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    Meio ambiente

    População defende reabertura do Canal do Linguado em São Francisco do Sul

    Reportagem de "AN" ouviu pelo menos uma dezena de pescadores e ribeirinhos, todos mantêm desejos parecidos sobre o que deve ser feito no local 

    29/06/2019 - 15h20 - Atualizada em: 29/06/2019 - 21h39

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    Luan
    Por Luan Martendal
    A família de Eva é de pescadores: eles culpam o lodo acumulado no canal pela escassez do pescado
    A família de Eva é de pescadores: eles culpam o lodo acumulado no canal pela escassez do pescado
    (Foto: )

    Com o avanço das discussões sobre o andamento da duplicação da BR-280, no Norte de Santa Catarina, outro tema de interesse para a região ressurge: o destino do Canal do Linguado, em São Francisco do Sul. Para a comunidade local, reabertura do aterro é o melhor caminho.

    A reportagem do "AN" ouviu pelo menos uma dezena de pescadores e ribeirinhos que residem ou pescam nas proximidades do Canal do Linguado. Entre os entrevistados, todos mantêm desejos parecidos sobre o que deve ser feito no local.

    Eles querem a abertura parcial ou total do aterro e vêem ainda como alternativas a criação de galerias para circulação de água, além da dragagem da área comprometida pelos sedimentos. Para eles, a reabertura pode representar melhora ambiental, aumento da produtividade e um incentivo ao turismo.

    — Será que a gente pode continuar sonhando? — questiona Antônio Teodoro de Mira, 47 anos, ao ser perguntado sobre a possibilidade de reabertura do canal.

    Morador da Ilha do Linguado, ele cresceu na região e lamenta a poluição que viu acumular em torno do aterro ano após ano. Porém, pela primeira vez demonstra esperança de que algo realmente possa mudar.

    — Se tiver dinheiro e mais vontade política, a duplicação da BR-280 a grande oportunidade de reabertura do canal — torce.

    Aos 72 anos, 61 deles vividos num terreno ao lado do início do aterro Sul, Eva Moraes de Souza é mais cautelosa. Segundo a moradora, ela já perdeu as contas de quantas vezes já se falou de abrir o canal e nunca aconteceu. Apesar de duvidar de que algo seja resolvido nos próximos anos, ela defende o retiro do bloqueio e a implantação de uma nova ponte no lugar. A ideia é compartilhada por seu filho, o pescador Antônio José de Souza.

    — Nossa família sempre se sustentou da pesca. Eu, mesmo sem saber nadar, já peguei muito peixe nessas águas, mas agora eles desapareceram — lamenta Eva, ao culpar o lodo acumulado devido ao fechamento do canal pela escassez do pescado.

    — Hoje, quando vem a maré baixa, fica só lama em um dos lados, então, se reabrir, penso que aquele lodo todo sairá para o mar e os peixes vão voltar a se reproduzir nesse ponto — acredita Antônio.

    Pescadores imaginam que haverá mais oferta de peixe

    Os irmãos pesqueiros Leocadio e Samuel Machado têm a mesma sensação. Eles saem diariamente pela manhã e retornam pouco antes da maré baixar, e não foram poucas as vezes que ficaram "atolados" com o barco em meio à lama. As condições, segundo eles, também refletem na queda de produção e já não se encontra com facilidade tainha, parati, camarão, mariscos, caranguejos ou ostra como antigamente.

    — Se reabrir, para nós que vivemos da pesca, será melhor. Os peixes vão voltar e o lodo vai sair para o mar — imagina Samuel, a exemplo dos vizinhos.

    — São 50 anos de linguado e somos a favor da abertura, porque achamos que a própria água irá limpar essa área atingida e, com o tempo, a maré levará esses sedimentos para longe — corrobora Leocadio.

    Teremary pesca por hobby no Linguado e percebeu redução de vida marinha
    Teremary pesca por hobby no Linguado e percebeu redução de vida marinha
    (Foto: )

    Na Vila Antenor, Teremary Cecilia Paul, 62, pesca por hobby há 30 anos e também percebeu redução de vida marinha nas imediações. Ela alega que, além de ser um dos resultados do fechamento do aterro, o ecossistema é prejudicado pela pesca comercial clandestina.

    — O que fizeram com esse Linguado é uma tragédia. Na minha visão, não é preciso nem abrir inteiro, abre um dos braços, faz a ponte ou uma galeria para circulação de água — opina.

    — Antigamente a gente pegava 50, 60 tainhotas num dia. Agora, em quatro meses eu consegui pescar apenas uma. Os peixes e o nosso Linguado infelizmente estão acabando e não temos para quem pedir socorro — lamenta.

    Também residentes na localidade do Linguado há anos, José Manuel Duarte e Sandra Stupp defendem a abertura por conta da questão ambiental. Para eles, são realizados muitos estudos, mas falta coragem para mudar o que foi feito há oito décadas.

    — Em minha opinião, o mar sempre toma de volta o que é dele, então, se o Linguado era aberto, devemos devolvê-lo à natureza. Já se falou muito que se houver a abertura pode alagar (Barra do Sul), mas se a maré antigamente não vinha até o chão batido, porque viria agora? — questiona Sandra.

    José ressalta que foram levantadas inúmeras possibilidades, “uma comporta, abertura de um canal só, sugeriu-se fazer um canal no meio dos dois linguados para não prejudicar a rodovia e circular a água”, cita. Para ele, o ideal também seria abrir e fazer uma ponte, mas mostra-se consciente de que é preciso analisar os impactos que surgirão e a necessidade de se chegar a uma conclusão mais assertiva. Já quanto aos dejetos, tem opinião própria.

    — O ideal seria, primeiro, limpar e, depois, abrir, mas acho que essa monstruosidade de dejetos que tem no canal, isso para o mar não é nada, ele próprio vai consumindo — diz o morador.

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