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Oportunidade

Pequenos produtores têm auge de vendas na Páscoa em Joinville

Cresce o número de microempreendedores que dedicam-se à confecção de doces e chocolates e aproveitam período para aumentar os lucros  

20/04/2019 - 08h00

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Hassan
Por Hassan Farias
Cláudia
Por Cláudia Morriesen
Letícia Helena Gasparini Paes é confeiteira e faz ovos de Páscoa
Letícia Helena Gasparini Paes é confeiteira e faz ovos de Páscoa
(Foto: )

A Páscoa é uma data religiosa para recordar a ressurreição de Jesus Cristo e também de confraternização das famílias, com trocas de presentes e doces. Diante dessa tradição, pequenos empreendedores encontram uma oportunidade de negócio para aumentar as vendas e incrementar a renda.

A joinvilense Letícia Helena Gasparini Paes, de 29 anos, é uma das empreendedoras que escolhem investir mais tempo na produção de doces durante a Páscoa para aproveitar o feriado que é um dos períodos de mais vendas no ano.

Nos outros meses, ela costuma trabalhar oito horas diárias com a produção de bolos e doces. Nessa época, aumenta a carga de trabalho para os três turnos do dia e passa a fazer ovos abertos de colher com recheio dos bolos que já são famosos entre os clientes.

– A gente precisa aproveitar essa predisposição das pessoas em comprar mais nesse período. Trabalho mais tempo porque também tenho certeza do retorno financeiro que vou ter – explica.

Letícia começou a trabalhar com confeitaria há três anos. O primeiro bolo foi para o próprio aniversário. Os familiares e amigos gostaram tanto que ela começou a fazer doces para outras festas, dando início informalmente à carreira como confeiteira. Com o tempo, o trabalho tomou outras proporções e passou a ser uma profissão.

Letícia é formada em engenharia de materiais e terminou o mestrado na área neste ano. A confeitaria surgiu durante os estudos, enquanto era bolsista de iniciação científica e, aos poucos a engenheira procurou aprender ainda mais sobre a área na internet. Mais recentemente, se formou em um curso de gastronomia.

Como também estava com dificuldades em encontrar um emprego na área após se formar na faculdade, ela notou que poderia mudar de profissão. No entanto, não foi um processo fácil e precisou de muito apoio para tomar a decisão final.

— Aconteceu uma insegurança por jogar fora toda a minha formação, mas fui muito incentivada pelo meu marido, minha família e os amigos. Agora, penso o quanto foi bom esse incentivo e ter feito essa mudança, porque me sinto completamente feliz com isso — conta.

Letícia planejou mudanças de profissão durante dois anos
Letícia planejou mudanças de profissão durante dois anos
(Foto: )

Planejamento para mudar de profissão

A mudança de profissão não aconteceu de uma hora para outra. Letícia e o marido se planejaram muito bem durante dois anos antes de dar esse importante passo na vida da família. Como ela ainda tinha outra renda, tomou o cuidado de ter todos os processos para a produção dos bolos anotados em planilhas.

Foi assim que conseguiu descobrir como era a sua produção de doces, qual era o perfil dos clientes, como poderia captar novos interessados e também saber o que poderia ser rentável. Os dados foram sendo alimentados e depois avaliados para que ela pudesse determinar de quanto gostaria que fosse sua renda e como seriam os valores a ser aplicados na venda.

— Cada oscilação de preço de algum produto que eu uso estava anotado. Assim consegui prever uma margem dentro do preço do meu produto para que eu continue com lucro em casos de oscilações de preços.

Com a mudança efetivada, Letícia começou a se dedicar totalmente para a confeitaria há cerca de um mês e já planeja os próximos passos. O principal é formalizar o negócio e se tornar uma microempreendedora individual (MEI) dentro de três meses. Segundo ela, estar na informalidade já a impediu de prestar serviço para empresas porque não faz a emissão de notas fiscais.

Especialização é inevitável para competir

O chef pâtissier André Lenzi notou que o período de crise no país fez crescer a busca pela produção de doces como nova fonte de renda. Ele, que também tem uma loja de artigos para confeitarias em Joinville, disse que a procura no período de Páscoa neste ano foi uma surpresa pela quantidade de novos produtores que não trabalhavam nesta área na Páscoa de 2018.

— O mercado foi se dilatando. Há muitas pessoas na informalidade, o que prejudica quem quer se especializar.

Para ele, é importante que os microempreendedores que querem dedicar-se a esta área busquem a profissionalização, em cursos de formação e na continuidade da especialização.

– Isso é importante não só para acompanhar as tendências, mas para ter a compreensão do valor do produto. Muita gente não está nem mesmo fazendo o cálculo de quanto custa a produção e isso pode frustrar e impedir a continuidade do negócio.

Pesquisa mostra otimismo dos empreendedores

Uma pesquisa do Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgada nesta semana mostrou que a maioria dos proprietários de pequenos negócios que atuam com confeitaria e doçaria está otimista com a Páscoa. Segundo a pesquisa, 67% dos entrevistados acreditam que as vendas serão melhores em relação ao ano passado.

O desempenho financeiro já havia sido positivo para 41% desses entrevistados em 2018. O perfil desses entrevistados mostram que 94% trabalham por encomenda e 51% realiza a entrega por conta própria. Metade deles tem na atividade empreendedora a única fonte de renda, mas apenas 40% já têm um CNPJ. Outros 50% pretendem formalizar o negócio.

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