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Férias frustradas

Para maioria dos empresários, temporada de 2018 não foi boa

Levantamento indica que 46,4% dos comerciantes tiveram queda no movimento ou no faturamento, apesar de perceberem aumento no número de turistas no Estado

26/02/2018 - 23h00 - Atualizada em: 27/02/2018 - 14h14

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Por Redação NSC
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* Até 18h de terça-feira, dia 27, a matéria dizia que o Sebrae SC apoiou a pesquisa. Diferentemente do que foi divulgado, o Instituto Federal de SC que apoiou o levantamento. A informação tinha sido repassada pela Abrasel. O texto foi corrigido.

Depois de uma virada de ano animadora, os resultados da temporada frustraram os donos de bares e restaurantes do litoral catarinense. Pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) de Santa Catarina, obtida com exclusividade pelo DC, mostra que quase metade (46,4%) dos empresários identificaram queda no movimento em relação à temporada anterior. Além disso, 44,5% perceberam que caiu o gasto médio por cliente.

O levantamento, que ouviu 84 donos de bares e restaurantes em SC e teve o apoio do Instituto Federal de SC (IFSC), mostra que apenas um a cada quatro entrevistados considerou o movimento melhor neste ano e 28% disseram que ficou estagnado. O presidente da Abrasel em SC, Raphael Dabdab, reforça que as expectativas iniciais não se confirmaram, apesar do fluxo maior de turistas, por uma série de fatores. Os principais foram o clima – com muita chuva em janeiro – e queda no poder aquisitivo, justificada pela crise econômica:

– Grande parte da refeição fora do lar é aliada ao prazer e é uma das primeiras coisas que você reduz com a perda do poder aquisitivo – resume.

Ou seja, os turistas vieram a SC, mas como tinha menos dinheiro e choveu bastante, preferiram fazer compras no mercado e comer em casa. O presidente da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares, e Similares de Santa Catarina, Estanislau Bresolin, pondera que o setor de alimentação é muito sensível a essa queda do poder aquisitivo, mas que outros setores, como a hotelaria, tiveram crescimento nesta temporada. Ele cita que as taxas de ocupação aumentaram nesta temporada em Florianópolis. Em janeiro, subiu 0,2% e no Carnaval, 0,63%. A taxa de ocupação média do período ficou em 82,7% na Capital. Outros levantamentos também demonstraram a recuperação do turismo catarinense. Uma pesquisa do IBGE mostrou que o turismo cresceu 6,7% em 2017 e que o Estado criou 1.092 postos de trabalho formais no setor no ano passado.

Trânsito também prejudicou o resultado

Para a proprietária do Freguesia Oyster Bar, Carla Cabral Costa, além da chuva constante, outro problema foi a mobilidade urbana. Com congestionamentos, turistas tinham dificuldade para transitar entre os bairros. Diante disso, o restaurante em Santo Antônio de Lisboa teve queda de 22% no faturamento em janeiro deste ano em relação ao ano passado. Para metade dos empresários abordados na pesquisa, o trânsito piorou nesta temporada. Com o movimento mais fraco, a dispensa de funcionários do estabelecimento focado em frutos do mar, que acontecia geralmente depois da Páscoa, foi antecipada para agora.

A pesquisa também reforça a maior quantidade de visitantes argentinos, impulsionada pelo câmbio favorável: 76,8% perceberam um aumento do fluxo desses turistas. Entre os brasileiros, o destaque ficou com os paulistas e gaúchos.

Carla em seu novo negócio aberto para temporada, em Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis
Carla em seu novo negócio aberto para temporada, em Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis
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Investimento com moderação

Mesmo com o cenário de queda de movimento e do gasto médio, alguns empresários se mantêm otimistas em relação ao restante do ano. Para 39,7%, o movimento deve melhorar. Porém, aqueles que acreditam na piora não ficam muito atrás: 33,7%. Para o líder do grupo de pesquisa em gestão do turismo do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Tiago Savi Mondo, essa visão mais cautelosa era esperada:

– Obviamente, em um ambiente em que gasto médio e demanda cai, isso mexe com o otimismo. Eles estão receosos com o que vai acontecer – diz Mondo, também coordenador técnico da pesquisa da Abrasel.

Apesar disso, a maioria (52,3%) pretende investir neste ano, sendo 64% deles em melhorias do estabelecimento. Porém Dabdab explica que é mais uma questão de sobrevivência dos estabelecimentos, que precisam lidar com diversos obstáculos, como concorrência do comércio ilegal e aumento da carga tributária:

– O empresário percebe que há acirramento da concorrência e precisa oferecer um diferencial para o cliente – justifica.

No caso de Carla, o diferencial foi a inauguração de um café, em dezembro de 2017, anexo ao restaurante. Otimista, ela planeja colher os frutos do novo estabelecimento na próxima temporada.

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