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Entrevista Udo Döhler

Prefeito de Joinville avalia primeiro ano de mandato

Udo Döhler reconhece que é preciso evoluir em áreas como saúde, habitação e transporte coletivo

25/12/2013 - 13h35 - Atualizada em: 03/01/2014 - 11h03

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Por Redação NSC
(Foto: )

Prestes a completar um ano de mandato de seu primeiro cargo público, o prefeito de Joinville, Udo Döhler, tem mais pontos a comemorar do que a lamentar. Pelo menos é o que ele mesmo afirma. Em linhas gerais, Udo elogia esta primeira etapa do governo. E faz questão de ressaltar sua equipe, aprovada "sem fazer exames". Apesar de satisfeito com os resultados iniciais, ele reconhece que é preciso evoluir em áreas como saúde, habitação e transporte coletivo.

Bem sucedido empresário do setor têxtil, Udo Döhler também está aprendendo a lidar com a burocracia da gestão pública e com os ônus da função. Entre eles, lidar com os desvios de conduta e com as denúncias de corrupção, que ele afirma serem "bem-vindas", e administrar conflitos de interesse, com notório destaque ao projeto que aumentou a cobrança do Imposto sobre Serviços Públicos (ISS) no município - e que despertou polêmica, críticas e indignação da classe empresarial.

MÁQUINA PÚBLICA

- A gestão pública é igual à gestão privada. Continuo com esta mesma leitura. Até porque uma empresa privada vai à falência se for mal administrada. Na área pública, a burocracia incomoda pouco se você conseguir expurgar os desvios de conduta, a corrupção.

NOTA

- A equipe de governo passou de ano, com média e sem fazer exames, em 2013. É uma equipe, em sua maioria, que não esteve no serviço público antes. Foi um ano de aprendizado. Um grupo de competência, honestidade e integridade. Foi difícil no começo e encontramos ilhas. Agora, os setores conversam entre si. Não há busca por espaços individuais.

MUDANÇAS NO COLEGIADO

- Vamos fazer mudanças no colegiado no início de fevereiro. Vou me dedicar, nos dez dias iniciais de 2014, às modificações que serão feitas. Vão sair aqueles que não se adaptaram ao ritmo, à velocidade de ação e à conduta que desejo. O Ittran terá novo presidente. Romualdo França não vai mais acumular a função com o comando da Seinfra. Ficará só na Seinfra. As áreas de planejamento e administração continuarão uma só, sob comando de Miguel Bertolini.

A MAIOR SATISFAÇÃO

- A população contribui com sugestões em todas as áreas da Prefeitura. A adesão da população me satisfaz. Os atores do setor público acham que mandam na cidade. Isso é um equívoco. Ouvimos 168 associações de moradores e ONGs neste ano.

A MAIOR DECEPÇÃO

- Não me sinto frustrado. A maior decepção foi ter encontrado desvios de conduta em maior número do que esperava. Nosso compromisso com a corrupção zero é inabalável. Não estamos caçando bruxas, mas denúncias de corrupção são bem-vindas. A denúncia precisa acontecer, porque onde há corrupto há corruptor. O nosso servidor é íntegro e o ambiente de trabalho tem de melhorar.

SAÚDE

- A saúde é um grande desafio. Mas não é o maior. Me angustia, sim. É inaceitável ver que a saúde consome um terço do orçamento municipal. É demais. Para reduzir este percentual, é necessário comprar melhor e mais barato e evitar o retrabalho.

DÉFICIT HABITACIONAL

- A habitação ainda é a área mais crítica. Há 10 mil pessoas morando em situação precária, sem mínima infraestrutura. Há um projeto para construirmos casas para 4.690 famílias na região do Ulysses Guimarães. A meta é concluir em três anos, com toda infraestrutura - escolas, creches, posto de saúde e posto policial. O investimento é de R$ 350 milhões, com dinheiro do Ministério das Cidades. O ministério deu sinal verde para tocar o projeto.

ISS

- Quero a justiça fiscal. Não querer pagar imposto porque vai onerar a população é forçar a barra. A fiscalização é necessária. A evasão fiscal, em alguns casos, é de 40%. Temos os números. Em relação ao IPTU, por exemplo, a inadimplência, em 2012, foi de R$ 48 milhões. E não me diga que é o pessoal do Juquiá que não paga. Não pagar imposto é inaceitável. Não pode pagar R$ 6 mil de ISS faturando R$ 400 milhões ao ano?

TRANSPORTE PÚBLICO

- Fizemos revisão de todo o projeto de licitação do transporte público. Vamos analisar novos modais que as empresas precisam considerar. Avaliaremos se serão propostos modais como VLT, por teleférico, tendo os ônibus como elementos complementares. Transporte de graça não existe. Para reduzir o custo é preciso adensar a utilização do transporte público.

AR-CONDICIONADO

- Em 2014, vamos construir corredores de ônibus, aumentando a rapidez do fluxo de trânsito. Quero que todos os ônibus tenham ar-condicionado em até seis, sete anos. Isso pode começar a partir do final de 2014.

TARIFA

- O transporte coletivo tem de ajustar preços porque sofre efeito inflacionário. Vamos examinar isso (o aumento de tarifa) de forma cuidadosa para manter a qualidade da frota sem onerar o bolso do usuário.

LOT

- A lei de ordenamento territorial está judicializada. Não dá para entender aqueles que conspiram contra os interesses da cidade.

SUBPREFEITURAS

- As subprefeituras atuam a contento e estou plenamente satisfeito. A partir de 2014, a zeladoria vai melhorar.

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