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    "Ozonioterapia é prática experimental", diz CFM sobre uso em tratamentos como do coronavírus

    Conselho Federal de Medicina (CFM) não quis comentar fala do prefeito de Itajaí sobre o uso retal do ozônio contra a Covid-19

    04/08/2020 - 10h33 - Atualizada em: 04/08/2020 - 16h16

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    Lariane
    Por Lariane Cagnini
    ozonioterapia
    Terapia com ozônio voltou à discussão após fala do prefeito de Itajai
    (Foto: )

    A ozonioterapia, aplicação de uma mistura dos gases oxigênio e ozônio por diversas vias de administração, é considerada uma prática experimental pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Nesta segunda-feira (3), o prefeito de Itajaí Volnei Morastoni sugeriu um tratamento com aplicação de ozônio no ânus para pacientes que apresentem sintomas do coronavírus.

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    O CFM disse que não comenta casos específicos, e que por isso não irá se posicionar sobre a fala do prefeito. Porém, o Conselho reforçou que desde 2018 a ozonioterapia é um procedimento que pode ser realizado apenas em caráter experimental. 

    "Tratamentos médicos baseados nessa abordagem devem ser realizados apenas no escopo de estudos que observam critérios definidos pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep)", informou o CRM.

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    O anúncio do prefeito sobre a utilização do ozônio foi feito durante uma live na noite de segunda. 

    Desde o início de julho, a ivermectina é distribuída em Itajaí, embora ainda não exista eficácia comprovada do uso no medicamento para o tratamento da Covid-19. Sobre a utilização desse e de outros remédios, como a hidroxicloroquina, o CRM disse que o critério para uso deve ser definido pelo médico, com o consentimento do paciente.

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    As principais aplicações da ozonioterapia são por via endovenosa, retal, intra-articular, local, intervertebral, intraforaminal, intradiscal, epidural, intramuscular e intravesical, conforme o CRM. 

    Embora existam estudos na área que defendam a eficácia do tratamento com ozônio, o Conselho defende pesquisas "com metodologia adequada e comparação da ozonioterapia a procedimentos placebos, assim como estudos comprovando as diversas doses e meios de aplicação de ozônio”.

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    Ozonioterapia é prática integrativa complementar, diz MS

    Pelo Ministério da Saúde (MS), a ozonioterapia é classificada como uma Prática Integrativa e Complementar (PIC). Essas práticas são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais. Também podem ser usadas como tratamentos paliativos em algumas doenças crônicas, segundo o MS.

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    O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece 29 procedimentos de PICs, entre eles Aromaterapia, Biodança, Cromoterapia, Hipnoterapia, Musicoterapia, por exemplo. A ozonioterapia está na lista de tratamentos "entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares", segundo o MS.

    CRM-SC reforça posição do Conselho Federal

    O Conselho Regional de Medicina (CRM-SC) reforçou que todas as formas de tratamento, não apenas relacionadas a Covid-19, devem ser validadas pelo CFM. A resolução de 2018 proíbe aos médicos a prescrição de ozonioterapia dentro dos consultórios e hospitais, com exceção da participação dos pacientes em estudos de caráter experimental.

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