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Produto Interno Bruto

OCDE projeta recessão de 4% no Brasil em 2016

Em novembro, organização estimava queda do PIB em 1,2%

18/02/2016 - 06h08 - Atualizada em: 18/02/2016 - 07h07

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Por Estadão Conteúdo
(Foto: )

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê que a recessão brasileira será ainda mais profunda do que o previsto no fim do ano passado. A atualização das perspectivas econômicas divulgada na manhã desta quinta-feira pela entidade culpa as incertezas políticas e a inflação elevada pela piora do cenário. A OCDE alerta ainda que a desvalorização do real pode ser preocupante devido ao aumento da dívida externa no país.

A OCDE rebaixou a estimativa de contração do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2016 de 1,2% para 4%. A projeção anterior havia sido divulgada em novembro. Naquela ocasião, a organização previa que a economia brasileira começaria a recuperação em 2017, com crescimento de 1,8%. Agora, a entidade prevê apenas o fim da recessão, com alta zero no próximo ano na comparação com 2016.

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Entre as 11 economias com previsões divulgadas pela entidade, o Brasil é o único que continuará em recessão em 2016 e ficará estagnado em 2017. Todas as demais 10 economias (Estados Unidos, Alemanha, França, Itália, Japão, Canadá, Reino Unido, China, Índia e zona do euro) crescerão em 2016 e 2017 no cenário apresentado pela organização. Além disso, os números brasileiros foram os que sofreram a piora mais pronunciada na comparação com o quadro anterior de novembro.

Para a OCDE, a continuidade dos problemas brasileiros explica a deterioração tão acelerada do cenário. "A recessão no Brasil provavelmente será mais profunda que o previsto anteriormente com a incerteza política em curso e a inflação crescente", cita o relatório.

Além dos problemas já existentes, a organização chama atenção para o fato de que o Brasil também faz parte do grupo de emergentes que são mais vulneráveis à desvalorização cambial. "Algumas economias emergentes, incluindo o Brasil, Rússia e Turquia, estão vulneráveis a choques de taxa de câmbio devido à grande parcela da dívida que é denominada em moeda estrangeira", cita o documento.

Previsões globais

O desapontamento com dados recentes e as incertezas à frente fizeram a OCDE cortar a previsão de crescimento da economia global em 0,3 %, para 3% em 2016. A previsão de crescimento em 2017 também foi reduzida em 0,3%, para 3,3%.

"O crescimento do Produto Interno Bruto global em 2016 não deve superar o de 2015, que foi o ritmo mais lento nos últimos cinco anos. Previsões têm sido novamente revisadas para baixo à luz do desapontamento com dados recentes. O crescimento está mais lento em muitas economias emergentes, com uma muito modesta recuperação nas economias desenvolvidas e baixos preços deprimindo exportadores de commodities", cita o relatório.

A entidade lembra ainda que o comércio exterior segue fraco e a demanda vagarosa tem levado países a um quadro de baixa inflação e crescimento inadequado dos salários e empregos. Os problemas também estão no mercado financeiro, onde os "riscos são substanciais". "Mercados financeiros reavaliam as perspectivas de crescimento levando a queda no preço das ações e maior volatilidade", diz o documento.

Por isso, a OCDE cortou a previsão de crescimento em 2016 para todas as economias desenvolvidas listadas no documento. O crescimento dos Estados Unidos, por exemplo, foi reduzido em 0,5%, para 2%. Para a Alemanha, a estimativa teve corte idêntico, para 1,3%. Mais dependente das commodities, o Canadá teve redução da estimativa para o PIB de 0,6%, para 1,4%. Para o conjunto da zona do euro, houve diminuição da previsão de crescimento de 0,4%, para 1,4%.

Diante do cenário de desaceleração global, a OCDE sugere um conjunto de fortes políticas para fortalecimento da demanda. "A política monetária não pode trabalhar sozinha, política fiscal é contracionista em muitas grandes economias e as reformas estruturais estão mais lentas. Todas essas três ferramentas de política devem ser usadas de forma mais ativa para criar um crescimento mais forte e sustentado", diz a entidade.

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