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Obra de duplicação da BR-470 não tem cronograma

Dnit assume inexistência de plano detalhado e especialistas defendem previsão mês a mês

26/04/2014 - 03h03 - Atualizada em: 26/04/2014 - 03h04

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Por Redação NSC
A promessa é de que metas e prazos do andamento dos trabalhos sejam anunciados na próxima semana
A promessa é de que metas e prazos do andamento dos trabalhos sejam anunciados na próxima semana
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A duplicação da BR-470 é uma obra sem cronograma. Quanto tempo durará a execução de cada etapa é uma pergunta que a Superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Santa Catarina não responde.

- Cronograma, não adianta pedir. Nem com ordem judicial. Existe um planejamento dos quatro anos de obras identificando lote por lote com topografia, terraplanagem, retirada de solos moles, mas não é um cronograma de trabalho - garante o assessor de comunicação do Dnit, Breno Maestri.

A promessa do novo superintendente Vissilar Pretto, informada pela assessoria de comunicação, é de que metas e prazos do andamento dos trabalhos sejam anunciados na próxima semana. Há 68 dias o Santa aguarda envio cronograma de obras ao Dnit, pedido em requerimento baseado na Lei de Acesso à Informação para a reportagem ter uma referência e conseguir fiscalizar os trabalhos. Segundo a lei, o prazo para envio da resposta é de 20 dias, prorrogáveis por mais 10.

Apesar de comunicar que tem um planejamento para cada tipo de serviço, o Dnit não divulga a previsão de cada etapa das obras de duplicação, iniciadas no papel há 10 meses com a assinatura da ordem de serviço para os lotes 3, entre Gaspar e Blumenau, e 4, entre Blumenau e Indaial. Na prática as máquinas apareceram na beira do Km 45, no Belchior, em janeiro deste ano. O mestre em Engenharia Ambiental e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), José Nuno Amaral Wendt, defende o cronograma apesar do contrato já definir o prazo limite de 1440 dias para conclusão da obra na BR-470.

- Esta previsão tem que ser feita mês a mês. É uma maneira de saber se a obra está andando conforme o planejado. A empresa precisa ter essa organização e o Dnit tem que cobrar - argumenta Wendt.

O mestre em Transportes Ricardo Bertin defende o planejamento por outros dois motivos:

- Para avaliar os momentos propícios para executar obras, como os que se relacionam ao clima, e pela questão financeira, para ter um fluxo de pagamentos.

A assessoria de comunicação do Dnit ainda informou que era preciso aguardar a conclusão da campanha para captura, coleta e transporte de material biológico - prevista para a primeira quinzena de maio - e a liberação de áreas desapropriadas para elaborar o cronograma.

O coordenador do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura (ITTI) e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Eduardo Ratton, reforça que a etapa ambiental, como a que é executada atualmente na margem da BR-470, pode levar até um ano. Bertin, que também é coordenador adjunto do curso de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná explica que as questões ambientais podem atrasar o andamento das obras, mas a demora nestes processos deve ser prevista no planejamento total da obra.

- Temos uma maldição que chama-se jeitinho brasileiro. A mania de fazer tudo na última hora e achar que é possível resolver. Não há planejamento: começou a obra, depois se pensou em remover a rede de gás e em fazer a campanha de fauna. Complicações podem acontecer, mas é possível planejar uma obra com início, meio e fim - sentencia Bertin.

Sexta-feira uma reunião no Dnit de Santa Catarina avaliou o andamento das obras de duplicação da BR-470. Participaram da audiência Vissilar Pretto, representantes da Sulcatarinense, da SCGás, o deputado federal Décio Lima e a deputada estadual Ana Paula Lima, que preside o Fórum Parlamentar Permanente para a Duplicação da BR-470. A deputada detalhou que o encontro serviu para cobrar agilidade no andamento das obras. Uma nova reunião nos mesmos moldes foi agendada para 30 de maio.

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