Agora com recursos garantidos pelo governo do Estado, o Binário do bairro São Vicente, em Itajaí, continua dividindo opiniões entre comerciantes e moradores. Quem é contra a mudança defende que a obra fará da rua Estefano José Vanolli, que passará a ter mão única, uma via rápida, o que consequentemente diminuiria o movimento nas lojas e traria mais insegurança ao trânsito na região. A prefeitura de Itajaí, porém, garante que a velocidade dos veículos não será problema e que o projeto tem foco total nos pedestres e ciclistas.

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O estudo para o binário foi concluído em fevereiro deste ano, após quatro meses de trabalho que tiveram como base uma análise inicial da Secretaria de Urbanismo. A partir daí foram definidas as prioridades do projeto, que são ordenar o trânsito e garantir reurbanização, mobilidade e acessibilidade para as ruas Estefano e Otávio Cesário Pereira.

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A equipe técnica da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão foi quem fez o projeto, que inclui também intervenções nas ruas Antônio Cyrillo Dutra e Alice Vieira da Silva. A previsão é começar as obras até junho, com prazo de 10 meses para conclusão. Além das modificações para mão única (a Estefano fica no sentido Sul-Norte e a Cesário Pereira no inverso), as vias vão ter bicicletários, ciclofaixas no lado esquerdo, estacionamento para veículos no lado direito, alargamento das calçadas, arborização, instalação de novos bancos e lixeiras e implantação de todas as sinalizações horizontais e verticais. O projeto está orçado em pouco mais de R$ 7,5 milhões, sendo R$ 3,7 milhões de recursos estaduais e o restante por meio de verbas municipais.

Segurança e comércio

As transversais da Estefano e da Cesário serão interligadas com outros quatro binários, que serão organizados em ruas que ainda serão definidas, provavelmente após a apresentação do projeto à comunidade (ainda sem data para ocorrer). O objetivo é permitir a locomoção sem transtornos por todo o bairro São Vicente, sem trazer grande impacto ao comércio da região.

A Codetran também vai providenciar a instalação de semáforos ao longo das vias, e os equipamentos já vão contar com redutores de velocidade. A máxima permitida será de 50 km/h, justamente para que o perfil de rua comercial da Estefano continue.

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– Teremos a velocidade controlada e além das vagas de estacionamento no lado direito, todas as transversais vão contribuir com relação a isso. De 50 e 50 metros vai ter um retorno para o pessoal poder parar nas transversais, então isso de se tornar uma via rápida não vai acontecer – diz o coordenador técnico da Secretaria de Planejamento, Amarildo Madeira.

Sistema binário é o modelo “menos ruim”, diz especialista

Inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e diretor da Associação Regional dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Area) em Itajaí, o engenheiro civil e de segurança José Moritz Piccoli afirma que hoje a implantação do sistema binário vem ocorrendo em todo o mundo e ainda é a melhor alternativa para regiões como a da rua Estefano José Vanolli.

– Esse é o modelo menos ruim. Não é o ideal, está longe disso, mas do que se tem é a maneira mais econômica e viável – explica.

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Sobre a preocupação do comércio, o especialista diz que as lojas só saem prejudicadas quando não há fidelização ou atendimento satisfatório aos clientes. Para Piccoli as mudanças no trânsito não devem, ou pelo menos não deveriam, interferir no movimento comercial.

– Ninguém vai deixar de frequentar a loja se não tiver lugar para estacionar. Um bom exemplo é a Praia Central de Balneário Camboriú, onde os restaurantes continuam cheios mesmo sem estacionamento na orla. Todo mundo passou a andar mais a pé, o que também é uma tendência mundial – argumenta.

A opinião de moradores e comerciantes

“Acredito que vai ser bem interessante para melhorar o fluxo. Tudo vai depender do projeto que vão fazer. Trabalho como comerciante na Estefano há 10 anos e sempre há opiniões divergentes sobre esse assunto. Mas acho que quem é contra não está pensando no futuro, eles dizem que pode cair o movimento, mas eu acho que não. Aqui o maior problema é que o pessoal não tem consciência, estaciona onde não pode”.

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Jaime Alves de Oliveira Junior, vendedor e morador do São Vicente

“Eu sou a favor do binário, acho que ia melhorar a questão do movimento para carros, pedestres, ciclistas e motos. Quem precisa ir a farmácia vai vir do mesmo jeito, não teria prejuízo. A Estefano não comporta mais o movimento que tem, com estacionamento dos dois lados”.

Eloise Berwig Petrelli, gerente de farmácia

“Ia ser melhor, aqui tem muito trânsito, uma via única seria mais interessante. O comércio não ia ser prejudicado porque temos muitas vias transversais para estacionar. Assim evitaríamos um monte de acidentes”.

Lassir Stringari, empresária

“Melhoraria com certeza, cada dia que passa está mais movimentado, ia facilitar com mão única. Ali onde tem o colégio, por exemplo, é muito perigoso. Cada dia está mais cheio de carros. Precisa de mais faixas de pedestres”.

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Lourdes Amaral, técnica de enfermagem e moradora do São Vicente

“Não é bom, é ruim para o comércio. Eles querem implantar uma via de mão rápida e isso é prejudicial porque o comércio precisa que seja mais lento. Não tem faixa na frente da Caixa Econômica Federal, por exemplo, que é um local que necessita. Não somos contra o desenvolvimento, mas aqui tem cerca de 2 mil famílias que podem ser prejudicadas. Sou comerciante há 23 anos nesse bairro e já pedimos inúmeras vezes para dialogar. Cerca de 70 mil pessoas fazem compras aqui, todos os grandes magazines vieram para cá. Se vier a acontecer o binário essas redes podem sair. Estamos preocupados com o bem-estar e com os empregos. Queremos que a Estefano seja tratada de maneira diferenciada, como uma rua comercial”.

Alfonso Debatin, comerciante e coordenador do núcleo da CDL do São Vicente

“Para o comércio é ruim. Se eu vou no Centro de Itajaí quero ir na rua Hercílio Luz, e aqui as pessoas querem passar pela Estefano, ver o movimento, as lojas. Para o trânsito o binário pode ser uma maravilha, mas vai diminuir bastante as vendas do comércio. Em via de mão única é ruim para fazer o retorno, quando passa de uma loja vai comprar em outro lugar. Penso até que se o movimento cair muito com o binário posso chegar ao ponto de fechar a loja”.

João José Dalçoquio, proprietário de loja

“Acredito que o movimento vai cair muito. Temos várias experiências de ruas em Itajaí que viraram mão única e o movimento teve uma queda violenta. Com a Estefano em mão única, vai virar uma via rápida e isso não interessa ao comércio. Não somos exatamente contra o binário, mas existem várias maneiras mais inteligentes de fazer ele”.

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Neila Oldoni, sócia de uma ótica

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