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Caso arquivado

Processo que investigava morte de menino de São Francisco do Sul é arquivado pelo MP

Família buscou hospital quatro vezes antes de criança morrer e acusa unidade de saúde de negligência

03/06/2022 - 14h09 - Atualizada em: 03/06/2022 - 14h30

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Sabrina
Por Sabrina Quariniri
James Fucks, de 7 anos, morreu em São Francisco do Sul
James Fucks, de 7 anos, morreu em São Francisco do Sul
(Foto: )

O Ministério Público de Santa Catarina pediu arquivamento do processo que apura as circunstâncias da morte de James Antônio Fucks, de 7 anos, ocorrida em 16 de julho de 2021, em São Francisco do Sul. No entendimento da promotoria, não há provas que indiquem um possível culpado. Família da criança acusa hospital em que buscaram atendimento de negligência. 

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​Em setembro do ano passado, a Polícia Civil concluiu o inquérito policial, que indicou que não houve responsabilidade dos médicos no óbito. Segundo o delegado Weydson da Silva disse à época, a investigação mostrou que os profissionais da saúde "prestaram atendimento necessário conforme as circunstâncias apresentadas".

Após a conclusão do inquérito, o MP pediu novas diligências, onde foram ouvidas mais testemunhas ligadas ao hospital. Na última quinta-feira (2), no entanto, o processo foi arquivado e nenhuma denúncia será oferecida sobre o caso. 

Negligência e "profunda tristeza"

A família do menino acusa o Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Graça, de São Francisco do Sul, de negligência, já que alegam ter buscado a unidade de saúde por quatro vezes e não ter recebido atendimento adequado. O laudo pericial do IML apontou que James morreu por pneumonia aguda.

Procurado pela reportagem, Pedro Mira, advogado da família do menino, salienta que o processo corre em segredo de justiça e, assim sendo, fica limitado para comentar sobre o caso. Para a defesa, causa "profunda tristeza" saber que a criança, após buscar atendimento, morreu e que "a justiça entenda que ninguém teve responsabilidade por isso."

"Diariamente, vemos pessoas serem transferidas para Joinville por situações tão ínfimas, como dedo do pé quebrado, e até mesmo constipação intestinal, mas um menino, clamando por ajuda e pedindo para não o deixar morrer, esse foi liberado, sem realização de exames médicos complementares", cita Mira, em nota. 

Relembre o caso

Segundo a família, no dia 12 de julho de 2021, o menino teria sofrido um acidente na saída da escola e batido o peito e cabeça em uma placa. A mãe o levou com dores até o hospital para receber atendimento. Ele foi outras três vezes e nenhum exame foi solicitado pela equipe médica, que o liberou apenas com medicamento para dor, de acordo com os familiares.

Já durante as investigações, o laudo cadavérico da criança apontou que ela morreu de pneumonia aguda. O documento gerou uma reviravolta no caso ao apontar que a morte de James não teve relação com um acidente sofrido pela criança na escola dias antes:

"Não há evidente nexo causal entre o trauma descrito 4 dias antes do óbito e a evolução do quadro clínico", afirma o laudo, descrevendo o trauma como superficial e em cicatrização. 

A morte da criança causou comoção em São Francisco do Sul e na região, com a mobilização em torno da família, e motivou até alguns atos na cidade. 

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