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Tesouros escondidos

Oito programas para fazer no aniversário de Florianópolis

Capital de Santa Catarina completa 346 anos neste sábado (23)

23/03/2019 - 05h55 - Atualizada em: 23/03/2019 - 13h04

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Aramis
Por Aramis Merki

Estar junto da aniversariante no fim de semana em que ela comemora mais um ano de vida é uma forma de presentear. Nesta data especial em que Florianópolis completa 346 anos, elaboramos uma lista com oito tesouros da Ilha. Alguns são desconhecidos, outros nem tanto. Mas certamente são um programa para qualquer morador ou visitante.

No sul, no norte ou na área continental, as sugestões vão além dos passeios nas praias – mas é claro que não deixamos de valorizar as belezas naturais. Visitar a praia do Moçambique, por exemplo, já é uma experiência linda. Porém, já pensou fazer esse passeio a cavalo? Pois isso é possível.

Do outro lado do pedacinho de terra perdido no mar, no Sertão do Ribeirão da Ilha, o atrativo é para maiores de 18 anos. Uma ida a um alambique para provar cachaças e escutar as histórias de seu Zeca. Imperdível!

Perto do Centro, a Cachoeira do Poção é um local de fácil acesso, que pode ser o destino em uma tarde despretensiosa. Uma preciosidade natural de Florianópolis.

São muitos os locais incríveis para visitar na Capital de Santa Catarina. Nos 675,4 quilômetros quadrados da cidade, existem incontáveis tesouros – abaixo, você encontra oito deles.

Alambique do Zeca

Seu Zeca
Seu Zeca toca o alambique no Sertão do Ribeirão há 27 anos
(Foto: )

Adentrar o Sertão do Ribeirão da Ilha não é tarefa das mais fáceis, mas a experiência de conhecer Zeca e seu alambique vale o caminho. O jeito mais fácil de chegar é pela Armação – indo para o Pântano do Sul, é necessário entrar na Rodovia Rozália Paulina Ferreira e andar por quatro quilômetros em rua de chão batido.

As enferrujadas placas indicam onde é o engenho de José dos Santos há 27 anos. Na região, o avô e o pai tiveram alambique. Um dos irmãos de Zeca também vende cachaça perto dali.

Ao chegar, provavelmente o mestre cachaceiro (que não bebe nem cerveja) estará trabalhando em meio à cana. Mas ele logo surge para atender os visitantes, e começa a fazer piadas com seu sotaque manezinho.

O bico não fica seco por muito tempo. Ao passo que conversa como um conhecido de anos, Zeca serve as primeiras doses. De início, oferece o copo já cheio – e não aceita recusa – da cachaça de moça (com cravo e canela) ou a da sogra, que é picante e tem um ingrediente inusitado (faz parte da degustação tentar descobrir quais os sabores das bebidas).

Tão difícil quanto secar todos os barris é ficar no ambiente sem se entreter com as piadas de Zeca. Entre as muitas doses e histórias, ele pode oferecer a cachaça "do Delegado". Essa é para os já iniciados: a graduação alcoólica é de 70%. Os outros tipos tem 22% de álcool e são vendido por R$ 25 o litro engarrafado.

Reserva Extrativista da Costeira

O passeio pela ResEx da Costeira proporciona contato com pescadores que viviam no local antes de a Via Expressa ser construída
O passeio pela ResEx da Costeira proporciona contato com pescadores que viviam no local antes de a Via Expressa ser construída.
(Foto: )

Desde 2015 é possível conhecer a Reserva Extrativista Marinha da Costeira do Pirajubaé em um passeio de barco que passa por três ilhas e pela praia da Base Aérea de Florianópolis. A Rota das Tipitingas é um passeio que apresenta a riqueza natural do manguezal do Rio Tavares e reconhece o valor da comunidade pesqueira da região da Costeira. Atualmente, a maioria das famílias tem a pesca como atividade complementar.

