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    Crise em Brasília

    O saldo do PT 13 anos depois: as lições que ficam para a esquerda 

    10/05/2016 - 18h40 - Atualizada em: 10/05/2016 - 19h03

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    Por Redação NSC
    Luciana Genro, ex-PT, foi adversária de Dilma nas últimas eleições presidenciais
    Luciana Genro, ex-PT, foi adversária de Dilma nas últimas eleições presidenciais
    (Foto: )

    Logo no primeiro ano da era petista no Planalto, um episódio deixou claro que os governos do partido teriam dificuldade para conciliar a agenda da esquerda com a administração do país. Em 2003, um grupo de deputados foi expulso da sigla por recusar-se a seguir a orientação de votar a favor do governo federal. Os parlamentares reclamavam da implementação de uma política neoliberal por parte de Lula e da demissão de trabalhadores. Desse rompimento nasceu o PSOL.

    Desde então, apesar das políticas de redução da desigualdade, o governo do PT manteve, principalmente na área econômica, um comportamento semelhante ao que criticava quando estava na oposição. Esse paradoxo impõe a necessidade de uma profunda reflexão a respeito do papel da esquerda na política nacional. Isso já tem sido discutido por líderes da legenda e de outras siglas.

    – O PT atualizou o que de mais antigo existe na estrutura social brasileira, que é o patrimonialismo. Aquele costume do governante de achar que os bens públicos pertencem a ele. É exatamente isso que o PT faz em todo e qualquer governo a que ele chega – afirma o professor de Ciência Política da Universidade de Brasília Paulo Kramer.

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    De uma maneira geral, especialistas entendem que, no futuro, a esquerda precisará tirar lições do governo petista, principalmente no que diz respeito à sua incapacidade de adaptar os seus conceitos ideológicos à realidade de uma administração federal.

    _ A esquerda não deve apenas propor a reforma do sistema político, ela deve reformar a si mesma também _ opina o historiador e professor da USP Lincoln Secco.

    Fundador do PT e hoje simpatizante do PSDB, o filósofo José Arthur Gianotti, professor da USP, diz que o maior equívoco de Dilma foi achar "que poderia pautar o capitalismo brasileiro":

    – Se não houver produção capitalista, você não tem o que distribuir. Vamos esperar que a nova esquerda entenda o que é o capitalismo. A esquerda atual ficou burra.

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