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Verbas para pesquisa

Professor da UFSC de 36 anos recebe prêmio internacional para cientistas em início de carreira

Ele recebeu 650 mil dólares para desenvolver uma vacina mais eficaz para a tuberculose

26/01/2012 - 16h57 - Atualizada em: 26/01/2012 - 17h12

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Por Redação NSC

O professor de Microbiologia, Imunologia & Parasitologia André Luiz Barbosa Báfica, de 36 anos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi um dos 28 cientistas selecionados para receber o prêmio International Early Career Scientists, para cientistas no início da carreira, do Howard Hughes Medical Institute, nos Estados Unidos. O prêmio foi divulgado na segunda-feira e Báfica foi o único brasileiro na lista.

A seleção foi feita dentre 760 jovens pesquisadores do mundo inteiro. Báfica vai aplicar o prêmio de 650 mil dólares ao longo de cinco anos para desenvolver uma vacina mais eficaz para tuberculose.

Para ser escolhido pelo HHMI, Báfica teve seu projeto avaliado por 50 cientistas. O principal critério para a escolha foi a excelência científica: as conquistas de cada pesquisador em sua carreira, seu potencial e a clareza para explicar suas pesquisas. Os pesquisadores - que coordenam seu próprio laboratório há menos de sete anos - serão integrados à comunidade científica do Instituto, participando de encontros e fazendo palestras a outros pesquisadores e cientistas em começo de carreira do HHMI. Dentre os 375 pesquisadores patrocinados pelo HHMI, 13 são ganhadores do Prêmio Nobel e 147 membros da Academia de Ciências dos EUA. O financiamento de Báfica começará em fevereiro de 2012.

- É uma grande honra para qualquer pesquisador. O HHMI é uma intituição que alavanca a pesquisa básica na área biomédica no munto inteiro, porque o que o pesquisador quer é ficar no laboratório, especialmente os jovens. Queremos fazer ciência - diz o cientista.

Báfica destaca também a importância da liberdade na escolha do tema da pesquisa, dentro da área biomédica. Isso é possível porque o prêmio investe em cientistas, e não em projetos fechados.

Pesquisa investiga como bacilo da tuberculose age no corpo

Desde 2007, quando começou sua pesquisa na UFSC, Báfica e seus colegas focalizaram os potenciais pontos fracos do bacilo causador da tuberculose. Em 2011, eles descobriram que o micróbio fabrica uma proteína chamada SMTL-13 que o sistema imunológico humano consegue reconhecer. O laboratório está trabalhando agora para identificar a relação entre a bactéria e o hospedeiro, não como se fosse uma relação de inimigos e sim de coabitantes. Querem saber se a proteína da bactéria pode aumentar a eficácia das vacinas contra a tuberculose.

O bacilo da tuberculose infecta cerca de um terço da população mundial, sendo que apenas 5 a 10 por cento desenvolvem a doença. O pesquisador quer entender por que a maioria das pessoas infectadas não adoece. Essa descoberta pode levar a tratamentos melhores. "O grande desafio é entender o que acontece com as pessoas que controlam a enfermidade", diz Báfica.

André Báfica é médico e professor adjunto de Imunologia do Departamento de Microbiologia, Imunologia & Parasitologia da UFSC, pesquisador do CNPQ e credenciado nos programas de pós-graduação em Farmacologia e Biotecnologia & Biociências. Em 2008 fundou o Laboratório de Imunobiologia (LIDI), associado ao Centro de Ciências Biológicas (CCB) da UFSC, que desenvolve atividades de ensino e pesquisa relacionadas à resposta imune a patógenos e imunofarmacologia.

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