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34º Festival de Dança

Pacientes do Hospital Infantil de Joinville recebem a visita de bailarinos

Em meio a um dia duro de tratamento, crianças internadas no Infantil contam com a visita terapêutica de bailarinos

29/07/2016 - 17h20

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Por Redação NSC
Internado no Hospital Infantil, Gustavo aprendeu passos e se divertiu em visita de bailarinos
Internado no Hospital Infantil, Gustavo aprendeu passos e se divertiu em visita de bailarinos
(Foto: )

A rotina não mudou: ainda havia médicos e enfermeiras caminhando depressa pelos corredores. Atendimentos e consultas continuavam sendo cumpridas. Mas na manhã desta sexta-feira, havia mais cores e, principalmente, mais música e movimentos no Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, de Joinville. Foi quando bailarinos de 11 grupos de dança que participam do Festival entraram em cena e fizeram seus espetáculos em espaços diferentes dos habituais, como o hall de recepção, os corredores e os quartos de internação.

Luis Gustavo Kuhn Piquetti, de um ano e nove meses, assistiu a tudo pelo vidro que o separava do corredor com os olhos arregalados de concentração. O menino passou por uma cirurgia do palato (comumente chamado de céu da boca) e sentia muita coceira no local, o que o levava às lágrimas de quem não entendia e não podia fazer nada a respeito daquele incômodo. No entanto, nos minutos em que as meninas do Projeto Arte com Visão, de Mesquita (RJ), apresentaram uma coreografia de jazz com uma canção de Beyoncé, movimentando-se em seus figurinos cor-de-rosa, a atenção do pequeno voltou-se para aquele momento diferente.

No quinto andar, um outro Gustavo se sentia mais animado. Ele tem problemas nos rins e está internado por causa de uma síndrome nefrótica, mas consegue divertir-se na brinquedoteca e passear pelos corredores. No entanto, já está difícil para a mãe, Carla Rudnick de Quadros, entreter uma criança de quatro anos há cinco dias entre os limites de um hospital. Por isso, quando os bailarinos entraram no quarto dele, Gustavo aproveitou até para aprender as coreografias: enquanto os grupos dançavam, ele repetia os passos, fossem eles vindos de uma música de Michael Jackson ou de dança do ventre.

- Ele adora dançar, mas neste ano não pudemos assistir ao Festival porque estamos aqui quase o evento inteiro - contou a mãe, que também aproveitou para se distrair com os bailarinos.

No mesmo quarto, Manuela, de três anos, ficou perto de uma de suas grandes paixões: as bailarinas. Flora Andrade, 25 anos, e Gabriela Biscotto, 18, foram uma visão em pedrarias e tiaras de princesa para a menina, que aprendeu algumas posições do balé e não cansava de repeti-las após a visita.

Experiência de vida

As ações de voluntários não são novidade no Hospital Infantil de Joinville: elas ocorrem todas as semanas, com projetos como palhaçoterapia e musicoterapia. A grande diferença da visita realizada pelos participantes do Festival de Dança é de que havia crianças dançando para crianças. Os alunos do Projeto Arte com Visão têm entre 10 e 14 anos e viveram esta experiência pela primeira vez.

- Queríamos que eles aprendessem que precisamos dar valor a cada dia enquanto podemos ir e vir, porque quem está no hospital não pode fazer isso - comentou a coordenadora do projeto, Bruna Simãozinho. - E também levar arte e alegria para quem está passando por um momento delicado.

As bailarinas Flora e Gabriela, do Estúdio Miosótis, não podiam apresentar suas coreografias de clássico porque o espaço disponível era pequeno demais, mas mostraram alguns passos e conversaram com as crianças. As comparações com as princesas de Frozen foram inevitáveis.

Segundo Gabriela, a intenção de se candidatar para a visita ao hospital veio da ideia de que, para elas, a dança é algo rotineiro, mas para algumas crianças, de outra forma, dificilmente teriam este contato tão de perto.

- Esta pode ser uma experiência que mudará a semana delas. A intenção é fazê-las esquecer o que estão passando - disse Flora.

Segundo a supervisora de ações sociais do Hospital Infantil, Quésia de Araújo Grellmann, este tipo de trabalho promove a inclusão na área artística e auxilia para melhorar o clima entre as crianças e adolescentes internados.

- Ao trazer estes espetáculos, eles melhoram o humor e a autoestima dos pacientes - afirma Quésia.

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