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Pescadeiras

"Primeiro me apaixonei pelo mar, depois pelo pescador", esta é a história de Joseide Siqueira

Jô forma parceria com o marido Pedro e acredita que mulher na pesca não é uma obrigação, e sim uma opção de vida para aquelas que têm o desejo de liberdade, que encontram na imensidão do mar

10/09/2019 - 12h10 - Atualizada em: 10/09/2019 - 15h59

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Por Ângela Bastos
Pescadora em São Francisco do Sul, Jô encarna o significado da palavra "pescadeira": vai ao mar, limpa, fileta e ainda vende o pescado
Pescadora em São Francisco do Sul, Jô encarna o significado da palavra "pescadeira": vai ao mar, limpa, fileta e ainda vende o pescado
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Diferente de outras mulheres que desde criança convivem com o mar, Joseide Aparecida Siqueira, a Jô, 40 anos, descobriu a atividade pesqueira há cerca de cinco anos. Moradora de Curitiba (PR), ela visitava familiares em São Francisco do Sul quando começou a acompanhá-los nas lides com as redes. Viu uma rotina difícil, principalmente por ser ligada às condições do clima. Mas percebeu um lado mais tranquilo do que a correria da cidade. Tornou-se mais uma pescadora na comunidade pesqueira do bairro Paulas.

— Primeiro me apaixonei pelo mar. Depois pelo pescador — brinca, ao lado de Wosly de Paulas, com quem está casada e forma parceria em mais um dia de pesca.

Para Jô, a presença das mulheres na pesca não deve ser vista como uma obrigação. Existiria a possibilidade de ficarem em casa fazendo outro serviço, ou mesmo ligadas à pesca sem a necessidade de embarcar. Mas, para ela, é uma opção. É como se sentisse mais livre ao ver o tamanho do mar e a vida que nele existe.

É uma vida muito boa: você vê o cardume andando, correndo, saltando. Tem vezes que a gente chega a escutar o peixe.

Jô, a filha adolescente e Wosly se sustentam exclusivamente da pesca artesanal.

— A gente pesca o peixe, faz filé, vende em casa e dependendo da quantidade entrega para a peixaria comercializar.

Pescadeiras

Jô mostra o lanço

Em certos dias passam 10, 12 horas no mar. Mas nem sempre voltam com pescado, o que exige paciência. Apesar das incertezas, ela não consegue imaginar a vida longe da água.

— Eu não consigo me ver fazendo outra coisa se não pescando.

Pescar em dupla com o marido tem suas singularidades:

— Às vezes, eu vejo o cardume num lugar e ele noutro. Eu quero que ele cerque o peixe que eu estou vendo, mas ele quer cercar o dele. Faz parte: um sempre acaba cedendo. Se pegar o peixe ficamos felizes, se erramos o cerco nos bate a tristeza.

O dia a dia ensinou a Jô que nem sempre o mar está pra peixe: às vezes, poucos caem na rede
O dia a dia ensinou a Jô que nem sempre o mar está pra peixe: às vezes, poucos caem na rede
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Jô brinca para provocar o marido:

— Tem horas que eu quase dou com o remo na cabeça dele (risos).

Jô acredita que a parceria na pesca fortalece o relacionamento, pois se estende por terra:

— Não somos apenas pescadores, a gente faz outras coisas juntos, como pagar as contas e passear. Nos domingos, a gente pega um pedaço de carne e sai para assar. Depois, voltamos juntos para casa.

Com uma vantagem, brinca:

— No mar também dá pra namorar.

Jô e o marido Wosly: no mar, também dá pra namorar
Jô e o marido Wosly: no mar, também dá pra namorar
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