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Meio ambiente

Produtos químicos vazados em rio de Garuva afetaram área de 12 quilômetros

Cerca de 25 mil litros de diesel e 13 mil litros de Osmose K33 atingiram o rio após acidente

09/04/2018 - 15h00 - Atualizada em: 13/04/2018 - 10h27

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Por Redação NSC
Limpeza de material vazado no rio é feita desde sábado (7) em rio de Garuva
Limpeza de material vazado no rio é feita desde sábado (7) em rio de Garuva
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Três dias após um acidente entre três caminhões causar o vazamento de produtos químicos no rio São João, entre os municípios de Garuva e Guaratuba, as equipes de contenção continuam a trabalhar para evitar que os materiais se espalhem pela região. Nesta segunda-feira, caminhões faziam a sucção do restante dos cerca de 25 mil litros de diesel e 13 mil litros de Osmose K33 - inseticida altamente corrosivo, usado exclusivamente para preservação de madeira - que foram derramados no rio. Os trabalhos devem continuar durante os próximos dias.

Além das equipes da Defesa Civil do Paraná e de Santa Catarina, órgãos e institutos ambientais, Autopista Litoral Sul, Polícia Militar Ambiental e Ibama, uma empresa contratada pelas proprietários dos caminhões envolvidos no acidente lidera os trabalhos. O especialista em emergências da WGRA, Fernando Costa, explica que os produtos impactaram uma área de 12 quilômetros de extensão. A ideia é isolar o terreno contaminado e fazer um desvio em parte do percurso do rio para evitar de o material se espalhar ainda mais.

Alerta foi emitido para que população local não utilize água do rio antes de limpeza completa ser realizada
Alerta foi emitido para que população local não utilize água do rio antes de limpeza completa ser realizada
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— Foram instaladas barreiras de contenção em vários pontos e agora vamos fazer a operação de confinamento da área contaminada para já liberar o rio São João para uso das pessoas — conta.

Desde a sexta-feira, foram recolhidos cerca de 500 quilos de peixes mortos, a maioria de lambaris, em razão dos produtos vazados. Também houve a orientação para que a população não use a água do rio para consumo, banho ou pesca até que os trabalhos sejam finalizados. No entanto, a contaminação não afeta a distribuição e abastecimento de água do município, que é feita pelo rio do Braço.

Assista vídeo do acidente entre caminhões que contaminou rio entre Garuva e Guaratuba

Homem morre em acidente envolvendo três caminhões na BR-376

O agente da Defesa Civil de Garuva, Márcio Kuchlik, afirma que o trabalho agora se concentra mais próximo do acidente, em um córrego de aproximadamente 300 metros. Em outros pontos, já foi possível ver peixes vivos nesta segunda-feira.

— Esse produto (Osmose K33) é solúvel na água e já não está mais tão concentrado no rio. Ele vai diluindo na água e o diesel está sendo retirado pela barreira de contenção — explica.

Os produtos químicos vazaram após um acidente que envolveu três caminhões, que transportavam o óleo e o fungicida, no quilômetro 675 da BR-376, na Serra que liga os estados de Santa Catarina e Paraná. O solo por onde os líquidos escoaram também sofreu danos e foi a partir dele que os produtos alcançaram o rio, mas também foi feita raspagem no local para evitar mais contaminação.

As empresas transportadoras do material tóxico foram notificadas e, conforme o coordenador Regional da Defesa Civil, Antônio Edival Pereira, podem ser responsabilizadas e até multadas em decorrência do derramamento.

Moradores pedem prevenção

Roberto Junior (sentado), morador ribeirinho,retira peixes mortos no rio São João.
Roberto Junior (sentado), morador ribeirinho,retira peixes mortos no rio São João.
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Os moradores da região do rio São João também ajudavam os órgãos competentes a recolher os peixes mortos e monitorar os perigos da contaminação. Roberto Júnior, 48 anos, mora há 20 às margens do rio e afirma ter tirado cerca de 300 quilos de peixes desde a última sexta-feira. Ele usa a água apenas para tomar banho, mas acha um absurdo o que aconteceu praticamente na porta de casa.

— Isso foi um crime. Não poderia ter acontecido. Eles têm que dar um jeito na serra, fazer alguma proteção e acabar com isso — defende.

Ele recorda de outro acidente ocorrido na serra há alguns anos e que também prejudicou o rio São João. Naquela oportunidade uma carga de ácido sulfúrico foi derramada nas águas e matou muitos peixes. O casal Maria Salete e Rubens Kumpimsky também recorda do acidente e pede melhorias para evitar novas contaminações na região.

— Alguém tem que fazer alguma coisa para não cair mais nada nesse rio. Sempre tem acidente e cai alguma coisa, apesar de a maioria das vezes não ser algo químico — conta Rubens.

A esposa foi quem viu centenas de peixes mortos boiando no rio na manhã de sábado. Ela sentiu um cheiro forte e percebeu que os lambaris estavam próximos da costa sem vida. Como já havia ouvido informações sobre o acidente na sexta-feira à noite, Maria presumiu que fosse uma das causas da contaminação. No entanto, a família proprietária de um comércio às margens do rio foi avisada pelos órgãos ambientais apenas no sábado.

— Na sexta-feira tinha gente tomando banho ali e no domingo, mesmo depois da Autopista colocar uma placa para informar, tivemos que ficar avisando as pessoas que não podiam tomar banho — lembra.

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