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Pandemia

Ocupação das UTIs no Sul de SC salta de 47% para 82% em 20 dias

Região com a menor ocupação de leitos no Estado viu o número de pacientes internados mais que dobrar

23/02/2021 - 07h00

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Lucas
Por Lucas Paraizo
Hospital São José em Criciúma
Hospital São José, em Criciúma, recebeu pacientes de outras regiões do Estado
(Foto: )

Em apenas 20 dias, o cenário tranquilo que a região Sul de Santa Catarina vivia em relação ao coronavírus mudou drasticamente. A taxa de ocupação dos leitos de UTI adulto do SUS na região de Criciúma passou de 47% para 82%, conforme os números divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde.

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Conforme o boletim do dia 2 de fevereiro, a região tinha apenas 22 adultos internados com Covid-19 em UTIs, o que deixava 87 vagas disponíveis. No boletim desta segunda-feira (22), o número de pacientes internados com o coronavírus saltou para 56, o que faz com que apenas 27 leitos estejam livres no momento.

Levando em consideração também os leitos infantis e neonatal, a ocupação geral na região Sul ainda é a menor de SC, com 77,8% das UTIs ocupadas. No entanto, os números mostram uma mudança rápida de cenário em cidades que, poucas semanas atrás, viviam um momento de estabilidade.

Médico infectologista e diretor do Hospital São José, em Criciúma, Raphael Farias avalia que houve uma mudança na situação da pandemia na região, embora parte dos leitos de UTI estejam sendo utilizados por pacientes de outras regiões.

- Recebemos pacientes da Grande Florianópolis, do Meio-Oeste, mas ao mesmo tempo está aumentando o volume de internações aqui, e também o número de casos ativos. Como o Estado regula os leitos de UTI e tínhamos bastante leitos vagos, começaram a deslocar para cá. Mas chegou em um ponto de ocupação entre 80 e 90% que não é mais possível receber, pois tem a demanda local - explica o infectologista.

Farias aponta também que esse crescimento rápido de internações em Criciúma veio com uma mudança de perfil. Há, hoje, um número maior de jovens internados com sintomas graves da Covid-19, em contraste com o padrão observados meses atrás, de pessoas mais velhas e com comorbidades.

- Hoje temos internados pacientes de 20 a 30 anos, 30 a 40 anos. Vemos uma diferença daqueles outros momentos da pandemia. E o paciente mais jovem fica mais tempo internado na UTI quando ele está mais grave, então a gente vê também um aumento no tempo de ocupação desses leitos - conclui.

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