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Poder público estimula plantio de parreirais para manter produção de uva Goethe no sul de SC

O envelhecimento dos parreirais diminui a produção da fruta

06/01/2019 - 08h00 - Atualizada em: 06/01/2019 - 07h56

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Lariane
Por Lariane Cagnini
(Foto: )

Com as videiras mais antigas produzindo cada vez menos uva, o Poder Público e órgãos ligados ao setor de uva e vinho resolveram trabalhar o estímulo ao plantio de novos parreirais. O Executivo municipal encaminhou à Câmara de Vereadores um projeto de lei que incentiva o produtor, oferecendo subsídio para a compra de novas mudas. A intenção é trabalhar o Goethe 4.0, como explica o prefeito Gustavo Cancellier.

— A partir do momento em que o produtor plantar, dali dois ou três anos na primeira colheita, isso tudo vai acelerar o segmento. Agricultor familiar, produtor de vinho e empreendedor terão subsídios diferentes, além de escolas e órgãos públicos que receberão as mudas de graça — explica.

O vinicultor terá 80% de subsídio na compra da muda, que custa em média R$ 8, sendo R$ 6,40 pagos com verba municipal.

Para o viticultor, o subsídio será de 60% e para quem deseja ingressar no segmento, e não se encaixa nessas duas categorias, o aporte será de 40% do valor de cada muda. Escolas, prédios públicos e pessoas físicas que quiserem plantar videiras como paisagismo, em pouca quantidade, terão as plantas de graça.

O objetivo do município é investir pelo menos R$ 300 mil no plantio de 30 hectares ainda em 2019, com recursos próprios. O prefeito entende que outras áreas necessitam de recursos, porém a iniciativa visa aproveitar a vocação da cidade para acelerar “uma locomotiva que vai puxar todo o resto”.

— Também terá subsídio que pode chegar a 100% do valor da muda para quem plantar às margens da SC-108. Queremos que o turista que passar por aqui já veja da estrada esses parreirais — comenta.

O texto já foi discutido com os vereadores e deve ser aprovado assim que o Legislativo retornar do recesso de final de ano. Em agosto, época de plantio, as novas mudas devem começar a modificar o cenário da cidade. Antes disso, todos os participantes do programa irão passar por treinamento técnico para aprender sobre o manejo de solo e cuidados com a produção.

Calor auxilia no crescimento

Após o plantio, as novas mudas devem começar a dar frutos dentro de dois anos, estima o enólogo Stevan Arcari. Ele atua na Estação Experimental da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) de Urussanga, e explica que como a região é bastante quente, o crescimento vegetativo é mais rápido. A primeira safra costuma ser de um terço da área normal, até que o parreiral esteja totalmente produtivo no ano seguinte.

– A gente estima um custo total desde preparar a terra até a véspera da primeira colheita, custo de implantação, pagando toda mão de obra, cerca de R$ 60 mil por hectare – calcula.

De um vinhedo novo, a primeira safra deve ser de cerca de 18 toneladas, e nos anos seguintes, em plena produção, pode chegar a 20 toneladas por hectare. Nos parreirais mais antigos, como é o caso de boa parte dos produtores da região, a média fica em torno de 12 toneladas.

No projeto, 60% dos recursos serão destinados à uva Goethe, e o restante a variedades de mesa, como outra fonte de renda ao produtor. Ao final da primeira safra, caso as vinícolas não consigam absorver a nova demanda, está prevista a criação de uma cooperativa com subsídio municipal para escoar a produção.

Estação Experimental

Na região, a Epagri atende sete vinícolas, cinco delas inseridas no processo de Indicação Geográfica. Pelo menos 50 vitivinicultores têm no vinho artesanal uma renda importante para a família, porém, como a bebida necessita de registro junto ao Ministério da Agricultura, a produção é pequena e para consumo familiar, com venda direta nas propriedades. Na produção de Goethe são pelo menos 25 famílias envolvidas.

— A Epagri dá apoio técnico ao produtor, é a primeira porta que ele bate. A Estação Experimental trabalha na área de pesquisa de uva e vinho, com experimentos sobre sistemas de cultivo, de vinificação, além de treinamento técnico para os produtores — explica o enólogo Stevan Arcari.

Mas nem só de Goethe vive a região. Urussanga e arredores tem participação importante na produção de uvas de mesa, para venda em supermercados. Para a safra, que começa em janeiro, a previsão geral é de baixa, segundo o especialista. As videiras brotaram com menos uva, menos cacho. Deve haver uma quebra de 30% na safra da uva de mesa.

Apesar do cacho menor, ele está mais bonito, porque o clima foi favorável para a uva. Um inverno frio e uma primavera e verão não muito secos, com regime de chuva regular e bastante sol, são garantia de saúde para as plantas. Com a produção da Goethe em uma área de 40 hectares, a estimativa é produzir 180 mil litros de vinho.

Indicações Geográficas e de Procedência

Com características únicas, cada região produtora de vinho no país tem buscado afirmar suas peculiaridades através de certificações de origem. O registro de Indicação Geográfica (IG) atesta que determinado produto ou serviço é singular e encontrado somente naquele local, o diferenciado dos similares existentes no mercado. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) é a instituição que concede esse registro, que pode ser de Indicação de Procedência (IP), como no caso da Uva Goethe, ou de Denominação de Origem (DO). Das seis regiões produtoras de uva e vinho que possuem certificação, as videiras do sul-catarinense são as únicas fora do Rio Grande do Sul.

Indicações Geográficas do setor vitivinícola brasileiro

Vale dos Vinhedos (RS) – Indicação de Procedência (2002) e Denominação de Origem (2012)

Pinto Bandeira (RS) – Indicação de Procedência (2010)

Altos Montes (RS) – Indicação de Procedência (2012)

Vales da Uva Goethe (SC) – Indicação de Procedência (2012)

Monte Belo (RS) – Indicação de Procedência (2013)

Farroupilha (RS) – Indicação de Procedência (2015)

Fonte: Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin)

Uva Goethe
(Foto: )

Festas resgatam as origens

Na busca pelo resgate da origem italiana, o centenário de Urussanga, em 1978, foi um marco importante nesta retomada. Nos anos seguintes surgiu a Festa do Vinho, realizada até os dias de hoje, e no início da década de 1990 a assinatura do Gemellagio.

O pacto de amizade com a cidade de Longarone, na Itália, também serviu como ponte entre os dois países. Mais recentemente, a festa Ritorno Alle Origini e a Vindima, que celebra a colheita da uva, entraram para o calendário e fazem a alegria dos turistas e envolvidos com o plantio.

Em janeiro, ocorre nos dias 18, 19 e 20, a 11ª Vindima Goethe. Além das atividades tradicionais como colheita nos parreirais, esmagamento das uvas com os pés, piquenique e visitação nas vinícolas, a praça da cidade será palco de atividades gastronômicas e culturais, além do consagrado tombo da polenta gigante.

Pedras Grandes também terá programação com degustações orientadas de vinhos, voo de balão sobre os parreirais, bate-papo com especialistas, imersão cultural e ainda o lançamento de produtos cosméticos derivados da uva e do vinho.

Uva Goethe
(Foto: )

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