nsc
dc

Verão SC

Opinião: relembre verões passados sob a ótica de quem viveu ou ouviu falar deles

Sérgio da Costa Ramos fala sobre o inesquecível verão de 1970 na Joaquina

27/02/2015 - 04h33

Compartilhe

Por Redação NSC

Em 70, na Joaca

Por Sérgio da Costa Ramos

Verão inesquecível foi o de 1970, em que a Ilha "consolidou" a primeira musa das praias do Leste, a Joaquina. Enquanto os Beatles (a banda) chegava ao fim, a mítica Joaca iniciava sua carreira internacional, muitas vezes sede dos Pro Conquest do Surf. Virou território cult e esportivo, febre da "jeneusse dorée". Em 70, a praia predileta da Ilha ficava no Continente: a remansosa Coqueiros. Foram os argentinos que "descobriram" a Joaca e a apontaram aos ilhéus, que inauguraram, assim, a sua própria "Era de Aquarius", no costão da Joaca e no Bar do Chico. Entre uma caipirinha no Bar do Nego Nina, ao lado do Praia Clube (Coqueiros), e uma loura geladíssima no Chico, na Joaca, correu o verão inesquecível de 1970, embalado pelos Beatles do LP Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e por Luiz Henrique Rosa (Minha Lagoa, Se Amor é Isso).

Se O Verão de 42, o filme de Robert Mulligan, teve trilha sonora de Michel Legrand, o Verão de 70, na Joaca, dividiria sua trilha entre Azul da Cor do Mar (Tim Maia), Apesar de Você (Chico Buarque, sim, a ditadura já ia para 6 anos) e Bandeira Branca (Max Nunes), a marcha carnavalesca que está de aniversário.

Em 60, na Kombi

Por Marjorie Basso

Cresci rindo alto das histórias de verão da minha mãe. Paulistana, descendente de alemães, daquelas que fala "bicho" e diz que fulano é "mó loque" como quem dá bom dia. Apesar do jeitinho rapper da zona sul, a caricata corintiana sempre foi apaixonada pelo litoral catarinense.

Acredito que todos os verões da vida ela passou em terras catarinas. Aqueles que não, simplesmente suprimiu da memória, como se não tivessem existido. Naquela época, hoje reconheço, era muito mais divertido ir à praia.

- Meu pai tinha uma Kombi e nos deixava levar todos os primos e até os cachorros dentro dela para a praia. Não ria, menina! Era chique ter Kombi - lembra.

Enquanto meu avô chegava à praia de Kombi, seus irmãos estacionavam suas Vemaguets. Os primeiros modelos deste, que lembra um carro funerário, foram produzidos entre 1958 e 1967.

- Quando chegávamos era uma delícia. Eu não saia da água - conta minha mãe, que nunca soube nadar.

As crianças praticamente faziam o que queriam. Não usavam filtro solar e caminhavam pelas pedras em pleno sol do meio-dia. Fato que em um certo verão lhe rendeu uma insolação. Mas que em épocas menos críticas só rendia um nariz constantemente descamado:

- Eu há muito já não tinha praticamente pele no nariz, descascava e já tomávamos sol em cima.

Se por um lado havia certa imprudência por parte das crianças e até de seus pais, tudo era mais interessante. Jogavam bola na areia, caçavam siris até tarde da noite e, na adolescência, iam para os clubes à noite e voltavam a pé. Podia-se tudo e na volta para casa tinha bolinho de chuva e bananinha:

- No ano seguinte voltávamos para cá. De Kombi, claro. Tinha até cortininha.

Em 90, na espuma

Por Thiago Momm

No verão 1996/1997, Jurerê ainda era mais uma praia bonitinha que uma referência de status. A Brava só tinha o Kioske do Pirata, onde ia principalmente seu tio usuário de Dockside Samello. No Campeche, o trecho do Riozinho ainda não fervilhava. A antiga e merecida fama da Joaquina (ler na pág. x) tinha se degenerado em exploração turística genérica. Moral da história é que a melhor praia de Florianópolis, para os vintaneiros ou vestibulandos, como eu, era a Mole. Tinha a atmosfera mais saudável, a paisagem mais vívida, a maior concentração de coxudas.

Silicone ainda era raro. No atual verão, talvez ganhem numericamente das águas vivas que invadiram as praias.

Aquela foi a temporada de Wonderwall mas também de Macarena. Um hit argentino estapafúrdio chamado La rubia del avión, lançado dois ou três verões antes, ainda tocava: "Con una rubia en el avión directo a Brasil / Con una rubia en el avión, dispuesto a morir...". Você escutava esse crack musical na boate Shampoo, de Canasvieiras, na noite da espuma. Simplesmente isto: canhões espumando uma pista de dança até quase submergir as mulheres de 1,60m.

A boate X, no caminho até Jurerê, também tinha a sua versão. Você saía de lá ou da Shampoo friorento e empapado às quatro ou cinco da manhã. Muita gente sem ar quente no carro deve ter pegado uma pneumonia. Este cronista teve um descamação que, como soube mais tarde, por fonte direta, provavelmente se explicava pelo desqualificado sabão em pó ventilado pela Shampoo.

Com sorte, você via o sol nascer com uma linda argentina espumada e relevava o resto.

Esquisitamente assim veraneavam os mais novos na década de 1990.

Deixe seu comentário:

Últimas notícias

Loading interface... Todas de Cotidiano

Colunistas