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Reconhecimento

Pesquisadoras catarinenses ganham prêmio que incentiva mulheres na ciência

Nona edição de concurso promovido pela L?Oréal, Unesco e Academia Brasileira de Ciências coloca entre os sete escolhidos os trabalhos de Manuella Kaster e Patricia Brocardo, desenvolvidos na Universidade Federal de Santa Catarina

20/08/2014 - 19h40

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Por Redação NSC
Patrícia e Manuella venceram etapa brasileira de concurso
Patrícia e Manuella venceram etapa brasileira de concurso
(Foto: )

Duas pesquisadoras catarinenses ganharam destaque nacional na 9a edição do Prêmio For Women in Science (Para Mulheres na Ciência). Manuella Pinto Kaster e Patricia de Souza Brocardo, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ficaram entre as sete vencedoras da etapa brasileira do concurso.

Promovido pela L?Oréal, Unesco e Academia Brasileira de Ciências (ABC), o prêmio dá bolsa de US$ 20 mil para projetos desenvolvidos por mulheres.

- O prêmio é importante tanto financeiramente, porque são projetos muito caros, e para dar visibilidade e reconhecimento para a pesquisa - diz Manuella, 31 anos, que nasceu em Florianópolis.

A pesquisadora é formada em Biologia pela UFSC e depois se dedicou a estudar neurociências. O curso de pós-doutorado na área foi concluído no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Atualmente, ela é professora do departamento de Bioquímica da UFSC e pretende iniciar a pesquisa para aprimorar o diagnóstico de depressão.

- Hoje a doença não é identificada com base biológica, genética ou neuroquímica. E isso faz com que a depressão seja muito mal diagnosticada, não por culpa dos profissionais, mas dos instrumentos - afirma a pesquisadora.

A professora do departamento de Ciências Morfológicas da UFSC Patricia de Souza Brocardo, 38 anos, é formada em fisioterapia e chegou a ter uma clínica na área. Mas acabou levando a carreira em outra direção:

- A academia acabou me conquistando quando fiz o mestrado em neurociências - diz Patricia, que nasceu em Curitibanos.

As pesquisas não pararam até um pós-doutorado no Canadá. Neste período, pesquisou os impactos do álcool durante a gestação nos neurônios em desenvolvimento, tema que deve ser aprofundado nesta nova pesquisa, que deve analisar os benefícios da atividade física diante dos impactos.

Desde 2006, o Prêmio For Women in Science distribuiu mais de US$ 1 milhão em bolsas-auxílio e sete representantes catarinenses foram premiadas. Simone Nogueira, diretora de comunicação corporativa da L?Oréal Brasil, reforça que o concurso é fundamental para promover o desenvolvimento de jovens cientistas que, em alguns casos, acabam desistindo por falta de incentivo.

Conheça o trabalho das catarineneses

Manuella Pinto Kaster

Pesquisa: A avaliação de parâmetros bioquímicos pode facilitar o diagnóstico de uma série de doenças. Nos transtornos psiquiátricos, como a depressão, o diagnóstico é feito apenas com base na observação dos sintomas relatados pelos pacientes e muito pouco se sabe sobre as causas biológicas da doença. A pesquisa irá verificar, por exemplo, níveis de alguns hormônios ligados ao estresse e outros alterações bioquímicas periféricas em pacientes com depressão, o que poderá auxiliar no diagnósticos e tratamento da doença. Pesquisa deve levar dois anos para ser concluída e deve ser realizada inicialmente em cerca de 200 pacientes com depressão atendidos no Ambulatório de Psiquiatria do Hospital Universitário da UFSC.

Patricia de Souza Brocardo

Pesquisa: Tema central da pesquisa é a neuroplasticidade. Ou seja como o cérebro reage e se adapta perante desafios. O objetivo geral do projeto é estudar os efeitos benéficos da atividade física em neurônios expostos durante a gestação aos efeitos nocivos do etanol em roedores. O consumo de álcool durante a gestação causa danos no desenvolvimento da criança e pode ocasionar alterações anatômicas, anormalidades cognitivas e comportamentais. Desde a descoberta de que novos neurônios nascem (neurogênese) em cérebros de adultos cada vez mais cientistas buscam intervenções que possam estimular o nascimento destas novas células. A atividade física é uma das intervenções que tem sido usadas com sucesso para estimular a neurogênese hipocampal.

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