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    Ainda vai piorar

    Para economistas, segundo trimestre não foi o fundo do poço

    Mercado de trabalho mais fraco e crise chegando ao setor de serviços são algumas das razões

    28/08/2015 - 05h22 - Atualizada em: 28/08/2015 - 09h38

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    Por Redação NSC
    A retração vai continuar no terceiro trimestre e há grande chance de ainda persistir até o fim do ano
    A retração vai continuar no terceiro trimestre e há grande chance de ainda persistir até o fim do ano
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    Mesmo que nos próximos trimestres o país não volte a amargar uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) na magnitude da divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o fundo do poço para economia ainda não chegou. A retração vai continuar no terceiro trimestre e há grande chance de ainda persistir até o fim do ano.

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    Nas projeções do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da consultoria LCA, a atividade ainda vai cair 0,3% entre julho e setembro na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Para a MCM Consultores Associados e a GO Associados, o tombo será maior, de 1%.

    - O mercado de trabalho segue dando sinais de desaquecimento, com impacta nos serviços, assim como no comércio varejista, que tem caído, o que não se via em outros anos. A agricultura, por questão de sazonalidade, também contribui negativamente - avalia o economista Leandro Padulla, especialista em PIB da MCM Associados, que projeta redução de 2,4% do PIB em 2015.

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    A pesquisadora Silvia Matos, do Ibre, lembra que, além de atividades que já estavam claudicantes, como a indústria, agora outros segmentos da economia ajudam a aprofundar o quadro recessivo.

    - A retração da economia é forte e está se espalhando para outros setores. O setor de serviços, que é o de maior peso no PIB, aprofundou a desaceleração - diz Silvia, lembrando que inflação alta e crédito escasso ajudaram na contração.

    O economista Alexandre Andrade, da GO Associados, vê a diminuição do consumo das famílias - motor do crescimento brasileiro no período mais recente de bonança - como principal freio da economia no curto prazo.

    - De forma conjugada, a piora acelerada do mercado de trabalho, de crédito e inflação, que corrói a renda, fez cair a confiança dos consumidores - diz Andrade, que espera queda de 2% do PIB neste ano.

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    Mais otimista do quarteto, o economista Fernando Sampaio, sócio-diretor da LCA, acredita que, após queda de 0,3% no PIB do terceiro trimestre, é possível uma pálida alta de 0,1% entre outubro e dezembro. Seria um número positivo, mas nada a comemorar.

    - Chegaremos no fundo do poço no terceiro trimestre, mas continuaremos nele no quarto - resume.

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    Sampaio avalia que a reação da economia pode começar a ser puxada pelas exportações. O problema, ressalta, é que as incertezas políticas, até agora, limitam o potencial efeito favorável do câmbio para quem quer vender para o Exterior.

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