradesco), realizasse um corte forte nos gastos públicos.

    – Com o relacionamento do governo com o Congresso estremecido, pouco conseguiu fazer. A crise política já estava instalada – avalia Roberto Ellery, professor de economia da Universidade de Brasília.

    Os desempenhos mais desastrosos ocorreram justamente em algumas das áreas mais caras para o governo petista: a indústria, os investimentos e a Petrobras.

    A estratégia de utilizar o BNDES para liberar recursos com juros subsidiados a grandes indústrias não funcionou como esperado. Não conseguiu impulsionar investimentos privados e ainda ajudou a inflar a dívida pública. As pedaladas fiscais – argumento jurídico que gerou o pedido de impeachment – ocorreram em parte para disfarçar o grande endividamento causado pela expansão fiscal adotada. Hoje, praticamente todo o empresariado brasileiro, inclusive beneficiados pelo crédito barato oferecido pelo banco público, é crítico ao governo e ao aparente "pouco apreço" da administração do PT com o controle das despesas públicas.

    Nada foi mais desastroso, porém, que a atuação no comando da maior petrolífera do país.

    – O incentivo para tornar a Petrobras, uma companhia estatal, protagonista na economia brasileira foi uma armadilha que acabou por tornar a crise incontornável – comenta Gilberto Braga, professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec).

    Dragada pelo maior escândalo de corrupção do país, a empresa entrou em crise, levando junto centenas de empresas fornecedoras, que tinham a petrolífera como principal cliente. Milhares de empregos afundaram com os investimentos cancelados. Pouco mais de 13 anos depois de o PT subir a rampa do Planalto, a sensação é de que, na economia, o governo petista girou em torno do próprio eixo.

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