O Palácio do Planalto recebeu com “surpresa” e “preocupação” derrota no Plenário da Câmara com a aprovação da emenda que vincula todos os benefícios da Previdência Social à política de valorização do salário mínimo. Por conta desta derrota e para evitar novas surpresas desagradáveis, o Planalto primeiro, pretendia suspender a votação das desonerações, última medida do ajuste fiscal.

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Depois de várias discussões e de uma conversa do vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o governo estava trabalhando para votar o texto base das desonerações, deixando os destaques para a semana que vem. A avaliação é que os deputados já deram o recado que queriam na votação da Previdência. Mesmo assim, o governo ficará atento, monitorando o que pode acontecer para dar prosseguimento ou não à votação.

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Desde cedo o governo estava preocupado. O clima estava ruim no Congresso, com reclamações chegando ao Planalto de que emendas prometidas não tinham sido liberadas. Os parlamentares também apresentavam cobranças em relação à demora na entrega dos cargos prometidos. Muitas conversas foram feitas com parlamentares da base, mas infrutíferas e, ao final, veio a derrota, com um placar considerado alto.

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Ainda não há uma estratégia desenhada pelo Planalto para como reverter estes números no Senado. Desde a terça-feira já havia uma certa tensão do governo em relação à votação desta emenda, que era considera uma verdadeira “bomba” pela equipe econômica do governo. Tanto que a presidente Dilma, ao chegar de uma viagem ao Rio de Janeiro, na terça, convocou uma reunião com os ministros Joaquim Levy, da Fazenda, Nélson Barbosa, do Planejamento, Carlos Gabas, da Previdência, e Aloizio Mercadante, da Casa Civil para justamente discutir o tema. Ao final do encontro, Gabas afirmou que o governo ia se mobilizar para impedir a votação da medida porque ela, se aprovada, causaria “grande impacto” nas contas da Previdência, “colocando em risco” o sistema. Disse que este ano, o impacto seria de R$ 4,6 bilhões e o gasto extra anual a partir de 2016, será de R$ 9,2 bilhões, “metade do ajuste feito com tanto esforço”.

*Estadão Conteúdo

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