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    Crise em Brasília

    O saldo do PT 13 anos depois: radicalização nas alturas

    Na visão de especialistas, postura de líderes motivou o acirramento dos debates e tende a ser ainda mais agressiva a partir de agora

    10/05/2016 - 18h49 - Atualizada em: 10/05/2016 - 19h05

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    Por Redação NSC
    (Foto: )

    Expressado de maneira mais evidente na eleição de 2014, quando uma distância de pouco mais de 3,4 milhões de votos separou Dilma Rousseff de Aécio Neves no segundo turno da corrida presidencial, o acentuamento da divisão política no país é uma das heranças do período de governo do PT. O recrudescimento do discurso petista de divisão de classes, o "nós contra eles", levou a radicalização a outro patamar. Na visão de especialistas, a postura dos principais líderes da sigla motivou o acirramento dos debates e tende a ser ainda mais agressiva a partir do momento em que o PT deixar o Planalto.

    – O legado do PT para a política é uma política sem política, baseada em dinheiro e repressão a quem não é do seu grupo. Por onde o PT passou, seja em âmbito federal, estadual ou municipal, ele deixou um rastro de divisão e ódio – critica o cientista político Ricardo Caldas.

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    Outro fator que teria colaborado para o aumento da divisão seria a maneira como o PT administrou a luta de classes no país. A forma como o partido se posicionou, buscando alianças com legendas de centro e centro-direita para garantir apoio legislativo ao mesmo tempo em que levava lideranças de movimentos sindicais e sociais para dentro da administração, criou rachas no próprio governo e na sociedade, já que os interesses desses grupos são distintos.

    – É uma falsa divisão. Não há luta de classes no Brasil.

    A imensa maioria quer ascender socialmente. Existe, sim, imensas discrepâncias de renda que agravam desequilíbrios. O discurso visa usar o povo como massa de manobra para quem está perdendo o poder. Encobre a retumbante traição aos mais puros anseios daqueles que acreditavam na mensagem de renovação da política _ avalia o cientista político e doutor em sociologia Murillo de Aragão.

    Professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro História do PT, Lincoln Secco acredita que a ampliação da luta de classes não foi intencional e é um subproduto das políticas sociais do governo do PT:

    – Este não é um legado do PT. O discurso de luta de classes foi sendo moderado ao longo do tempo. A radicalização ocorreu à revelia do PT, como resultado das suas políticas sociais. Indiretamente, o PT pode ter gerado esse acirramento, mas não foi a vontade do governo.

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