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Obra na praia

Pesquisadores da UFSC alertam para riscos ambientais do alargamento de Canasvieiras

Centro de Ciências Biológicas (CCB) divulgou carta aberta com considerações. Fase de dragagem da obra no Norte da Ilha, em Florianópolis, começou na sexta (4)

08/10/2019 - 19h33 - Atualizada em: 08/10/2019 - 22h53

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Redação
Por Redação DC
canasvieiras
Dragagem da areia para obra de alargamento começou na última sexta-feira (4)
(Foto: )

Pesquisadores do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgaram uma carta aberta em que alertam sobre possíveis riscos ambientais da dragagem realizada para o alargamento da praia de Canasvieiras, no Norte da Ilha de SC, em Florianópolis.

Orçada em R$ 10,5 milhões, a obra realizada pela prefeitura de Florianópolis irá alargar a faixa em aproximadamente 40 metros em uma extensão aproximada de 2,4 quilômetros. Os trabalhos de dragagem começaram na última sexta-feira (4) e a previsão de entrega é para 20 de dezembro.

Na carta aberta, divulgada na segunda-feira (7), os pesquisadores do CCB afirmam que a sociedade civil e as instituições da região não tiveram conhecimento “se todos os requisitos ambientais foram atendidos para garantir um processo com segurança”.

Segundo os pesquisadores, a dragagem da areia em uma jazida a cerca de um quilômetro da praia pode induzir a ocorrência de maré vermelha, fenômeno que ocasiona crescimento de microalgas que produzem toxinas e contaminam os moluscos, e causar prejuízos para a economia da região, que tem entre as principais fontes de renda a pesca e a maricultura.

"Não podemos ignorar que estamos a menos de 10 quilômetros da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, que terá seu patrimônio ameaçado por esta atividade, pois além de nutrientes, muitos outros poluentes se acumulam nestes bancos de areia e são redisponibilizados pela dragagem", acrescenta o texto.

Intenção não é se opor à obra, diz pesquisador

O coordenador do Laboratório de Ficologia da UFSC, Paulo Antunes Horta, um dos professores autores da carta aberta, afirmou à reportagem que a intenção da atitude não é se manifestar contra a obra, mas demonstrar a preocupação com os cuidados necessários para a execução.

— Nós entendemos a importância social e econômica desse empreendimento, mas queremos alertar que há uma série de cuidados, e precisamos saber se eles estão sendo tomados — comentou.

Entre os estudos defendidos pelo professor, está uma análise da presença de cistos de algas nocivas nos bancos de areia onde é realizada a dragagem e uma avaliação sobre a dispersão dos poluentes depositados na jazida.

— Caso esses estudos não tenham sido realizados, a própria universidade fica à disposição para auxiliar — ressaltou Horta.

A licença ambiental para a realização da obra foi liberada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) no último dia 20 de agosto.

IMA diz que só emite licença após cumprimento de requisitos

O IMA divulgou uma nota no fim da noite desta terça-feira (8) em que refuta informações da carta dos pesquisadores, afirma que as licenças só são emitas pelo órgão após os cumprimentos de todos os requisitos ambientais e garante que a realização de análises prévias para garantir a segurança do empreendimento foram exigidas e devem ser cumpridas.

“A Licença de Instalação que está em vigor apresenta 44 condicionantes ambientais que devem ser cumpridas e comprovadas para que a última autorização, a Licença Ambiental de Operação, seja concedida”, diz um dos trechos da nota.

O texto também afirma que a Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, citada na carta dos pesquisadores, não está entre as áreas de preservação com possibilidade de serem atingidas pela obra.

"Todos os possíveis nutrientes do local devem ser restabelecidos pelo empreendedor para a garantia das espécies e para o menor impacto possível aos ecossistemas da região", diz outro trecho.

Requisitos técnicos e legais são cumpridos, diz secretário

Procurado pela reportagem durante a tarde, o secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Valter José Gallina, questionou a manifestação dos professores em carta aberta no momento em que a obra já está em andamento, citando que o projeto foi discutido ao longo de dois anos.

Gallina destacou também que todos os requisitos técnicos e legais foram atendidos durante o processo de licenciamento ambiental conduzido pelo IMA, tanto para a licença prévia, concluída em dezembro do ano passado, quando a de instalação, concluída em agosto.

— Esse alerta da universidade, que levanta riscos ambientais, é óbvio que ele é de grande importância, mas todos os riscos foram considerados durante o processo de licenciamento e todos estão sendo monitorados dentro do que foi definido — destacou o secretário.

Veja detalhes da obra

alargamento
(Foto: )

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