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    Crise em Brasília

    O saldo do PT 13 anos depois: a herança social de Lula e Dilma

    Partido se prepara para sair do Planalto, deixando para trás um Brasil menos desigual, mas com uma crise política que ameaça as conquistas

    10/05/2016 - 18h28 - Atualizada em: 31/08/2016 - 14h21

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    Por Redação NSC
    Ilda de Lima Schaume, 95 anos, há dois mora em um dos 160 apartamentos do condomínio Maria Gonçalves, no Partenon, construído com recursos do programa Minha Casa Minha Vida
    Ilda de Lima Schaume, 95 anos, há dois mora em um dos 160 apartamentos do condomínio Maria Gonçalves, no Partenon, construído com recursos do programa Minha Casa Minha Vida
    (Foto: )

    *Reportagem publicada em 10 de maio de 2016, às vésperas da votação no Senado que admitiu o processo de impeachment contra Dilma Rousseff

    Avanços na área social ofuscados pela recessão e pelo aumento da taxa de desemprego. Uma das maiores bases de apoio já montadas no Congresso esfacelada por denúncias de corrupção e queda de popularidade do ex e da atual presidente. Um país que buscou o protagonismo no cenário externo à custa de constrangimentos em seu próprio quintal. Com quatro mandatos incompletos, o primeiro partido de esquerda a chegar ao poder no Brasil após a redemocratização pode chegar ao fim prematuro com o possível afastamento de Dilma Rousseff do seu gabinete no Palácio Planalto. Veja qual é a herança social que o Partido dos Trabalhadores deve deixar no governo federal.

    Autointitulado um governo de esquerda, com olhar voltado para os mais pobres, o PT se prepara para descer a rampa do Planalto deixando para trás um Brasil menos desigual: com menos miseráveis, menos desempregados e melhorias nas áreas de saúde e educação. Mas a crise política, desencadeada após sucessivos escândalos de corrupção, e a recessão da atividade econômica, a pior em 25 anos, ameaçam jogar pela janela boa parte dos avanços sociais conquistados ao longo de uma década.

    Programas financiados pelo governo como Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e ProUni ajudaram milhões de brasileiros a sair da faixa de pobreza. A queda expressiva na taxa de desemprego – que assegurou carteira assinada a trabalhadores antes relegados à informalidade –, porém, foi o que garantiu a ascensão social de parte da população e até a formação de uma nova classe média.

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    – A classe C é filha dessa combinação: aumento da renda acima do PIB e da redução da desigualdade. Isso foi revertido pela primeira vez, desde a virada do século, no terceiro trimestre do ano passado, mas surpreendentemente ainda estamos próximos ao auge já alcançado – destaca o professor Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV) e um dos maiores especialistas do país em estudos sobre desigualdade social.

    Outrora criticado por adotar medidas assistencialistas, o governo utiliza os programas sociais como arma política: sustenta que, chegando ao poder, a oposição deve fazer cortes em projetos importantes. Apesar de enfrentar pressão para redução de gastos, Dilma evitou atingir de forma brusca os programas. Mesmo assim, impactos foram inevitáveis. A demora no reajuste do Bolsa Família gerou perda de mais de 10% no poder de compra do benefício no último ano. Próximo do afastamento da presidente, o governo anunciou aumento de 9,5% no benefício. Num recado de descontentamento, o secretário do Tesouro, Otavio Ladeira, disse que o órgão não via espaço fiscal para o reajuste.

    A primeira casa em nove décadas

    Ilda de Lima Schaume tem 95 anos e há dois mora em um dos 160 apartamentos do condomínio Maria Gonçalves, no Partenon, construído com recursos do programa Minha Casa Minha Vida. Nascida em Lavras do Sul, no sudoeste do Estado, mudou-se aos 28 anos para Porto Alegre, onde se casou e teve três filhos.

    Sempre trabalhou. Mas a condição financeira ruim na infância, que a impediu de estudar, nunca permitiu que a idosa tivesse salário suficiente para pagar as despesas do dia a dia e ainda conseguir economizar para a compra de uma casa própria. Perto dos 50 anos, conta com orgulho, conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada. Aceitou trabalhar como faxineira no turno da noite em uma escola para "ter os direitos".

    Depois de aposentada, continuou trabalhando para completar a renda de casa. Agora, com a idade avançada, não consegue fazer muito esforço, mas não fica parada. Levanta cedo todos os dias, cozinha e limpa a casa, cuidando dos móveis "novos", comprados dois anos atrás com apoio de outro programa do governo, o Minha Casa Melhor, que financiava até R$ 5 mil para aquisição de mobiliário para residência. No final do dia, gosta de pegar a cadeira de praia e sentar em frente ao prédio para "olhar o movimento da gurizada".

    – O governo não me deu uma casa, deu dignidade – resume.

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