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    Pandemia preocupa desenvolvedores de prédios de escritórios

    Os desenvolvedores estavam confiantes em que a demanda permaneceria forte, mas a pandemia afetou a situação

    16/06/2020 - 13h40 - Atualizada em: 16/06/2020 - 13h41

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    Por The New York Times
    prédios
    (Foto: )

    *Por Kevin Williams

    Antes que a pandemia fechasse as empresas, uma economia robusta havia impulsionado um boom de edifícios, com prédios de escritórios sendo erguidos em áreas urbanas de todos os Estados Unidos. O surto do coronavírus, no entanto, afetou os planos, preocupando o setor imobiliário.

    Arranha-céus com inauguração prevista para meados deste ano vão transformar o horizonte de cidades como Milwaukee, no Wisconsin, Nashville, no Tennessee, e Salt Lake City, em Utah. As taxas de escritórios vagos, seguindo uma tendência de décadas, encolheram para 9,7 por cento no fim do terceiro trimestre de 2019, em comparação com 13 por cento no terceiro trimestre de 2010, segundo a Deloitte.

    Os desenvolvedores estavam confiantes em que a demanda permaneceria forte. Mas a pandemia afetou a situação. "Há uma pausa agora, à medida que as empresas consideram mais amplamente suas necessidades imobiliárias", disse Jim Berry, líder do setor imobiliário dos EUA na Deloitte.

    O momento é infeliz para Mark F. Irgens, cuja Torre BMO de 25 andares em Milwaukee foi lançada em meados de abril, no auge da quarentena em todo o estado do Wisconsin. Um mês depois, havia uma pequena fração do típico tráfego de pedestres diurno, enquanto a maioria das empresas aderia à diretiva do governador de permanecer em casa até o fim de maio. Um restaurante que estava programado para o andar térreo foi cancelado, e três potenciais inquilinos adiaram seus planos.

    Em vez de mostrar os brilhantes pisos de mármore italianos do edifício e a vista panorâmica do Lago Michigan, Irgens está preocupado com quem vai sair em seguida e que tipo de paisagem corporativa existirá quando a pandemia finalmente acabar.

    Mas ele não está parado. A Torre BMO levou cinco anos para ser planejada, e ele tem contratos para negociar, investidores para agradar, inquilinos para cortejar e empréstimos para pagar. "Os projetos de desenvolvimento são diferentes da produção de widgets. Você não pode parar, não pode cancelá-los. É preciso continuar", observou ele.

    Lentamente, os trabalhadores estão ocupando seus escritórios na BMO. Sem uma vacina contra o coronavírus, pode ser que o fim do ano chegue e o prédio ainda não tenha atingido uma ocupação "normal", disse.

    Outros desenvolvedores ao redor dos EUA também estão lidando com as consequências, especialmente nos prédios com espaço classe A, considerados os imóveis de maior qualidade do mercado. Na maioria dos casos, os novos edifícios não estão totalmente ocupados, e os desenvolvedores estavam contando com a economia forte para ajudá-los. Por exemplo, a Torre BMO estava 55 por cento alugada antes da pandemia.

    A questão dos proprietários de prédios de escritórios é: alguém ainda vai querer o espaço quando a crise do coronavírus acabar?

    Se a crise econômica se arrastar, pode haver mudanças duradouras na maneira como as pessoas trabalham e como os inquilinos querem que os escritórios sejam reimaginados, afirmou Joseph L. Pagliari Jr., professor de análise de imóveis da Escola de Administração Booth da Universidade de Chicago. Algumas das mudanças – como elevadores mais espaçosos – podem ser muito caras, comentou ele.

    Segundo Pagliari, a pandemia pode ser uma mudança de atitude, e isso seria uma má notícia para os proprietários de edifícios. As torres de escritório foram projetadas para serem as melhores do setor, mas a pandemia de repente transformou suas comodidades mais atraentes – áreas comuns, centros de fitness e praças de alimentação – em desvantagens potenciais.

    Ainda de acordo com ele, a crise econômica também poderia estimular altas taxas de juros sobre a dívida, o que faria com que o preço das unidades caísse. Isso pode acontecer mesmo que a crise diminua nas próximas semanas.

    "A pandemia atual gerou percepções sobre a probabilidade e as consequências das futuras pandemias", disse Pagliari. Os desenvolvedores que considerarem tais eventos levarão vantagem, mas prédios construídos com o medo de pandemias em mente estão a anos de distância.

    A perspectiva de que os trabalhadores possam querer continuar trabalhando em casa não preocupa John O'Donnell, executivo-chefe da Riverside Investment and Development, que está desenvolvendo um prédio de 55 andares na North Wacker Drive, 110, em Chicago. O prédio mais alto erguido na cidade desde 1990 está programado para ser inaugurado em agosto, e terá o Bank of America como âncora. Outros inquilinos incluem escritórios de advocacia, muitos dos quais estão trabalhando de casa.

    "Há uma necessidade de colaboração, formação de equipes, culturas de negócios comuns e um desejo contínuo de ter contato social dentro de uma empresa", declarou O'Donnell.

    Antes da inauguração, o prédio já estava 80 por cento alugado. Um inquilino garantiu 3.716 metros quadrados de escritório no auge do bloqueio, o que O'Donnell viu como um sinal encorajador.

    O prédio já está sendo ajustado para atender às necessidades pós-pandemia, algo que O'Donnell disse que estruturas mais novas eram mais capazes de fazer. Comodidades estão sendo atualizadas para serem isentas de toque. E os proprietários estão conversando com os inquilinos sobre imagens térmicas para monitorar a temperatura de trabalhadores e visitantes.

    A pandemia resultará em uma demanda por mais espaço no escritório, e não menos, comentou Paul H. Layne, executivo-chefe da Howard Hughes Corp., incorporadora imobiliária comercial com sede em Houston, no Texas. Os desenvolvedores se afastarão do padrão da indústria de 11,6 metros quadrados por pessoa, optando por locais de trabalho mais espaçosos.

    Mas outros dizem que é muito cedo para dizer quando a demanda por espaço no escritório voltará. Jamil Alam, diretor administrativo do Endeavor Real Estate Group, afirmou que a situação pode variar de acordo com a cidade. "Haverá vencedores e perdedores", disse Alam, que acredita que áreas metropolitanas mais densas como Nova York e Boston, que foram devastadas pelo coronavírus, podem perder seu favoritismo para mercados menores.

    Haverá a busca por ambientes urbanos, de fácil acesso e de uso misto, segundo Alam, e serão necessárias mudanças em edifícios ao longo do tempo, como menos pontos de contato em maçanetas e botões de elevador.

    Mas os projetos que ainda não foram iniciados serão interrompidos, informou Chris Kirk, diretor administrativo do escritório de Salt Lake City da Colliers, corretora de imóveis comerciais. "Se você é um desenvolvedor ou proprietário, deve estar preocupado. Todo mundo está sentindo o impacto."

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