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Produtores integrados temem fim de abate de aves na JBS de Morro Grande

Fechamento da JBS em Morro Grande vai impactar produtores integrados, avaliam entidades

23/08/2017 - 15h34

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Por Redação NSC

O anúncio do encerramento das atividades da unidade da JBS em Morro Grande, no Sul do Estado, vai gerar outros impactos além das dezenas de demissões. Pelo menos 100 produtores integrados, dos 700 que fornecem matéria-prima para as unidades de Morro Grande, Forquilhinha e Nova Veneza, devem ser desligados. Empresas que prestam serviços e fazem parte da cadeia produtiva também serão impactadas. A estimativa da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) é que pelo menos R$ 30 milhões deixem de circular na região, ao ano, com o fechamento da unidade. A empresa afirma, no entanto, que o fornecimento de aves acompanhará a produção que será absorvida por outras unidades no Estado, como Forquilhinha, Nova Veneza e São José.

Somente em Morro Grande, cidade de 2,9 mil habitantes, pelo menos 40 famílias vivem da avicultura segundo o secretário municipal de agricultura Anilson Dalmolin. Ele é um dos fornecedores da empresa, e há alguns meses, teve a produção deslocada para outra fábrica, bem antes do anúncio do fechamento vir à tona. Com a iminência do desligamento de fornecedores, a diretoria da Amrec pediu sensibilidade aos representantes da JBS, para que avaliem caso a caso.

— Serão 100 famílias que deixam de ter aquela renda mensal. A preocupação de imediato é para que os desligamentos não atingissem quem fez endividamento para investir na produção, contando com a venda para pagar, então foi solicitado que empresa levasse em consideração essas pessoas. Já que vai haver impacto, que seja o menos possível — explica o coordenador do Movimento Econômico da associação, Ailson Piva.

Atualmente, a unidade de Morro Grande tem cerca 700 funcionários e abate 55 mil aves ao dia, mas já chegou a ter 1,1 mil colaboradores. O processamento de ração e outros derivados agrícolas será mantido no local, segundo a empresa, mas a linha de abate de frango vai encerrar as atividades. Parte da produção, e do grupo de funcionários, será realocado para Forquilhinha ou Nova Veneza.

— Em Forquilhinha são cerca de 180 mil frangos por dia, em Nova Veneza 130 mil, então é praticamente inviável conseguir abranger toda o volume de Morro Grande, com certeza vai diminuir a produção — projeta um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Criciúma e Região (Sintiacr), Célio Elias.

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