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Carnaval 2019

Opinião: "desfilar na Mangueira é participar de uma aula magna de História"

Repórter do DC, Ângela Bastos, desfilou pela escola que se sagrou a campeã do Carnaval 2019 do Rio de Janeiro

07/03/2019 - 16h50

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Por Ângela Bastos
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Sou Mangueira desde criancinha! Verdade!!! Como sempre gostei de samba, logo me encantei com os versos de Cartola. Penso que seja ele o responsável por essa minha paixão pela verde e rosa. Até da questionável junção das duas cores eu gosto. Mas é a essência da Mangueira que me arrebata: o samba raiz, a comunidade, a Vila Olímpica.

Desta vez me encantei pelo enredo, um desmentido à história oficial que emoldura bandidos e crucifica inocentes; que faz morrer e mata; que deslegitima o popular e nega a luta de quem se organiza e consegue sobreviver.

Leia também: Direto da verde e rosa

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Me fantasiei de malês para homenagear os escravos que fizeram um levante na Bahia para que todos pudessem professar a religião. Aprendi o samba para reverenciar as Marias, as Mahins, as Marielles, as Malês. Nelas, a simbologia da representatividade: as vítimas dos feminicídios; as mães que enterram seus filhos assassinados pelo tráfico ou policiais; elas próprias eliminadas pelas milícias, pela subjugação e pelo poder que impera nos parlamentos, nas academias, nas associações de classes. A escola mostrou ao mundo que a ditadura é assassina. Louvou os negros, os índios, os pobres.

Hoje me identifico ainda mais com a Mangueira. Escola de samba que, num momento de asneira e de manifestações de autoridades públicas deploráveis, dá uma aula de história. É como disse a manchete de um jornal carioca: "Com Marielle presente, Mangueira é campeã". Marielle é apenas um símbolo dessa resistência retratada no enredo-aula magna da Estação Primeira. Os outros são os que, como eu, acreditam no Carnaval como espaço de resistência.

Mangueira é a campeã do Carnaval do Rio de Janeiro em 2019

Não houve surpresa no resultado do Carnaval do Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (6). Tida como grande favorita, a Estação Primeira de Mangueira foi consagrada campeã em uma apuração totalmente dominada pela verde e rosa. A Mangueira é a segunda maior vencedora do Carnaval do Rio, com 19 conquistas, atrás apenas da Portela. A última delas havia sido em 2016, com o enredo sobre Maria Bethânia, do mesmo carnavalesco deste ano, Leandro Vieira.

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