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Telefone público

Orelhões resistem em Joinville e ainda são úteis para moradores

Apesar da pouca procura do consumidor, Joinville tem 2.217 telefones públicos e que fornecem ligações locais gratuitas

01/03/2017 - 03h31 - Atualizada em: 01/03/2017 - 07h21

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Por Redação NSC
Eleandro Felicio tem o hábito de fazer suas ligações do modo antigo
Eleandro Felicio tem o hábito de fazer suas ligações do modo antigo
(Foto: )

Talvez você não recorde a última vez que utilizou um orelhão. Mas, o telefone de uso público (TUP) ainda é uma alternativa de comunicação abraçada por alguns consumidores, mesmo que em menor escala. Conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), atualmente existem 2.217 aparelhos disponíveis para uso em Joinville.

O advogado Eleandro Felicio, 42 anos, é uma das pessoas que têm o hábito de fazer suas ligações do modo antigo. Ele utiliza diariamente esses orelhões. O uso dessa opção, segundo ele, é para valorizar os serviços públicos disponíveis ao usuário, além de economizar na sua conta de telefone no final do mês.

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- Eu uso todo dia. Ligo para meus clientes ou até mesmo para a família que mora longe. Porém, é muito difícil encontrar um aparelho que esteja funcionando. Às vezes eu tenho que andar muito para localizar um - conta.

As marcas do tempo - e de uso - estão presentes em quase todos os telefones espalhados pela cidade, principalmente os instalados nos bairros. Nem todos os orelhões estão em perfeito funcionamento. A reportagem tentou utilizar 28 aparelhos em diferentes áreas de Joinville, e 17 deles não estavam funcionado. Os situados, principalmente, nas principais vias permanecem em operação, como os da avenida Getúlio Vargas, por exemplo.

- Em alguns locais o orelhão até funciona, porém está abandonado, muito sujo e enferrujado. Eu fico com muito receio de encostar a mão - complementa Eleandro.

Conforme dados da Oi, concessionária de telefonia fixa em Santa Catarina, o principal fator que implica no mau desempenho dos TUPs são os atos de vandalismo e de mau uso por parte dos próprios consumidores. Segundo dados da empresa, em 2016, existiam 35 mil aparelhos espalhados por toda SC. Destes, foram danificados, mensalmente, uma média de 10%.

Os problemas mais frequentes encontrados pela companhia são defeitos na leitora de cartões, nos monofones e no teclado. As pichações e a colagem indevida de propagandas nos telefones públicos também prejudica a leitura das orientações contidas nos aparelhos. Ainda segundo a assessoria da Oi, a empresa mantém um programa permanente de manutenção e conta com um canal direto onde os consumidores podem informar onde há orelhões danificados.

Para Eleandro, quem perde mais com a degradação destes telefones é o consumidor. Ele usa o orelhão desde a época em que precisava inserir uma ficha para fazer ligações, procedimento substituído pelo cartão telefônico em 1992. Hoje, alega que nem o cartão é necessário, já que liga gratuitamente para qualquer telefone fixo.

- Eu reclamo com a Anatel desde 2013 sobre a degradação dos telefones, mas a justificativa é sempre vandalismo. Para mim não é, não. É abandono por parte da companhia mesmo. Se fossem bem cuidados, as pessoas usariam e poderiam economizar, já que as ligações são de graça - justifica.

Ligações locais para telefone fixo não são tarifadas

Os orelhões de Santa Catarina, e de outros 14 Estados brasileiros, efetuam ligações gratuitas para telefones fixos desde 2015. De acordo com decisão publicada pela Anatel, a concessionária Oi não pode mais cobrar por essas ligações devido ao não-cumprimento dos parâmetros mínimos de disponibilidade dos telefones públicos.

A exigência é que a empresa garanta a disponibilidade de planta de, no mínimo, 90% de orelhões em Santa Catarina. Por não cumprir essa meta, a empresa foi obrigada a liberar gratuitamente as chamadas locais e de longa distância nacional. A aferição é feita pela agência reguladora a cada seis meses.

Para a vendedora Ana Franciele de Oliveira, 23 anos, os telefones públicos são uma boa alternativa quando o celular deixa o consumidor na mão. Ela usa os orelhões esporadicamente, principalmente quando a bateria do smartphone acaba. A jovem observa que muitos orelhões da cidade estão depredados, ainda assim defende que utilizar a telefonia pública é uma possibilidade na hora do aperto.

- O orelhão sempre me salva em momentos de apuros. A última vez foi dias atrás. Desci no terminal de ônibus do Iririú e usei um orelhão para avisar uma amiga que eu estava chegando na casa dela. O melhor foi ligar sem gastar nada - explica.

Pouca procura por parte do consumidor

Conforme levantamento da Oi, dos 35 mil aparelhos instalados em SC em 2016, aproximadamente 69% não efetuam chamadas tarifadas e quase 30% deles não chegam nem a ser utilizados. No mesmo ano, apenas 0,04% destes orelhões geraram receita suficiente para o pagamento do seu próprio custo de manutenção. Levantamento feito pela Anatel em 2013 aponta que de 2006 a 2012 a receita gerada por telefones públicos em todo o Brasil caiu 90%. Já a quantidade de aparelhos instalados para o mesmo período teve queda de 28%.

Encontre um orelhão perto de você clicando aqui.

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