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Palestrante fala sobre o papel da ética no mundo atual durante a Expogestão

Lélio Lauretti afirma que o século 21 é o da ética porque houve uma mudança de valores da sociedade e das empresas

14/05/2019 - 19h19 - Atualizada em: 14/05/2019 - 21h40

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Hassan
Por Hassan Farias
(Foto: )

A ética em um mundo que está em profunda transição e as expectativas para o século que vivemos foram os dois principais assuntos abordados pelo consultor, autor e sócio-fundador do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Lélio Lauretti durante palestra na tarde desta terça-feira na Expogestão 2019, realizada em Joinville.

Com 91 anos e sete décadas de experiência profissional, ele defende o papel fundamental exercido pela ética nesta fase de profunda transformação da sociedade. Lauretti tem a crença de que, por maiores que sejam os problemas que hoje nos afligem, as soluções estão disponíveis e dependem do empenho de pessoas, de empresas conscientes de sua importância na sociedade e de governos de legítima representatividade.

O aumento da preocupação com a ética

Lélio usou de dois conceitos para refletir sobre o significado da ética e mostrar que ela não é uma virtude solitária. Ela se revela no relacionamento humano, em que uma pessoa reconhece na outra as mesmas necessidades de reconhecimento que ela tem. Porém, a ética também expressa o equilíbrio perfeito entre o amor próprio, a autoestima e o respeito pelos outros.

Ela expressa o equilíbrio perfeito entre o amor próprio, a autoestima e o respeito pelos "outros". Atos de rejeição ou agressão de qualquer natureza, muitas vezes por motivo fútil, só existem quando há falta de respeito por si mesmo.

— A partir disso, podemos concluir que a ética é o respeito que temos por nós mesmos e pelas demais pessoas, além de ser um conjunto de princípios orientados por um bem comum que não tem restrição de espaço ou tempo, sendo o mais alto estágio de desenvolvimento de nossa consciência moral — definiu.

O palestrante também salientou que a ética não é o oposto da corrupção, sendo necessário afastar os dois conceitos. Ele diz que tem notado a ética sendo usada como ponto de referência para a corrupção, mas que não há como estabelecer uma relação entre as duas. O principal motivo para isso é o fato da corrupção ter a ver, entre outras coisas, com fraude, suborno e lavagem de dinheiro, que são contempladas nos códigos penais.

— A ética é uma preocupação fortemente crescente nos nossos dias, enquanto a corrupção está em processo rápido de perda das suas bases de sustentação. Na minha concepção, ela passou a ser uma espécie em extinção. O que está havendo é uma maior transparência e não o aumento da corrupção — defendeu.

O mundo em transição

O consultor ainda fez uma reflexão sobre o mundo em que vivemos e a transição pela qual a sociedade tem passado ao longo dos últimos anos. Lélio chamou o século 20 como o do mercado e o século atual como sendo o da ética.

O século passado foi classificado desta forma porque foi diretamente influenciado pela economia, que coordenou a maior parte das decisões ocorridas durante o período, levando a escala de valores das pessoas ser totalmente centrada pela riqueza.

Entre os pontos positivos destacados pelo palestrante estão o progresso tecnológico, a gestão empresarial, os avanços notáveis no campo dos direitos humanos e da medicina, e a consolidação dos programas de sustentabilidade ambiental.

Por outro lado, ele destacou que também aconteceram milhões de mortes em guerras e conflitos, uma predominância do interesse econômico no plano das decisões pessoais e corporativas, uma concentração de riquezas entre países e segmentos da sociedade, além do surgimento da "cultura do desperdício" como estilo de vida.

Já o século 21 foi classificado como o da ética porque as pessoas estão procurando outros tipos de valores. Lauretti apontou algumas tendências que já são reconhecidas atualmente, como a ênfase das pessoas na qualidade de vida, um deslocamento no eixo do poder econômico mundial para países como a China e a Índia, e uma forte pressão sobre os governos na definição de prioridades.

SURGIMENTO DE DUAS NOVAS CULTURAS

Diante dessa mudança na transição dos séculos, Lauretti aponta que surgem duas novas culturas no mundo: a governança corporativa e a longevidade. Segundo ele, na primeira existe uma soma dos princípio éticos aos técnicos que ajuda a formar uma cultura ética em cada organização. Além disso, defende que as empresas devem começar a levar em conta o bem comum em sua estratégia.

A outra nova cultura é a longevidade, em que a expectativa de vida da população passou de 40 anos, no início do século passado, para 80 anos, no início do século atual. Lauretti citou casos de pessoas famosas, como o arquiteto Oscar Niemeyer, que chegou aos 104 anos, e citou que o crescimento da longevidade tem a ver com os frutos dos progressos da medicina e dois cuidados com a saúde.

— O respeito pela vida é o primeiro dos princípios éticos. Um conselho que eu posso dar é não morrer jovem porque esse é um péssimo negócio. Quando a gente não permanece na vida não imagina as oportunidades que vai ter e como será o mundo de amanhã — defendeu.

Segundo o professor, as pessoas precisam cuidar mais do sono, da alimentação, da saúde física e mental, além de cultivar a alegria de viver. Lauretti disse que não consegue imaginar algo pior do que alguém que fique velho, doente e sozinho, e concluiu com um conselho para todos:

— Não use a primeira metade da vida para estragar a segunda.

Sobre o palestrante

Lélio Lauretti é graduado em Economia e pós-graduado na Harvard Business School. É sócio-fundador, ex-Conselheiro de Administração e ex-membro do Comitê de Conduta do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), onde profere a aula de encerramento dos cursos de melhores práticas de governança e de conselheiros de administração. Leciona também na Saint Paul Business School, na FIA-USP e na IFA7, de Fortaleza.

Conselheiro honorário da ABRASCA, é o criador e apresentador do Prêmio ABRASCA de Melhor Relatório Anual, o qual, em sua vigésima edição (2018); teve o patrocínio de 21 entidades do mercado de capitais; revisor-geral do Código Brasileiro de Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC (até 3ª. edição) e coordenador do grupo de trabalho que elaborou o Código de Conduta Profissional do IBRI – Instituto Brasileiro de Relações com Investidores e o do próprio IBGC. Membro da Câmara de Árbitros do Mercado, da Bolsa de Valores de São Paulo e do Comitê de Ética da ANCORD – Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras, é autor ou co-autor de vários livros referenciais, o mais recente dos quais (Código de Conduta – Evolução, Essência e Elaboração) assinado com Adriana de Andrade Solé e em fase de conclusão.

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