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FALTAM INVESTIMENTOS

"Precisamos de 50% mais capacidade de reservação", diz especialista sobre a falta d'água

Para presidente da Abes/SC, desabastecimento não é novidade e só pode ser combatido com investimentos

08/08/2019 - 12h18 - Atualizada em: 08/08/2019 - 13h29

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Felipe
Por Felipe Reis
Moradores de diversos bairros registram falhas no abastecimento
(Foto: )

A falta de água que afeta a rotina de moradores de diversos bairros da Grande Florianópolis - sobretudo daqueles em áreas de final de rede - poderia ter sido evitada com investimentos em reservação. A afirmação é da engenheira e presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de Santa Catarina, Fernanda Vanhoni, durante entrevista ao programa Direto da Redação da CBN Diário na manhã desta quinta-feira (8).

Segundo ela, a redução da vazão do Rio Pilões em cerca de 30% ocorre numa época em que é comum chover menos. Além disso, as áreas mais afetadas costumam ser sempre as mesmas - bairros mais afastados das estações de tratamento de água e municípios do interior do Estado.

— Para lidar com essa situação, que é recorrente, precisaríamos aumentar em 50% a nossa capacidade de reservação de água. Temos visto muitos investimentos na área de coleta e tratamento de esgoto, o que é muito importante para Santa Catarina, mas isso acaba comprometendo recursos e colocando em segundo plano ações como a construção e expansão da capacidade de captação e armazenamento.

Ouça a entrevista:

A engenheira também demonstrou preocupação com a não manifestação da Companhia de Águas e Saneamento (Casan) sobre a possibilidade de aumento da captação do rio Cubatão. Ele contribui com 1,35 mil litros de água por segundo - ao lado do Pilões, com 1,30 mil litros por segundo.

— Só ouvimos a manifestação da empresa sobre a redução de 30% do volume coletado em Pilões, quando seria importante aumentar a litragem onde as recargas naturais são mais eficazes.

A Casan se manifestou por meio de nota enviada pela Assessoria de Imprensa, antes da entrevista. De acordo com a empresa, o prolongamento da estiagem baixou o volume dos rios em até 60% na Grande Florianópolis e está afetando o abastecimento em bairros localizados em regiões mais altas — as chamadas pontas de rede.

Ainda conforme a empresa, as equipes técnicas trabalham para minimizar os transtornos nestas áreas e 90% dos usuários ainda não foram afetados pela situação, mas todos devem colaborar com a economia e prevenção.

— A Casan opta por não falar em racionamento, mas é, de fato, uma redução no fornecimento — afirmou a presidente da Abes/SC.

Sem previsão de normalização

Na tarde dessa quarta (7), a Casan alertou especificamente a população de Biguaçu, que está apresentando intermitência (interrupções no abastecimento) desde o último final de semana.

"Isso ocorre em função da redução de vazão na captação de água do principal manancial que abastece a região, o Rio Vargem do Braço. Segundo o gerente da Agência da empresa em Biguaçu, Marcelo Osvaldo Nascimento, não há como precisar a normalização do abastecimento, haja vista que não existe previsão de chuvas intensas nos próximos dia", indicou a nota.

O meteorologista Leandro Puchalski, da Central NSC de Meteorologia, confirmou que os modelos não indicam chuva para os próximos dias em volumes suficientes para reabastecer os mananciais.

A partir de um levantamento feito com dados dos últimos 18 anos, Puchalski apurou que em 10 deles a chuva ficou muito abaixo da média na Grande Florianópolis, o que demonstra a recorrência dos períodos de estiagem.

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