nsc
    nsc

    Saúde

    Pílulas de Saber: comer menos pode prevenir doenças

    A redução de 40% das calorias pode ajudar a evitar a morte de neurônios associada a doenças como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e acidente vascular cerebral  

    07/11/2016 - 06h03 - Atualizada em: 07/11/2016 - 06h50

    Compartilhe

    Por Redação NSC
    Cientistas observaram que reduzindo 40% das calorias, se aumenta a captação de cálcio o que pode ajudar a evitar doenças 
    Cientistas observaram que reduzindo 40% das calorias, se aumenta a captação de cálcio o que pode ajudar a evitar doenças 
    (Foto: )

    Vários estudos em animais já mostraram que existe uma relação entre comer menos e viver mais. Porém, ainda não se sabe bem porquê isso acontece.

    Novas pistas para ajudar a solucionar o mistério foram publicadas na revista científica Aging Cell pela equipe do Centro de Pesquisa em Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma), do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP).

    Os cientistas observaram que reduzindo 40% das calorias da dieta aumenta a capacidade das mitocôndrias (organela celular responsável pela produção de energia) de captar cálcio em algumas situações nas quais o nível desse mineral no meio celular encontra-se anormalmente elevado. No cérebro, isso pode ajudar a evitar a morte de neurônios associada a doenças como Alzheimer, Parkinson, epilepsia e acidente vascular cerebral (AVC), entre outras.

    Danos pelo cálcio

    Todo mundo sabe que o cálcio é um mineral importante para a saúde dos ossos, o que pouca gente sabe é que ele é muito importante também para a comunicação entre as células do cérebro. Doenças como o Alzheimer ou epilepsias, por exemplo, podem causar uma super estimulação dos neurônios, resultando em uma entrada excessiva de íons de cálcio nestas células. Tal condição é conhecida como excitotoxicidade e pode causar danos e até mesmo a morte de neurônios.

    Para simular uma situação de excitotoxicidade no laboratório, os pesquisadores injetam uma substância chamada ácido kaínico no cérebro dos camundongos. Em camundongos alimentados à vontade, essa injeção causa convulsões, danos e morte de neurônios. Porém, os animais que tiveram a restrição de 40% das calorias, foram protegidos dos danos causados pelo ácido kaínico.

    Menos é mais

    O segredo parece estar nas mitocôndrias. Essas organelas são os geradores de energia da célula. Elas queimam a glicose da alimentação com o oxigênio e produzem energia. Ao que parece, numa situação de baixa oferta de calorias, as mitocôndrias passam a funcionar também como "aspiradores" de cálcio. Isso parece proteger as células cerebrais no caso de um estímulo, como o ácido kaínico, provocar a entrada excessiva de cálcio. Se esse cálcio em excesso ficar sobrando dentro da célula, ele causa sérios danos e até a morte delas. Por isso, ao captar esse excesso de cálcio, as mitocôndrias protegem os neurônios de sofrerem esses danos.

    Mas as mitocôndrias só fazem isso quando passam por essa situação de baixa oferta de glicose para queimarem.

    Fome protetora

    Apesar da grande restrição alimentar, o procedimento é planejado para não desnutrir os animais. Assim, vitaminas e outros minerais que poderiam faltar, foram acrescentados. Por isso os animais não perderam peso e estavam saudáveis.

    Essa pesquisa revelou que alguns mecanismos que regulam a entrada de cálcio nas mitocôndrias podem ser modificados para ajudarem a proteger as células durante processos que causam danos neuronais, como epilepsias, derrames, Mal de Alzheimer ou Parkinson, por exemplo.

    Talvez não seja o caso de fazer uma dieta tão fraca, mas conhecendo o que acontece nas mitocôndrias, os cientistas poderão desenvolver algum tipo de fármaco capaz que "ligar" o modo "aspirador de cálcio" quando for preciso!

    Leia mais na coluna Pílulas do Saber

    Deixe seu comentário:

    Últimas notícias

    Loading... Todas de Cotidiano

    Colunistas