Durante a visitação, não é raro acompanhar a extração de berbigão nos bancos de areia das Tipitingas. As histórias começam a ser contadas antes mesmo do embarque, em meio aos ranchos e barcos tradicionais, como a canoa de garapuvu. Durante a saída, Alcir Martins é o guia e o pai dele, Assis, 73 anos e pescador desde os 12, é o barqueiro.

Enquanto se tem a vista da Ilha de Santa Catarina desde a Baía Sul, é possível apreciar também a Ilha das Vinhas, a Croa Grande e o Baixio das Tipitingas. É necessário agendar os passeios, que levam três horas e dependem da condição do tempo para ocorrer.

As saídas são realizadas com pelo menos cinco pessoas e, no máximo, 20 (em dois barcos). As reservas devem ser feitas pelo telefone (48) 99111-0508 ou pelo e-mail girodohorizonte@gmail.com. O custo é de R$ 90 por pessoa.

Caminho Brasileiro de Santiago de Compostela

Além de igrejas, caminho manezinho passa por praias e costões
Além de igrejas, caminho manezinho passa por praias e costões
(Foto: )

No norte da Ilha, é possível fazer parte do famoso Caminho de Santiago de Compostela. Pode parecer estranho, afinal o percurso oficial é no Norte da Espanha. Mas, desde 2017, a Catedral de Santiago de Compostela credenciou rotas em outros países como trechos da peregrinação mais conhecida do mundo. O caminho em Florianópolis foi o primeiro registrado na América.

Entre Canasvieiras e Ingleses, fiéis devem andar 21 quilômetros, passando por quatro igrejas: Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe (onde o caminho se inicia, na Rua Madre maria Vilac, em Canas), Igreja São Pedro, Santuário Sagrado Coração de Jesus e Igreja Nossa Senhora dos Navegantes. Ao fim do trajeto, com os devidos carimbos na credencial de peregrino, é possível validar a rota em Florianópolis para atingir os 100 quilômetros necessários para completar oficialmente o Caminho de Santiago de Compostela.

Por aqui, os viajantes passam por praias, costões e pelas ruas dos bairros do norte. As passagens das praias da Lagoinha para a Brava e da Brava para Ingleses são consideradas os mais difíceis, mas podem ser feitos por qualquer pessoa. É recomendado estar com calçado adequado, levar água e alimentos leves, repelente e protetor solar.

Bosque Pedro Medeiros

O bosque cerca um casarão do século XIX que abriga o Museu do Presépio
O bosque cerca um casarão do século XIX que abriga o Museu do Presépio
(Foto: )

O pequeno parque em meio à área residencial do Estreito, bairro na região continental de Florianópolis, é um canto de tranquilidade e natureza. Além de pequenas trilhas e brinquedos para crianças, o Bosque cerca uma construção do século XIX em estilo luso-brasileiro que abriga o Museu do Presépio. São duas salas com estantes em que 105 conjuntos representam o nascimento de Jesus. São presépios de todas as regiões do Brasil, além de exemplares de países como Argentina, Chile e Israel.

A visita vale também para admirar o casarão que ocupa o centro do terreno de 10 mil metros quadrados. Além das áreas ocupadas pelo museu, é possível ver como era a cozinha da residência que pertencia a Mitra Diocesana de Florianópolis. A área foi desapropriada em 1990 pela prefeitura e, em 2002, transformada no Parque Vereador Pedro Medeiros.

Os caminhos entre a vegetação de mata atlântica são curtos e levam a um bambuzal, a um pequeno lago e a um grande guarapuvu, árvore típica da vegetação local e símbolo de Florianópolis. O aconchegante bosque fica na Rua Afonso Pena, 1.070, e abre de terça a domingo, das 8h às 17h30min.

Livraria feminista

Livras
A Livras é a primeira livraria feminista de Santa Catarina e uma das poucas do Brasil
(Foto: )

No primeiro andar de uma construção antiga de Santo Antônio de Lisboa está situada a primeira livraria feminista de Santa Catarina – e uma das pioneiras a se dedicar ao gênero no Brasil. A Livras – Mulheres e Livros surgiu da ideia de Ligia Moreiras e Mari Pelli de criar um local que incentivasse o senso crítico em leitoras e leitores.

