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História

Pároco da Catedral de Joinville por 36 anos, Monsenhor Bertino ajudou a construir a igreja em 1960 

Principal construção da religião católica na cidade, ela levou 17 anos para ser inaugurada

10/08/2019 - 10h05

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
Foto mostra construção da nova Catedral ao mesmo tempo que a antiga ainda estava sendo usada
Foto mostra construção da nova Catedral ao mesmo tempo que a antiga ainda estava sendo usada
(Foto: )

O primeiro prédio da Catedral de Joinville foi construído em 1867 no mesmo endereço da Rua do Príncipe onde ela está atualmente. Na época, o terreno possuía quase 31 mil metros quadrados, que incluíam a área onde atualmente está o Colégio dos Santos Anjos e o Hospital São José, e havia sido cedido pela sociedade colonizadora para a construção da primeira igreja católica da Colônia Dona Francisca.

Desenho mostra projeto da primeira Catedral, construída no início da Colônia Dona Francisca
Desenho mostra projeto da primeira Catedral, construída no início da Colônia Dona Francisca
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No início dos anos 1930, no entanto, a Catedral já estava pequena para a comunidade católica e o primeiro bispo de Joinville, Dom Pio de Freitas, iniciou o projeto e a campanha para arrecadar fundos para a construção de uma nova igreja. Com a recessão econômica causada pela Segunda Guerra Mundial, o prédio começou a ser construído nos anos 1940, mas não foi possível dar continuidade por falta de dinheiro. No fim dos anos 1950, com a chegada do novo bispo, Dom Gregorio Warmeling, o mundo havia mudado e o projeto antigo não parecia mais fazer sentido.

— Era uma igreja tipo tradicional, em estilo gótico e seria muito caro para construí-la. Havia acabado de acontecer o Concílio Vaticano II e muita coisa foi sendo reformada, com uma liturgia mais participativa com o povo, e dom Gregório olhou essa planta e disse que era hora de adaptar as igrejas, principalmente as que estavam sendo construídas naquele momento — recorda o Monsenhor Bertino Weber, 80 anos.

O religioso tinha 25 anos e era um padre recém-ordenado quando chegou a Joinville no momento em que a construção da nova Catedral São Francisco Xavier começava. Ele lembra que uma votação chegou a acontecer para que a comunidade escolhesse entre o projeto de igreja romana e o novo projeto, mais moderno — e que a decisão pelo modelo atual foi unânime.

Ele mesmo participou ativamente do trabalho braçal que a construção exigia na época, ao lado de centenas de voluntários que atuavam em três turnos. A construção começou em 1960 e só foi inaugurada em 1977, mas a Catedral só foi considerada concluída em 2005, quando o projeto foi totalmente cumprido com a construção da torre do campanário. A torre era um sonho de Dom Gregório que o Monsenhor Bertino comprometeu-se a realizar, ainda que tenha sido concluída sete anos depois da morte do antigo bispo da cidade.

Monsenhor Bertino recorda que os vitrais foram produzidos em São Paulo e vinham de carreta para Joinville, geralmente de dois em dois. Eram montados como quebra-cabeças em Joinville e instalados por funcionários da construtora e voluntários — ele mesmo ajudou a encaixá-los no alto da Catedral.

— A maioria das igrejas faziam vitrais com santos, e nós queríamos algo diferente. Por isso, eles mostram atributos como a natureza, com o reino animal, vegetal e mineral — explica ele.

O religioso, que atuou durante 36 anos como pároco (padre responsável) na Catedral — primeiro entre 1968 e 2000 e depois em mais um período entre 2004 e 2008 — ressalta que o local desperta a curiosidade de quem o visita, especialmente engenheiros e arquitetos. A cúpula é sustentada por um arco de 68 metros de vão livre e a outra parte é amarrada ao centro por intermédio de tirantes, que partem da base das colunas. Na época da construção, primeiro foi necessário construir uma base no subsolo de cerca de 20 metros, o que permite que a edificação não tenha nenhuma coluna de sustentação no meio dela.

— Ela será sempre moderna. Existe uma na Austrália que é semelhante a ela, mas não há nenhuma igual à de Joinville — avalia Monsenhor Bertino.

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