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    Acidente em Alfredo Wagner

    Passageira relata últimos momentos antes de queda de ônibus na BR-282

    Misto de coragem e determinação manteve casal de namorados acordado para resgate

    13/01/2015 - 14h15 - Atualizada em: 13/01/2015 - 14h36

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    Por Redação NSC

    O casal de namorados Ana Laura Finatto Donassolo e Luís Fernando Colvero Bilhar, ambos de Passo Fundo, viajavam para Florianópolis para passar uma semana em uma pousada na Praia da Pinheira, em Palhoça. Essa seria a primeira viagem dos dois juntos a Santa Catarina.

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    Acostumada a viajar com ônibus da Reunidas, ela diz não se lembrar de qualquer incidente nos ônibus que pegava da empresa. Apenas em uma das vezes, diz ter esperado durante horas por um veículo que faria a viagem até Balneário Camboriú e que, por conta disso, chegou atrasada cerca de cinco horas no destino.

    Para esta viagem, Ana e o namorado, que estão juntos há nove meses, se sentaram nas poltronas 9 e 10, do lado esquerdo do ônibus, o mesmo do motorista. Ela se recorda de ter acordado com o balanço que o ônibus fazia nas curvas, antes do acidente:

    - Eu acordei porque o ônibus balançava, de um lado para o outro. Em uma das vezes eu senti que o ônibus levantou. Eu acordei meu namorado e ele me disse que aquilo não era normal. Alguém gritou para ver se o motorista estava dormindo, mas ninguém conseguiu se manifestar, não deu tempo.

    Ana disse que ela estava com o cinto de segurança, mas que o namorado não estava. Com a queda, preocupou-se em proteger sua cabeça e perdeu-se do namorado:

    - Quando o ônibus começou a virar, senti gosto de terra e fiquei cheia de brita na roupa. [Quando o ônibus parou] eu gritei pelo meu namorado e pedi para ele vir até a mim, mas ele disse que estava com o braço quebrado.

    Foi aí que veio a coragem para achar sua bolsa com os óculos e, mesmo descalça, achar o Luís. Naquele momento percebeu que seu namorado estava do lado de fora do ônibus e, com a ajuda de um desconhecido, conseguiu descer e socorrê-lo:

    - Quando eu vi ele do lado de fora, eu não pensei duas vezes, fui direto.

    Com muita dificuldade, porque ele estava com muitas dores, conseguiram se arrastar para outro lado do ônibus. Dali ligaram para suas famílias e esperaram pelo socorro, conversando para não dormirem. Quando os socorristas chegaram, eles esperaram ainda os casos mais graves serem atendido até que, quase no amanhecer, foram separados e levados para hospitais diferentes, ela para Florianópolis e ele para Lages.

    - O que passou na minha cabeça era que a gente tinha que ficar acordado e que a gente já tinha chegado até ali, já tinha passado pelo pior, que a gente não ia morrer. Ele tremia de dor e dizia que queria beber Coca-Cola. Os vizinhos nos ajudaram, trouxeram cobertores, mas não demos nada para ele beber, porque não pode - explica.

    Durante toda a manhã, a família de Luís ficou sem contato com ele e ligavam para o celular dela para saber o que tinha acontecido. Ela chegou no Hospital Florianópolis pela manhã, não viu as ligações e foi apenas depois dos exames que soube que ele tinha sido levado para Lages.

    Ana relatou que não saberia dizer se o ônibus estava em alta velocidade, porque estava com cortina fechada na janela. E que mesmo estando perto do motorista não o ouviu pedir por ajuda, como outra passageira relatou anteriormente.

    Ana teve o nariz quebrado, luxação no pulso esquerdo e fratura em uma das costelas. Ela, que já está na casa de um tio em observação, espera ficar em Florianópolis até amanhã, quando pretende viajar para Lages para conversar com o namorado. Luís, que teve o braço e clavícula quebrados, passaria por uma cirurgia na coluna nesta terça-feira e ela espera poder vê-lo para incentivá-lo na recuperação.

    O acidente

    O ônibus da empresa Reunidas saiu de Posadas, na Argentina, praticamente vazio. Os primeiros passageiros ingressaram em São Borja, já no Rio Grande do Sul. O ônibus então prosseguiu assim até Passo Fundo, onde chegou às 21h30min de sábado, e saiu lotado com destino a Florianópolis. A queda aconteceu em uma ribanceira na BR-282, na cidade de Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis. O acidente aconteceu por volta das 3h30min deste domingo, no km 109 da rodovia.

    Sete pessoas morreram no local, entre elas o motorista do ônibus, identificado como Marcos R. L. Machado, e uma criança. Outras duas vítimas morreram no Hospital Regional de São José.

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