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Desenvolvimento

Porto de Imbituba puxa desenvolvimento do Sul catarinense

Com crescimento médio de 40% ao ano, terminal desponta como aposta logística da região

08/06/2014 - 08h07 - Atualizada em: 20/06/2014 - 15h04

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Por Redação NSC
Porto de Imbituba recebeu investimentos para ampliação do calado
Porto de Imbituba recebeu investimentos para ampliação do calado
(Foto: )

Passando por uma série de melhorias, a paisagem do novo Porto de Imbituba, no Sul do Estado, dá dimensões estranhas aos olhos. Atracada em um dos berços, está uma das maiores dragas do mundo, a mesma que construiu as ilhas artificiais de Dubai, nos Emirados Árabes. A máquina vai ampliar a profundidade do canal de acesso dos navios para 17 metros - a obra dará a Imbituba o status de calado mais profundo do país, permitindo que o porto receba embarcações com o dobro do tamanho das atuais.

Há menos de dois anos sob nova administração, o Porto de Imbituba aumentou em mais de 40% sua movimentação de cargas de 2013 a 2014. Com a dragagem do canal e da bacia de evolução (área de manobra), o terminal vai operar um número maior de contêineres, que deixam no porto e na região cifras mais expressivas que a carga geral ou a granel.

Rogério Pupo, presidente da SCPar Porto de Imbituba, administradora do terminal, afirma que a movimentação de contêineres já é 10 vezes maior neste ano do que em 2013. De acordo com ele, o número saltou de 400 contêineres em maio do ano passado para 4 mil no mesmo mês em 2014.

- O tipo de transporte mais lucrativo é o contêiner. Esse tipo de operação cria um eixo de expansão e desenvolvimento nos arredores do porto - afirma Pupo.

Com possibilidade de receber navios maiores, Imbituba poderá operar 10 mil contêineres ao mês ainda neste ano, segundo previsões da Santos Brasil, empresa privada que controla a operação de carga geral e contêiner do terminal.

>> Leia mais: crescimento gera valorização imobiliária na região

A Santos Brasil já investiu R$ 520 milhões em melhorias estruturais. Marcos Torinho, diretor comercial da empresa, acredita que em pouco tempo o terminal de Imbituba vai se tornar o maior do Sul do país.

- A localização do Porto de Imbituba ajuda muito. Ele tem uma posição geográfica favorável, de frente para o mar aberto, o que facilita a atracação das embarcações. Além disso, está no meio da região Sul, próximo da produção de grãos do Rio Grande do Sul e do Paraná - afirma Torinho.

O presidente do porto, Rogério Pupo, diz que o crescimento tem atraído empresas para a região, a exemplo da Sul Norte Logística, que se instalou em Imbituba em 2010, além de outras às margens da BR-101. O gestor afirma ainda que grandes companhias de logística e produtos náuticos estão sondando a região para se instalarem em breve.

Apesar de estar sob administração da SCPar, o governo catarinense não tem a concessão do porto. Em maio, quem pediu ao ministro da Secretaria Especial dos Portos, Antonio Henrique Silveira, para ficar com a gestão pelos próximos 25 anos.

- O ministro se mostrou favorável e estamos esperando pela resposta nos próximos dias. Pedimos 25 anos porque o porto exige um planejamento a longo prazo - afirma Paulo César da Costa, presidente da SCPar.

Duplicação da BR-101 Sul ajuda o desenvolvimento

A facilidade logística que trará para o Sul do Estado o fim da duplicação da BR-101 e o crescimento do Porto de Imbituba estão deixando os empresários da região em estado de euforia, como resume o vice-presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) no Sul catarinense, Diomício Vidal.

Após ressaltar que as obras de duplicação da rodovia completaram 10 anos em junho, Vidal lembrou que, de acordo com um estudo da Unisul, a região deixou de arrecadar R$ 32 bilhões no período. Agora que os gargalos são menores, os municípios do Sul já começam a crescer e a correr atrás do prejuízo.

Vidal destacou o fortalecimento do agronegócio nas cidades de Turvo e Jacinto Machado. Os produtores de arroz dos municípios, que sempre encontraram dificuldade de escoamento, trabalham agora com a oportunidade de aumentar a produção. Também Orleans, Sombrio e Braço do Norte, fortes nos setores metalúrgico, químico e de plástico, além de Criciúma, polo de indústrias do vestuário, cerâmica e plástico.

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