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Agronegócio

Projeto avalia novas cultivares de maracujá em Araquari após produção cair devido a praga

Virose do endurecimento do fruto prejudica produtividade de maracujá há mais de dez anos no município; Intenção de pesquisadores é estimular o aumento de produtores do fruto

10/04/2018 - 03h30 - Atualizada em: 10/04/2018 - 05h36

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Por Redação NSC
Virose do endurecimento do fruto prejudica produtividade nas plantações de maracujá há pelo menos dez anos em Araquari
Virose do endurecimento do fruto prejudica produtividade nas plantações de maracujá há pelo menos dez anos em Araquari
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O suco de maracujá é o terceiro mais consumido do País, mas a incidência de uma virose na planta tem afetado há pelo menos uma década a produção do fruto na Capital Catarinense do Maracujá, Araquari, no Norte de Santa Catarina. Hoje, o reconhecimento é uma herança do passado, ainda nos anos 2000, quando havia mais de 60 produtores e 100 hectares (ha) de plantação ante os 32 produtores atuais, em 25 ha de área. Mas, se depender de uma pesquisa liderada pelo Instituto Federal Catarinense (IFC), os agricultores passam a contar com um estímulo para impulsionar a atividade e defender o título no Estado – hoje, a produção da fruta se destaca no Sul catarinense.

O projeto iniciado há cerca de um ano em parceria com entidades como a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem como objetivo fazer uma avaliação da adaptação de novas cultivares de maracujá na região, além de incentivar o controle da praga existente. Conhecida como a virose do endurecimento do fruto, é ela uma das responsáveis pela queda do cultivo na região.

De acordo com o professor Rodrigo Martins Monzani, que lidera o projeto, a virose se estabeleceu na cidade há cerca de 12 anos, provavelmente a partir de mudas trazidas de fora pelos produtores, e se alastrou. Como não havia nenhum estudo de controle do inseto transmissor (afídeo) ou existência de tratamento que eliminasse a virose, muitos produtores migraram para outras culturas, como do arroz, da mandioca e da banana. O cultivo da planta também passou de perene a anual, o que desestimulou e pesou na redução das áreas de plantio.

Rodrigo Monzani, pesquisador, participa do projeto que busca novas cultivares de maracujá em Araquari
Rodrigo Monzani, pesquisador, participa do projeto que busca novas cultivares de maracujá em Araquari
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O caminho agora é utilizar a pesquisa como aliada para recuperar a produtividade e a qualidade do maracujá em Araquari, afastando a presença da virose. Depois de análise do fruto em laboratório, por exemplo, a proposta é divulgar os resultados conquistados em artigos científicos, programas de extensão, dias de campo e para a própria prefeitura. A tendência é de que haja orientação ao produtor de forma adequada, tanto de produção, quanto do manejo correto das mudas, a fim de evitar que a virose alcance as novas plantações e restabeleça a relevância da produção de maracujá na cidade.

— Mantemos seis cultivares em uma área de um hectare aqui no campus de Araquari, dentre as quais estamos verificando qual mais se adapta ao local. A intenção é o fortalecimento do cultivo, mas primeiro temos que trabalhar com mudas de qualidade e evitar a transmissão do vírus aqui dentro do pomar. Temos várias linhas de frente e, entre as cultivares, temos observado que algumas são mais tolerantes à presença do vírus, apesar de ainda suscetíveis — afirma o pesquisador.

De acordo com Luciano Alves, coordenador do curso de Agronomia do IFC, o próprio produtor tem formas de evitar a entrada da virose na lavoura. Para isso, são necessárias atitudes como a aquisição de mudas de qualidade, com procedência reconhecida e certificada, além do feitio do tratamento fitossanitário dos pomares para evitar o aparecimento do inseto transmissor. Outras indicações são a preferência por mudas de maior porte; eliminação das plantas que contenham os sintomas da doença; e respeito do tempo de vazio sanitário da área de cultivo entre uma safra e outra (30 a 50 dias).

Pouco impacto para o consumidor e maior potencial de negócio

Ainda de acordo com os pesquisadores, especificamente a virose deixa o fruto deformado, com casca dura, tendo de 1,5 centímetro (cm) a 2 cm de espessura (costuma ser de cerca de 8 milímetros a 1 cm), e não tem polpa. As folhas apresentam coloração modificada e aparência enrugada. No entanto, dificilmente os frutos nessas condições chegam até o consumidor. Também não há nenhum risco para quem consome o maracujá.

Quanto aos produtores, hoje o manejo é mais dispendioso, porque geralmente no segundo ano de cultivo havia maior produtividade e, agora, como a recomendação técnica é de cultivo anual, tem afastado os agricultores. Porém, a aposta é de recuperação de mercado com a proteção do pomar e o manejo apropriado da lavoura, que possibilitam garantir boa produção e alto rendimento. Em determinados períodos do ano, o valor do produto chega a quase R$ 10 a unidade, acima do preço unitário de outras culturas regionais.

Outra possibilidade, conforme Luciano Alves, é agregar valor por meio da venda do maracujá em polpa. Também são fontes de investimento o uso na culinária, como princípio ativo calmante e também com o uso da casca na produção de farinha. Neste caso, o fruto é utilizado como auxiliar natural para a perda de peso.

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