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Ambiente

"Parece provocação", diz diretor do Parque da Serra do Tabuleiro após quinto incêndio em um mês

Carlos Cassini acredita que sucessão de queimadas seja reação ao trabalho para preservar área do parque

11/10/2019 - 21h52 - Atualizada em: 11/10/2019 - 22h04

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Por Guilherme Simon
serra do tabuleiro
Primeiro incêndio de grandes proporções do ano queimou 800 hectares do parque, entre 10 e 11 de setembro
(Foto: )

Por volta das 9h30min desta sexta-feira (11), o oceanógrafo Carlos Cassini, coordenador do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, viu do mirante mais um sinal de fumaça no horizonte. Era o quinto incêndio na maior área de preservação de Santa Catarina em um mês.

Após quase nove horas de trabalho, junto com bombeiros, polícia ambiental e voluntários, o foco, próximo à Estrada do Espanhol, em Palhoça, foi controlado. Em entrevista por telefone durante a noite, Cassini voltou a dizer que acredita que os incêndios sejam criminosos, e revelou cansaço.

— Vou te falar que estou cansado. Bem cansado. Na hora que a gente vê a fumaça, a gente corre lá, arma o equipamento e vai combater. Não tem raiva, alegria, não tem emoção. Mas depois... Olha, acho que as pessoas que estão fazendo isso estão queimando a própria alma — diz o coordenador.

Cassini, que tem 55 anos e há dois coordena o parque, comenta que é comum que haja casos de queimadas em locais como o da Serra do Tabuleiro, mas que este ano a situação está fora do normal. Diante da sucessão de incêndios vista no último mês e da mobilização para combatê-los, o coordenador do parque acredita que haja uma espécie de reação por partes dos possíveis autores.

— Parece uma provocação. Porque a gente está dando uma resposta. A organização para combater o fogo está funcionando, e acho que estamos frustrando esse pessoal. Está sendo uma quebra de braço.

Perguntando sobre os motivos para as queimadas, ele se limita a dizer que processos de invasão da área podem estar por trás dos incêndios, mas prefere deixar o assunto para a polícia, que é responsável pelas investigações.

Mais de 1 mil hectares destruídos

Após cinco incêndios no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, a estimativa é de que mais 1 mil hectares já tenham sido destruídos em 30 dias. O maior deles ocorreu entre 10 e 11 de setembro, queimando cerca de 800 hectares.

O local é a maior reserva contínua de Mata Atlântica de Santa Catarina e abriga diversas espécies tanto de fauna, quanto da flora.

Para tentar minimizar o problema e identificar possíveis responsáveis pelos incêndios, a administração do parque pretende instalar câmeras de monitoramento nas áreas mais vulneráveis.

Além disso, desde o dia 1º de outubro, a Defesa Civil e várias entidades, como os Bombeiros e a Prefeitura de Palhoça, começaram a produzir um plano de contingência para a área. A ideia é pensar em formas de prevenção e também de combate ainda mais rápido e eficaz para situações como essas.

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