Além das obras à venda, que tratam de temas como direitos humanos, questões LGBT e maternidade, a livraria também se dedica a promover clubes de leitura, oficinas e eventos. É uma proposta oposta a das grandes lojas.

A intenção é que a Livras seja mais que um comércio, mas um local para compartilhar conhecimento. A Livras fica na rua XV de novembro, nº 181, e abre de quinta a domingo entre 14h e 20h.

Atelier Nara Guichon

Nara usa redes descartadas por pescadores artesanais e por indústrias de pesca
Nara usa redes descartadas por pescadores artesanais e por indústrias de pesca
(Foto: )

Há mais de 35 anos, a artesã Nara Guichon se dedica a transformar materiais. Com redes de pesca industriais inutilizadas, ela produz peças de roupa e itens de decoração como toalhas de mesa e cortinas. A matéria-prima é comprada de pescadores locais e das grandes empresas pesqueiras. Nara calcula que, por ano, utiliza uma tonelada das redes, que são feitas de poliamida, um componente que está entre os maiores poluidores dos oceanos. Acredita-se que o tempo de decomposição deste material no mar é de cerca de 6 mil anos.

Com o que não é aproveitado em peças maiores, a artesã desenvolveu uma esponja de limpeza. A ideia foi reconhecida na Bienal de Design em Madrid. Atualmente, a confecção das esponjas serve como fonte de renda também para mulheres da comunidade Frei Damião, em Palhoça. Já o vestuário e as tapeçarias podem ser encontradas no atelier da artista, no número 4343 da Rodovia Rozália Paulina Ferreira, no Pântano do Sul.

Cachoeira do Poção

Poção
Preciosidade natural na região central da Capital catarinense
(Foto: )

A Cachoeira do Poção, no Córrego Grande, não é um tesouro tão secreto, mas continua sendo uma preciosidade natural na região central da cidade. A 20 minutos do Centro, acessível facilmente até com ônibus – o ponto final da linha Córrego Grande Poção é no início da trilha para a cachoeira. A entrada fica na Rua Sebastião Laurentino da Silva.

Mesmo fora da temporada, o passeio no Poção vale pelo contato com a natureza. Ouvindo apenas o barulho da água, dos pássaros e dos insetos, é difícil lembrar que se está na área urbana da Capital.

O percurso em meio à mata atlântica é curto, 600 metros, e não apresenta dificuldades. É recomendado ir calçado e ficar atento para pontos escorregadios. A água fria é limpa para banho. A região é uma área de preservação ambiental, parte do Parque Municipal do Maciço da Costeira.

O nome do local se deve à profundidade da piscina formada abaixo da queda d'água. Mas é possível se refrescar com segurança nas pedras em circundam o poço ou mesmo aproveitar a área para um piquenique. Nesse caso, não deixe lixo por lá!

Passeio à cavalo

passeio cavalo
(Foto: )

Uma das praias mais isoladas de Florianópolis é a que tem a maior extensão: Moçambique segue por 14,5 quilômetros no lado leste da Ilha de Santa Catarina e só possui um acesso por estrada. Uma das maneiras de conhecer é também um passeio, no mínimo, diferente.

É possível sair à cavalo das proximidades do Parque Estadual do Rio Vermelho e percorrer uma rota que atravessa floresta atlântica, pinheiros, dunas e restinga antes de chegar à beira do mar.

A cavalgada de 1h30min é oferecida diariamente, às 9h e às 15h, pelo Haras Ipê. Os agendamentos devem ser feitos no site do haras (o valor é R$ 75 por pessoa). O programa é indicado para todas as idades.

No caminho ao Moçambique, a floresta de eucaliptos do parque do Rio Vermelho tem um visual que, dizem alguns visitantes, nem parece no Brasil. Depois, os dóceis cavalos da raça mangalarga marchador levam até o costão norte da praia. Nos dois momentos, os instrutores dão uma pausa para descanso e para fotografias.

Uma vez por mês, também são organizadas as cavalgadas da lua cheia e a do amanhecer, que possibilitam ao visitante admirar o céu da praia deserta.

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