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    Lucia Dellagnelo

    Os desafios da educação para impulsionar a inovação no Brasil

    Se conseguirmos melhorar nossas escolas poderemos ter um país capaz de inovar

    27/05/2019 - 17h06

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    Por Tech SC
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    Lucia
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    Espero fazer desta coluna no Tech SC um espaço para mostrar tanto os desafios quanto as experiências promissoras para transformar a qualidade da educação brasileira. Pois não há inovação sem educação de qualidade. Estudo da OCDE mostra que a capacidade de inovar dos indivíduos depende de competências cognitivas e sócio-emocionais, como conhecimentos específicos, capacidade crítica e analítica, e de colaboração. E essas competências são desenvolvidas por meio de educação.

    Um evento realizado no Vale do Silício, o Brazil@SiliconValley, no início de abril, reuniu um grupo expressivo de empresários brasileiros em torno da pergunta “Como criar ambientes inovadores e geradores de riqueza no Brasil?”. A resposta para esta pergunta requer conhecer como está a educação brasileira. Apresentar estas informações foi minha contribuição no evento e compartilho aqui com vocês alguns dados.

    Não é novidade que o Brasil aparece nas últimas posições nas avaliações internacionais de aprendizagem como o PISA (66ª entre 72 países). Isto significa que nossas crianças e jovens não estão desenvolvendo as competências necessárias para um cidadão do Século 21.

    Mas quando o assunto é inovação e tecnologia outros dados também preocupam. Apesar da maioria das escolas públicas brasileiras reportarem terem acesso à internet, a velocidade é lenta (menor de 2 mps) e o uso é limitado a atividades administrativas. Apenas 19% dos alunos em escolas públicas dizem acessar à internet para atividades educativas em sala de aula.

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    Outro dado preocupante é a nova desigualdade social que está sendo criada no acesso à internet. Enquanto alunos das classes A e B reportam acessarem a internet por meio de diversos dispositivos (laptops, tablets e celulares) e em diversos locais, 67% dos alunos das classes D-E só acessam por meio da tela de seus celulares e utilizam um plano de acesso limitado. Isto reduz o tipo de experiência de aprendizagem que a tecnologia é capaz de oferecer aos alunos de níveis socioeconômico mais baixos.

    Mas conforme prometi a vocês leitores, não vou focar apenas em problemas. Temos algumas conquistas a celebrar. O Brasil pela primeira vez tem uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que indica as competências e habilidades que todos os estudantes devem desenvolver durante seu percurso escolar. Entre as 10 competências gerais está a competência #5 que diz que todos os jovens brasileiros devem ser capazes de:

    Compreender, utilizar e CRIAR tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva”.

    Já temos uma meta clara! Se conseguirmos melhorar nossas escolas de modo a desenvolver esta competência poderemos ter um país capaz de inovar!

    Para saber mais:

    OCDE (2016)

    Indicadores sobre acesso à internet

    Competências Gerais da BNCC

    *Lucia Dellagnelo é doutora em Educação pela Universidade de Harvard e presidente do Centro de Inovação para Educação Brasileira (CIEB).

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