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Opinião: Mandar alguém "cortar a cachopa de abelha" também é racismo

Ao que parece, porém, dirigentes do Brusque ainda não entenderam isso

02/09/2021 - 19h12

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Augusto
Por Augusto Ittner
Professor João Luiz (E) e Celsinho (D), alvos de ofensas racistas por conta do cabelo.
Professor João Luiz (E) e Celsinho (D), alvos de ofensas racistas por conta do cabelo.
(Foto: )

Um caso de racismo chamou a atenção do Brasil no primeiro semestre deste ano. Durante o BBB 21, o participante Rodolffo ofendeu o professor negro João Luiz por conta do cabelo. À época, João chegou a desabafar e disse que estava “cansado de ouvir isso” e que não seria “só aqui dentro” (ao se referir à casa), mas também “lá fora”.

O caso repercutiu e trouxe à tona o quanto ser racista não é somente discriminar alguém ou chamá-lo de “macaco”.

A mesma situação emerge agora, quase cinco meses depois, e bem no quintal da nossa casa. A denúncia de Celsinho, do Londrina, contra um dirigente do Brusque, expôs um xingamento que teve como alvo o cabelo black power do jogador. Sim, caro leitor: dizer a um negro que ele deve “cortar esse cabelo de cachopa de abelha” é racismo.

Mas parece que algumas pessoas ainda não entenderam isso. Em um vídeo publicado no início da semana pela TV Bruscão, o vice-presidente do Brusque, Carlos Beuting, admite que ocorreu o xingamento a Celsinho. Ele cita claramente a frase dita por um colega na arquibancada do Estádio Augusto Bauer. Mas em vez de rechaçar o ato, defendeu que “na gíria” essa ofensa é normal.

O vídeo foi excluído um dia depois da publicação.

Aliás, a nota estapafúrdia do Brusque de domingo à noite também foi excluída.

Nessa história toda, além do racismo, fica evidente outra coisa: para não precisar apagar comunicados e vídeos das redes sociais, é melhor pensar duas vezes antes de falar ou escrever algo. Não custa nada. Passar pano não é mais tolerável.

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