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A Máfia das Cadeias

PGC matou primeiro agente de segurança pública de Santa Catarina em 2010

Everton Rodrigues de Bastos foi assassinado no dia 8 de abril daquele ano

17/04/2013 - 02h52 - Atualizada em: 18/10/2015 - 18h59

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Por Redação NSC
Documento relata que Reco tem tatuagem de palhaço no braço, e isso só tem quem mata policial
Documento relata que Reco tem tatuagem de palhaço no braço, e isso só tem quem mata policial
(Foto: )

Reco desce da moto, saca a escopeta e mira no motorista da viatura parada na praça principal de Tijucas. BUM, é o estrondo que chega aos ouvidos do soldado Thiago Fernandes José. Pelo vidro estilhaçado da janela do motorista ele vê a calibre 12 sendo engatilhada para um segundo disparo. A situação é tão crítica que nem percebe o companheiro de Polícia Militar com a base do crânio aberta pelo tiro. O sangue do soldado Everton Rodrigues de Bastos mancha o banco do motorista. É 8 de abril de 2010 - dois anos e meio antes do assassinato da agente penitenciária Deise Alves -, data em que o Primeiro Grupo Catarinense (PGC) faz a sua primeira vítima entre agentes de segurança pública do Estado.

Thiago tem mais sorte, mas não sai ileso. Quando percebe que está sendo atacado, se joga para fora do carro, mas não é rápido o suficiente. Reco atira antes de ele sair do alcance da arma. O matador tem habilidade nas mãos. Na pele, estampa três palhaços tatuados, marca dada a integrantes do PGC que executam policiais.

Enquanto se move para fora da viatura, o soldado sente um impacto no peito acompanhado de calor. Cerca de 30 balotes de chumbos da escopeta calibre 12 perfuram seus pulmões, esôfago e diafragma. Não há intervalos nos tiros, indício de que há outra pessoa disparando. É Bolão e seu revólver.

Assim que toca o chão, Thiago saca a pistola .40 e atira uma, duas, três vezes. Os assassinos fogem. O soldado vai parar na UTI do Hospital Regional de São José. A informação do homicídio chega por telefone no Presídio de Tijucas.

- A cadeia tremeu -conta uma detento incluído no programa de proteção às testemunhas.

Os mandantes da execução, Eliezer Pires e Davis Pires, são cumprimentados.

Antes daquela noite, em janeiro de 2010, um parente deles envia um salve (mensagem) para o segundo ministério da facção pedindo autorização para o crime. O plano é aceito e a quadrilha aproveita a saída temporária de Israel Bittencourt, o Reco, da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, em 7 de abril, para encomendar o assassinato. na rua, ele encontrou Douglas Daniel da Cruz, o Bolão. Juntos, cumprem a ordem, ou fazem a fita, como dizem nas cadeias.

O clima de êxtase na prisão diminui quando uma chamada por celular avisa: um policial sobreviveu. Eliezer brada:

- A testemunha que não podia ter ficado viva.

Logo depois, os detentos ficam sabendo que morreu a pessoa errada. O policial Rafael Luz, considerado inimigo do PGC por causa de sua atuação no combate ao tráfico em Tijucas, é quem deveria ter sido executado. A confusão ocorreu porque os matadores tinham a informação de que o alvo estava num Corsa Sedan, única viatura do tipo em Tijucas.

Azar de Thiago e de Evandro, que naquela noite de abril fecharam os vidros do carro porque chovia. Sem visibilidade, ficou mais complicado perceber os assassinos se aproximando.

Todos os envolvidos no episódio em que o PGC, pela primeira vez, tirou a vida de um agente da segurança, foram presos. Em fevereiro deste ano, a Justiça determinou que seis acusados sejam levados a júri popular. Sobrevivente, o soldado Thiago continua no mesmo batalhão, mas não quer dar entrevistas. Everton foi promovido a cabo post mortem e, neste caso, a indenização paga pelo Estado à família é maior.

::Agente penitenciário também foi vítima

A Polícia Militar não foi a única a entrar na lista de vítimas do PGC em 2010. O agente penitenciário Sandro Mariano de Sá sentiu na pele a violência da facção ao ser baleado por dois adolescentes em frente a um mini mercado no Centro de Florianópolis. Ele trabalhava no raio 4 da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, onde estão os líderes da facção.

Grampo da Polícia Civil revela o que aconteceu naquele 31 de agosto. Os adolescentes passaram de moto pela Rua Frei Caneca, que dá acesso a morro da região central de Florianópolis, reconheceram o agente penitenciário e ligaram para o chefe do PGC na cidade. Repetiram o caminho para se certificarem que era mesmo Sandro. Diante da da confirmação, receberam aval para atirar.

Atingido no braço, o agente penitenciário passou duas semanas no Hospital Celso Ramos. As investigações descobriram que a ordem da tentativa de assassinato partiu de Leomar Borges da Silva, o Leoma. O criminoso é um dos chefes do PGC, exerceu a função de tesoureiro e cumpria pena justamente no raio 4 da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.

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