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    Produtores de eventos de SC contam sobre a situação do setor em meio à pandemia

    Estimativa é que até R$90 bilhões sejam perdidos durante o período de distanciamento social

    16/07/2020 - 18h29

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    Iuri
    Por Iuri Barcellos
    Stage Music Park, em Florianópolis, em fevereiro de 2020, antes das restrições de distanciamento social
    Grupo All, responsável pelo complexo Music Park em Florianópolis, cancelou mais de 50 eventos até então
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    Um dos setores que mais sofreu as consequências das medidas contra o a disseminação do novo coronavírus é o de entretenimento. Conforme um pronunciamento da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE, 51,9% dos eventos que ocorreriam no Brasil em 2020 foram cancelados ou remarcados. Colocando em miúdos, aproximadamente 300 mil eventos de diversos tipos sofreram com os impactos do coronavírus. O turbilhão no mercado do entretenimento nacional pode representar uma perda de até R$90 bilhões, levando-se em consideração os impactos nas casas de eventos e empresas prestadoras de serviços.

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    A frase de ordem é uma só: Não peça reembolso do seu ingresso, remarque o show na sua agenda. Para mitigar os efeitos adversos que a proibição dos eventos deve causar, as empresas promotoras sugerem que os clientes que já possuem ingressos não peçam reembolso, mas sim aguardem e utilizem a entrada para uma nova data.

    Para saber mais sobre o assunto, conversamos com quatro parceiros do Clube NSC, representantes de importantes empresas do segmento no estado, para comentar sobre a situação atual e contar as expectativas sobre o futuro. São eles, Samuel Linhares, diretor do Grupo Novo Brasil – GNB; Doreni Caramori, diretor do Grupo All; Eveline Orth, diretora da Orth Produções; e Luiz Henrique Costa, proprietário da C5 Produções.

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    Até 200 eventos podem ser cancelados pelo GNB por conta do coronavírus
    O Novo Brasil estima que pelo menos 200 eventos serão cancelados pelo grupo que é responsável por diversos estabelecimentos em Florianópolis, entre eles o P12, em Jurerê Internacional
    (Foto: )

    Como foi a recepção do grupo assim que as primeiras informações sobre o isolamento chegaram? Samuel Linhares: Tomamos conhecimento e imediatamente, assim que as medidas de afastamento foram publicadas, acatamos sem questionamento. Tratava-se de determinação e deixamos os impactos para um segundo momento. Após muitas consultas, entendemos o grande impacto no nosso segmento e nas nossas rotinas semanais. Os cancelamentos e reagendamentos, como não há data específica para o retorno de nossas atividades, seguem as tendências mundiais dos grandes eventos, a partir das determinações governamentais conforme análises técnicas e as previsões dos especialistas no assunto. Sempre a maior preocupação é firmar novas datas com muito respeito e preocupação com nossos clientes. Unificando as operações das seis casas [GNB], além de casamentos e eventos corporativos que também realizamos, mais de 70 eventos já foram cancelados ou remarcados até a presente data. Estimamos que de mais 200 eventos programados não serão realizados durante os próximos quatro meses.

    Houve tempo de mensurar os prejuízos? Doreni Caramori: Acompanhamos o tema e as conduções feitas internacionalmente à distância. Foi um momento de muitas dúvidas, tenho certeza que não só para nós, uma vez que o próprio Poder Público não se planejou em absoluto para receber a pandemia, e as empresas consequentemente também não. Considerando todas as nossas operações [Grupo All] em todas as cidades em que estamos, já são mais de 50 eventos efetivamente cancelados ou remarcados até o momento. O setor do entretenimento foi o primeiro a paralisar e essa paralisação é permanente. A reunião de público é entendida por muitos como a grande vilã ao combate do coronavírus, além de tudo, não há previsão para o retorno das atividades. E quando retornar o setor não irá faturar imediatamente, pois há toda parte de lançamento do evento até o início das vendas e assim por diante. Estima-se que ocorra uma média de prejuízo de R$1,8 milhão por empresa, totalizando 90 bilhões para a indústria nacional.

    De qual forma o público pode ajudar o setor a diminuir os impactos negativos? Luiz Henrique: No período de março a maio, nossas vendas [C5 Produções] foram proporcionais às peças. As novas diretrizes federais nos ajudaram, pois elas não obrigam a devolução dos ingressos vendidos desde que seja oferecida uma nova data. Espera-se que após o governo liberar a utilização dos espaços, o público compareça sem medo. Estamos tomando algumas providências de segurança, como: restringir o uso em 50%, verificação da temperatura corporal logo na entrada na sala de espetáculo, disponibilização de máscaras, disponibilização de álcool em gel, higienização da sala de espetáculos a cada sessão e popularizar os valores dos ingressos. Acredito nessas ações de segurança para retomada do público durante 2020, mas creio que em 2021, após o carnaval, teremos 80% do retorno e 100% após a criação de uma vacina. Também nesse período a sociedade percebeu a importância dos artistas na rotina, principalmente nas promoções de lives.

    Sócios do Clube NSC têm desconto de 20% em todos os eventos drive-ins dos parceiros Drive Park, em Florianópolis, e Arena Drive-in, em São José.

    Você acredita que as transmissões ao vivo podem se tornar um novo segmento? Eveline Orth: Infelizmente os artistas foram muito insultados nos últimos dois anos no nosso país. E neste momento onde as pessoas estão passando tantas horas em casa a única coisa que as faz sair um pouco do noticiário são os filmes, a música, os vídeos de dança, musicais, os livros, os seriados, as novelas. É fundamental entender que quem está por detrás disso tudo são os artistas, escritores, compositores, roteiristas, fotógrafos, técnicos, engenheiros… uma cadeia gigante de profissionais invisíveis. E respondendo especificamente sobre as lives, acredito que será mais uma forma de evento, mas nada vai tirar a emoção do ao vivo, de estar com as pessoas.

    E sobre o futuro. Como você acredita que serão os eventos daqui para frente? Eveline Orth: A pergunta mais difícil de responder é esta, pois quando será este futuro? Creio, e isso é uma opinião, que todas as relações já estão sofrendo mudanças, novos modelos de negócio vão ser construídos. Mas, especificamente o nosso setor foi o primeiro a parar e será com certeza o último a retornar. As grandes aglomerações — refiro-me aos grandes festivais — vão demorar mais tempo para retornar. A questão é quanto tempo vai demorar, como vai estar a economia e o poder de compra da população. Ainda temos um inverno pela frente e isso será determinante para todo o mercado, especialmente o do Sul do Brasil. Estamos trabalhando na ABRAPE os temas relacionados ao retorno das nossas atividades, elaborando um documento com sugestões para a retomada, respeitando as normas da Organização Mundial da Saúde. Pretendemos encaminhar o documento para os órgãos de saúde das cidades e estados.

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