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Tragédia

Professora explica tipos de intoxicação que podem ter causado morte de catarinenses no Chile 

Família foi encontrada sem vida dentro de apartamento em Santiago nesta quarta (22) 

23/05/2019 - 13h57 - Atualizada em: 23/05/2019 - 16h09

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Por Guilherme Simon
(Foto: )

A polícia chilena investiga o que pode ter causado a morte de seis pessoas — cinco delas catarinenses — dentro de um apartamento em Santiago, no Chile, nesta quarta-feira (22). Uma das hipóteses é que elas tenham morrido intoxicadas por monóxido de carbono.

De acordo com a supervisora do Centro de Informações e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Santa Catarina, a professora Cláudia Regina dos Santos, esse tipo de intoxicação pode ocorrer quando há qualquer tipo de queima dentro de locais fechados.

— O monóxido de carbono é um gás proveniente da combustão incompleta. Então, toda vez que há qualquer queima, há a liberação dele. Há tipos de aquecedores, por exemplo, em que você precisa acender uma chama, então há uma queima ali. Às vezes, se o aparelho está desregulado, e se o ambiente está completamente fechado, a liberação de monóxido de carbono pode ser muito alta e acabar consumindo o ar — explica a professora.

Nas pessoas, o gás age alterando a a estrutura da hemoglobina, que tem a função de carregar o oxigênio no corpo.

— Os sintomas vão depender da quantidade de monóxido de carbono no local. Geralmente, começa com uma náusea, causando também tontura, dor de cabeça, e se a pessoa não deixar o ambiente isso começa a comprometer o sistema nervoso. A pessoa fica confusa, pode perder a consciência. É um quadro que vai se agravando cada vez mais até levar à morte.

Conforme o Corpo de Bombeiros de Santiago, a medição no local onde os corpos foram encontrados apontou a presença de monóxido de carbono, mas a possibilidade de outros componentes não está descartada. Nesta quinta, segundo jornal La Nación, do Chile, a perícia faz análises no sistema de calefação, na cozinha e no fogão do apartamento para avaliar que tipo de vazamento pode ter ocorrido.

Cheiro de gás pode ter se tornado imperceptível

Outra possibilidade é que a família tenha sido intoxicada pelo gás usado no sistema de aquecimento ou mesmo pelo gás de cozinha do imóvel. Ainda de acordo com a professora Cláudia Regina dos Santos, essa também é uma hipótese plausível.

A supervisora do Ciatox esclarece que, embora a maioria dos tipos de gás libere um cheiro - adicionado justamente para que as pessoas percebam o vazamento -, há o que ela chama de "limiar de odor", o que significa dizer que, após algum tempo, este cheiro torna-se imperceptível.

— Quando a pessoa chega ao ambiente onde há o vazamento, certamente irá perceber o odor. Porém, caso fique por muito tempo no local, ela acaba se acostumando e não o sente mais.

Sobre o caso

Seis turistas brasileiros morreram em um apartamento na cidade de Santiago, no Chile. Segundo a polícia local, eles teriam inalado gás, supostamente monóxido de carbono. Entre as vítimas estão cinco catarinenses: um casal de Biguaçu, na Grande Florianópolis, os dois filhos, e mais outro casal formado por um catarinense e uma mulher de Goiânia.

A identidade das vítimas foi confirmada pela família. Morreram o casal Fabiano de Souza, 41 anos, e Débora Muniz Nascimento de Souza, 38 anos; e os filhos Karoliny Nascimento de Souza, que completaria 15 anos nesta semana, e Felipe Nascimento de Souza, 13. A família morava em Biguaçu.

Além deles, também morreram Jonathas Nascimento Kruger, 30 anos, que também é catarinense e é irmão de Débora, e a esposa dele, Adriane Krueger, que é de Goiânia. O casal morava na cidade de Hortolândia, em São Paulo.

Suspeita de vazamento de gás

Quando a polícia entrou no local, notou que todas as janelas estavam fechadas. A suspeita é que isso teria provocado a grande concentração do gás no apartamento. A informação foi passada pelo comandante Rodrigo Soto à imprensa local.

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